Edição 01/10/2008 – POLÍTICA

 

Política de Atibaia inicia agora
transição de três meses


    

Evitar o vazio, entre outubro e dezembro, é praticamente impossível para a política local. A quatro dias da eleição, tanto Prefeitura quanto Câmara pisam no terreno da transição, embora a fase seja de extrema agitação. Esse hiato de atuação - quem continuará e quem chegará depois do dia 5 ? - afeta as decisões mais curtas e impossibilita as mais longas. É resultado de situação fronteiriça, que se arrastará até 31 de dezembro.

 O atual governo municipal, comandado por Beto Trícoli desde 2001, corre para terminar obras, de asfalto à revitalização de praças. Entre os cargos de confiança, existe o clima de expectativa e apreensão, o que pode prejudicar o rendimento de seus ocupantes daqui para frente. Mesmo se Denig, o candidato da situação, for eleito no próximo domingo, haverá alterações em áreas como a Secretaria da Saúde. Mudarão chefes e diretores, pelo menos.

Se o eleito for um dos adversários da atual administração, Sérgio Mantovaninni ou Tiãozinho da Farmácia, as mudanças nos cargos de confiança e na estrutura das secretarias serão ainda maiores. O ritmo do governo, em momento puxado e intenso, não elimina esse estado de espírito, que corre entre os servidores e consome tempo nas conversas em torno do cafezinho.

Quando foi eleito em 2000, o prefeito Beto Trícoli realizou formalmente uma etapa de transição. Foi montado um grupo de pré-governo, incluindo a área de comunicação, para a discussão de agenda, com as prioridades de cada setor/secretaria. No final, elaborou-se um documento, apresentado no cine Atibaia ao público como um programa de governo. Nenhum dos prefeituráveis comentou essa possibilidade até agora.

Se a Prefeitura resiste a esse fato, na Câmara o tom de transição já é percebido e deverá se acentuar a partir da próxima semana. Na segunda-feira, 6 de outubro, quando ocorrerá a primeira sessão ordinária após a escolha das urnas, os eleitos já serão conhecidos. Novo prefeito e novos vereadores já estarão circulando como "integrantes do poder". Isso certamente jogará um "banho de água fria" sobre as sessões e as atividades normais do Legislativo a partir deste mês, estendendo-se até dezembro.

Os vereadores reeleitos vão, provavelmente, optar pelo descanso e reorganização de suas assessorias nestes três meses que restam em 2008. Aqueles que não voltarão, correm o risco do desânimo; talvez procurem relaxar e buscar novas opções de vida e trabalho, planejando o período do mandato perdido. Seus assessores também poderão entrar em ritmo de recesso antes do tempo, por conta da falta de perspectiva: ficarão sem o emprego da Câmara em 2009, a menos que se entendam com algum dos eleitos.

Na Câmara, a estabilidade costuma ser maior que na Prefeitura, talvez pela menor responsabilidade sobre o dia-a-dia da cidade e pelo número menor de cargos. O impacto da Câmara é reduzido para o cotidiano dos serviços públicos. Mesmo assim, os ocupantes de cargos de confiança na Câmara se perguntam sobre suas chances de continuidade sob uma nova conjuntura, a partir de janeiro, quando tomam posse vereadores, prefeito e vice-prefeitos, que mandarão na cidade até 2012. O cenário assusta alguns e deixa agitados outros.

 


 

Aumentou o eleitorado 
com mais de 44 anos


 

   

O site do Dieese confirmou tendência já apontada pela Justiça Eleitoral. O Estado de São Paulo conta com 29,1 milhões de eleitores registrados no Tribunal Superior Eleitoral, em 2008, dos quais 92,4% possuem entre 18 e 69 anos, ficando a parcela de jovens de menos de 18 anos com 1,3% do eleitorado e os idosos de mais de 69 anos com 6,3%. É um dado importante para a estratégia dos candidatos.

Entre 1992 e 2008, a proporção de eleitores do Estado com 45 anos ou mais aumentou de 27,6% para 38,1% do total, concomitantemente à diminuição para aqueles com 16 a 44 anos, que passaram de 72,4% para 61,9%. Entretanto, as diferenças mais significativas entre as participações registradas no período foram observadas para os segmentos dos jovens com menos de 18 anos e dos idosos com mais de 69 anos.

Nos últimos 16 anos, houve diminuição de quase 50% na proporção de adolescentes de 16 e 17 anos no total de eleitores do Estado de São Paulo: em 1992, os jovens desta faixa etária correspondiam a 2,5% do eleitorado paulista, passando para 1,3% em 2008. Para estes jovens, a inscrição para obtenção do título de eleitor é facultativa.

