Edição 01/11/2008 –
POLÍTICA
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Coletiva
destacou transição
Marta
Alvim Na
quinta feira (30), após o silêncio de alguns meses, devido ao período
de campanha eleitoral, o prefeito Beto Tricoli
reuniu novamente a mídia para coletiva. Na pauta, a revitalização
do centro histórico, a transição, os desabafos e, natural e
inevitavelmente, o futuro. As
obras no centro histórico serão entregues no prazo previsto, garantiu o
prefeito: “o calçadão será concluído até 31 de novembro, parte da
Praça da Matriz até dezembro, para atender a programação dos festejos
natalinos, e o restante após o carnaval”, afirmou Trícoli. Em
relação à polêmica em torno da retirada do coreto, Beto explicou que o
mesmo funciona como marco decorativo e não histórico; está lá há
apenas 30 anos: “o coreto
original existiu na Praça da Matriz no início do século passado, mas
foi demolido há muitas décadas”.
O
coreto, após passar por reforma, incluindo mecanismo para deslocamento,
voltará para a frente da Igreja da Matriz. Ali perto, o Balneário é
outro local que passa por reformas e será transformado em um pequeno spa.
Para Beto, não há impedimento legal para que o mesmo seja terceirizado. Transição
- Nos próximos dois meses, Beto estará comprometido com a transição. O
Dr. Denig ficará a par, através de uma análise crítica e
retrospectiva, da atual situação
do Executivo. Esta análise é importante, até porque o país e o mundo
estão diante de uma crise econômica. O
prefeito citou o otimismo no discurso de Aloísio Mercadante durante
recente visita a Atibaia, a convite da FAAT. “Também estou otimista”,
disse. "Temos mais de 40 milhões em caixa, reserva para atender
compromissos como o 13º dos funcionários e assegurar possível queda na
arrecadação”. Segundo o prefeito, mesmo que venha uma crise, não há
razão para preocupações, inclusive com o orçamento de 2009. Futuro
- Quanto ao futuro, Beto Trícoli poderá escolher - os convites são
muitos. Mas fica clara a disposição em iniciar a campanha para deputado
federal: “tenho muita vontade e acredito estar preparado para contribuir
com o desenvolvimento de Atibaia e região”. Entre
os convites recebidos estão o do deputado federal Roberto Santiago, da Agência
Nacional de Águas (ANA) e ainda a opção de assumir o cargo de Gerência
de Projetos, no qual é concursado pela Caixa Econômica Federal, em Cuiabá. Cidade
Limpa - O projeto Cidade Limpa, de autoria do presidente da Câmara Luiz
Fernando Pugliesi, na verdade ainda na forma de anteprojeto no Conselho da
Cidade, disciplinará o uso de banners e oudoors publicitários na cidade.
Para Beto, a medida será decisiva para tornar Atibaia mais agradável e
resgatar a paisagem e a estética urbana.
Assembléia
Legislativa discutiu
Realizada na última
quinta-feira, 30 de outubro, na Assembléia Legislativa do Estado de São
Paulo, a audiência pública promovida pela Comissão Consultiva Mista do
Instituto de Assistência Médica ao Servidor Publico Estadual (Iamspe) e
pela Frente Parlamentar em Defesa do Iamspe reuniu diversos representantes
de entidades do funcionalismo público, líderes sindicais, vereadores e
deputados estaduais. O Iamspe não esteve representado no encontro. O evento teve a finalidade
de discutir todos os problemas do instituto levantados em audiências
regionais no Estado. O presidente da Comissão Consultiva Mista (CCM),
Sylvio Micelli, expôs a situação em que o Iamspe se encontra e
enfatizou a necessidade de o governo do Estado participar no financiamento
do Instituto juntamente com os servidores públicos. "A participação,
além de fundamental, é uma forma de respeito aos servidores. O
funcionalismo quer, conforme diagnosticado nas audiências regionais, mais
médicos, mais especialidades, concursos para médicos em todo o Estado e
a descentralização do atendimento". Micelli afirmou ainda ser
contra todos os projetos que tornam facultativa a contribuição ao
instituto. O presidente da Frente
Parlamentar e líder de bancada do PT na Assembléia, deputado Roberto Felício,
considerou que a pressão que a CCM exerceu sobre os parlamentares foi
responsável pela inclusão de dotação de R$ 100 milhões para o Iamspe
no Orçamento para 2009, além da contribuição dos servidores. O Presidente da Comissão de
Saúde e Higiene, deputado Adriano Diogo, destacou que esta dotação é
destinada para o interior do Estado, ficando aberta a questão do Hospital
do Servidor em São Paulo, que ficaria sem nenhum acréscimo. Diogo propôs
também que seja realizada, ainda este ano, uma audiência pública da
Comissão de Saúde da Assembléia no próprio Hospital do Servidor, com o
objetivo de discutir a situação financeira do instituto. O deputado
defendeu que a gestão administrativa do Iamspe seja feita pelos próprios
servidores. Durante a audiência,
representantes de associações e sindicatos de servidores públicos de vários
setores defenderam que o governo do Estado efetive sua participação
financeira através da destinação de recursos de forma paritária (2%).
Candidatos
de 2008 devem
A história não acabou. Os
cerca de 380 mil candidatos que concorreram ao pleito municipal deste ano
ainda têm obrigações com a Justiça Eleitoral. Todos, eleitos ou não,
inclusive os que renunciaram ou desistiram da candidatura, têm que
apresentar sua prestação de contas final. Em agosto e setembro, os
candidatos apresentaram prestações parciais. Segundo o Tribunal Superior
Eleitoral, a prestação de contas dos vereadores e dos prefeitos que
concorreram unicamente no primeiro turno, assim como dos respectivos comitês
financeiros deverá ser entregue ao juízo eleitoral até 4 de novembro. Em todos os casos, a prestação
de contas deve ser entregue ao juízo eleitoral da cidade pela qual o
candidato concorreu, por meio do Sistema de Prestação de Contas
(SPCE2008) desenvolvido pelo TSE. Dentre outros documentos exigidos,
o candidato deve apresentar: o extrato bancário, o canhoto dos
recibos eleitorais utilizados e, se houver, o comprovante do repasse das
sobras financeiras e os documentos fiscais de gastos realizados com o
Fundo Partidário. Os eleitos que não
apresentarem a prestação de contas não serão diplomados e, com isso, não
podem tomar posse no cargo. Os não eleitos inadimplentes não receberão
a quitação eleitoral. Os partidos cujos comitês financeiros não
apresentarem a prestação não receberão a quota do Fundo Partidário do
ano seguinte ao do julgamento das contas. Qualquer partido político,
coligação ou Ministério Público poderá representar à Justiça
Eleitoral relatando fatos e indicando provas e pedir a abertura de
investigação judicial para apurar condutas em desacordo com as normas de
arrecadação e aos gastos de recursos. Comprovados a captação ou gastos
ilícitos de recursos para fins eleitorais, será negado diploma ao
candidato, ou cassado, se já tenha sido diplomado. A prestação de contas dos
candidatos eleitos serão julgadas pelos juízes eleitorais até o dia 10
dezembro. Os eleitos devem ser diplomados até o dia 18 do mesmo mês.
Câmara
aprova alteração
A Câmara aprovou por
unanimidade na última quarta-feira, 29 de outubro, após a realização
de sessões extraordinárias sucessivas, o Projeto de Lei Complementar nº
020/08, que altera a Planta Genérica de Valores Imobiliários. A
proposta, de autoria do Executivo, inclui os loteamentos Atibaia Park I e
II no texto da lei. Na última sessão, o
Projeto de Lei nº 063/08, de autoria dos vereadores Marcílio Barros,
Edson Beleza e Dr. Denig e que cria o Dia Municipal do Skate, também foi
aprovado. A data será comemorada anualmente no dia 7 de agosto e passa a
integrar o calendário oficial de eventos do município. Outra proposta que recebeu
voto favorável de todos os vereadores foi o Projeto de Lei nº 087/08, de
autoria do vereador Domingos Gerage, que cria a Semana Municipal de Luta
pelos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência. Pelo projeto, a
semana que compreende o dia 21 de setembro terá atividades relacionadas
ao tema.