No que se refere aos idosos com mais de 69 anos, observou-se crescimento superior a 120% em sua participação no total estadual de eleitores: 2,8% em 1992 para 6,3% em 2008. É importante salientar que as mudanças no perfil etário do eleitorado paulista, ao longo dos últimos anos, têm origem no processo de envelhecimento populacional ocorrido no Estado, resultante da redução das taxas de fecundidade e do aumento da longevidade de seus habitantes.

De forma semelhante ao que ocorre com a população paulista, a distribuição dos eleitores segundo sexo não é equitativa: o Estado conta atualmente com 15,1 milhões de eleitores do sexo feminino e 13,9 milhões do sexo masculino, o que corresponde a uma relação de 92,1 eleitores do sexo masculino para cada 100 eleitoras (para o total da população do Estado, em 2008, estima-se uma proporção de 95,8 homens para cada 100 mulheres). Observada em todas as faixas etárias avaliadas, esta diferença torna-se progressivamente maior à medida que aumenta a idade dos eleitores.

O predomínio do sexo feminino no total de eleitores do Estado começou a ser observado em 2000, quando havia 97,3 homens para cada 100 eleitoras. Em 1992, a maioria era masculina, tendo sido contabilizados 103,7 eleitores do sexo masculino para cada 100 mulheres.

 


 

Mulher, renda e política


  

De acordo com uma pesquisa do governo federal com a Organização das Nações Unidas (ONU), a média de ganho das mulheres brasileiras em 2006, era em torno de 65% da renda masculina. Considerando que a nossa legislação trabalhista garante a igualdade salarial para funções iguais, podemos concluir que isto não foi ocasionado pela Lei, mas, provavelmente, porque elas se dedicam a funções subalternas, áreas de atividade de menor remuneração, ou por viverem em áreas geográficas menos favorecidas, uma vez que elas podem estar migrando em menor escala do que os homens para regiões de economia mais forte.

Sabemos que, hoje, a mulher já ocupa, com raras exceções, a metade ou mais na grande maioria das atividades desenvolvidas no País, é partícipe e, em grande proporção, é a provedora principal de seu lar. Nas atividades empresariais elas mal resvalam nos cargos de presidente, diretoria e gerência. Nos cargos de supervisão, chefia e encarregado elas já aparecem com maior densidade. Não ter vocação para comando não é característica natural do ser humano.

A mulher, naturalmente, pode ser tão líder quanto qualquer homem, mas por cultura, a grande maioria nada faz para conquistar posições de frente e, assim, vemos, tanto no governo do País, quanto na gerência e direção das empresas, uma perniciosa e tristonha ausência de mulheres. Competência a mulher tem igual a do homem, o que fica bem evidenciado, quando fazemos análise de sua representatividade na formação escolar e atividades profissionais comparadas entre os sexos.

 A participação da mulher na vida política é um fator preponderante, para mudar a situação, uma vez que ela, com o poder das decisões em mãos, estará em militância contínua no desenvolvimento de diretrizes nacionais mais adequadas à classe feminina. A sua tomada de posição política, dar-lhe-á visibilidade do exercício da liderança, sendo exemplo de grande valia, para mostrar às colegas que capacidade existe na mulher, de forma rica em todos os campos, mas que, só pela revolução no modo de pensar, com a conseqüente mudança na educação, nos costumes e iniciativas, ela será parte real de direitos igualitários dentro da ordem democrática.

São milhares de cargos de presidência, diretoria e gerência esperando ser disputados por mulheres nas empresas, onde competência aliada à iniciativa e capacidade de negociação, junto aos níveis de poder na organização, serão fatores fundamentais de sucesso.

Esperando pela participação da mulher na vida política nacional existem 64969 cargos eletivos de presidente da república (1), vice(1), prefeitos(5564), vices(5564), governadores(27) e vices(27), deputados estaduais(1054), deputados federais(513), senadores(81) e vereadores(52137) que, somados aos cargos de livre provimento do agente político eleito, nas prefeituras, governos dos estados, assembléias legislativas, câmara dos deputados, senado, câmara dos vereadores, instituições governamentais, autarquias e empresas de economia mista atinge um resultado monumental de cargos e poder. Para conquistar esses cargos a mulher deverá, compreender que é capaz e que é importante ocupá-los para si mesma e, para a sua classe sexual.

Deverá querer e sonhar com a realização pessoal na política. Deverá se preparar para ser votada, através de sua militância política nas fileiras de um partido, buscando o saber e o bom exemplo que traga a compreensão da estrutura sócio-política, capacitando-a a promover mudanças, implementos e melhoramentos que sejam os anseios maiores de toda a sociedade. Se alguém, de qualquer sexo, quer isto, que comece prestigiando a mulher nas próximas eleições municipais.