Comissão
dos bancos
A Comissão de Assuntos
Relevantes da Câmara que analisou a questão das filas em bancos
apresentou seu relatório final na sessão ordinária da última
quarta-feira, 29 de outubro. O documento aponta que a fiscalização
realizada pelos órgãos competentes é falha e que os usuários, mesmo
quando lesados nas agências bancárias, não apresentam suas reclamações
por acreditar que os bancos não serão punidos. Apesar de identificar o
problema dos órgãos de fiscalização do município, o relatório também
indica que os bancos burocratizam demais os trâmites de atendimento a
reclamações e o acesso às ouvidorias próprias. Outra conclusão é a
de que a legislação vigente é de muita importância para os usuários
das agências bancárias. Criada em 28 de abril deste
ano, a Comissão de Assuntos Relevantes apurou se as agências bancárias
cumprem as regras do Código de Defesa do Consumidor e a legislação
municipal que prevê o tempo máximo de 20 minutos de espera para
atendimento. Durante as reuniões da comissão, foram ouvidos cidadãos
que apresentaram reclamações e representantes de cinco bancos do município.
O Conselho Municipal de Defesa do Consumidor (Comdecon), por sua vez,
manifestou-se por meio de ofício. O relatório será
encaminhado para a Prefeitura, Ministério Público, todas as agências
bancárias, ouvidoria do município, Associação Comercial e Industrial
de Atibaia (ACIA), sindicato dos bancários, Delegacia Geral e Comdecon.
“Oposição
tem que ser responsável”,
Thais Otoni Emil Ono, 43 anos, eleito
com 1.748 votos, é filho de Takao Ono e inevitavelmente, assume em 1º de
janeiro como sucessor do pai, que faleceu em agosto, ainda na fase inicial
da campanha. Takao, quando anunciou que não iria mais se candidatar, já
falava com empolgação sobre a candidatura do filho. Agora eleito, Emil
pretende dar continuidade ao trabalho que o pai desenvolveu em oito
mandatos, mas claro que também imprimindo sua marca. Eleito pelo PTB, que compôs
a coligação “Atibaia levada a Sério”, cujo candidato a prefeito foi
Sérgio Mantovaninni, Emil não pretende fazer o que chama de oposição
burra: ser contra apenas porque é do partido de oposição ao prefeito
eleito, Dr. Denig (PV). Bacharel em Direito e
Administração de Empresas, Emil é casado, tem um filho de 2 anos,
trabalha há 25 anos no Hospital Novo Atibaia e tem uma corretora de
seguros em Bragança Paulista. Emil concedeu entrevista ao
jornal O Atibaiense na manhã de quinta-feira, na redação. O Atibaiense – Como era a
convivência com o pai político? Isso trouxe alguma experiência? Emil Ono - Vivenciava a política
em casa, mas ir para o front nunca fui, mesmo porque meu pai preservava
muito a família. Em oito mandatos dele como vereador, nunca assisti a uma
seção de Câmara. Ele não deixava. Apenas seções de posse e entrega
de título de cidadão é que assistíamos. As seções rotineiras, com
discussão de projetos, ele não deixava a família assistir. Nem das
campanhas dele deixava que participássemos. Participei ativamente de uma
campanha agora, na minha. Então, tudo isso é uma grande novidade para
mim. Não tinha experiência nenhuma em campanha. O Atibaiense – Você
sempre quis ser vereador? Emil Ono - Sempre tive
vontade de ser vereador, mas com meu pai na política não daria para me
candidatar, iríamos disputar entre nós. Ele me dizia que no momento
certo me encaminharia, até que dois anos atrás ele disse que não iria
mais se candidatar, foi quando eu disse que então seria minha vez. O Atibaiense – Você teve
que enfrentar a morte de seu pai e grande apoiador logo no início da
campanha... Emil Ono – Quando falei
que seria candidato, ele disse que me apoiaria e já havia me levado a
alguns lugares para me apresentar. Já havíamos feito um planejamento da
campanha, no qual ele cuidaria de uma parte e eu de outra. Minha mãe também
participaria da campanha. Mas com a morte dele e uma doença do meu irmão,
que vem fazendo tratamento, minha mãe não conseguiu me ajudar. Aí
fiquei sozinho para a campanha. Eu então decidi bater na porta dos amigos
do meu pai pedindo ajuda, as pessoas compraram a idéia e deu nessa votação
muito expressiva. O Atibaiense - Esperava esse
retorno do eleitorado? O Atibaiense - Eu não
esperava os 1.748 votos, foi uma surpresa. Esperava uma votação
expressiva. Calculei que teria em torno de 1000 votos, que foi mais ou
menos o que meu pai conseguiu na última eleição, mas não acreditava na
transferência de votos dele para mim. Já houve em outras eleições
vereadores que tentaram lançar os filhos e não conseguiram. Então, eu
contava mais com os votos da colônia japonesa e dos meus colegas de
trabalho. Hoje no hospital somos, entre médicos e funcionários, em torno
de 800 pessoas. Fazia uma conta entre 1100 e 1200 votos. O Atibaiense - O que acha
que aconteceu? Emil Ono - Acredito muito
que aconteceu essa transferência de votos. Encontro com muitas pessoas na
rua que não conheço mas dizem que sempre votaram no meu pai e que agora
votaram em mim. Então, além dessa transferência, houve ainda os votos
da colônia e do hospital. O Atibaiense – Pretende
ser um sucessor de seu pai? Emil Ono - Sem dúvida.
Apesar de não ter vivenciado o dia-a-dia dele na Câmara, lia as matérias
que eram publicadas sobre ele, acompanhava a carreira dele, além dele
comentar algumas coisas em casa. Então, sem dúvida pretendo dar
continuidade ao trabalho dele. A postura dele a gente conhecia. O Atibaiense - Ele chegou a
comentar com você sobre algum projeto que acabou não dando tempo de ser
apresentado por ele? Emil Ono - Isso ele nunca me
falou, mesmo porque havia esse lado de preservar a família e não nos
deixava participar, então ele não falava muito de política em casa. O Atibaiense – Em qual área
do desenvolvimento pretende trabalhar mais? Emil Ono - Geração de
emprego. Tenho como exemplo meus amigos: vão estudar fora e ficam fora.
Eu gosto de Atibaia, é aqui que gosto de ficar, que quero batalhar, então,
pretendo trabalhar para ajudar a trazer emprego. E também cursos
profissionalizantes, pois não adianta ter as empresas e nossa mão-de-obra
não estar qualificada para ocupar esses postos. O Atibaiense – Você compôs
a coligação que foi oposição ao prefeito eleito, dr. Denig, durante a
campanha e que ainda é oposição. Pretende ser oposição na Câmara? Emil Ono - Quando necessário
sim, mas acho que a intenção não só minha, mas acredito que dos 11
vereadores que vão assumir em janeiro é fazer oposição responsável.
Tem que ser analisado cada projeto e proposta. Se for beneficiar a
coletividade não tem porque votar contra. Oposição burra não, mas sim
responsável. Não cabe mais votar contra porque não gosta do prefeito,
porque tem diferença pessoal. Vamos ter um curso agora, promovido pela Câmara,
para nos prepararmos. Também já estou estudando o regimento interno da Câmara
e a Lei Orgânica do Município. Tem que conhecer, que estar bem embasado
para questionar projetos e propostas. Também já tivemos duas
reuniões de partido, da coligação da base do Sérgio, mas não pretendo
fazer oposição ferrenha. A oposição tem que ser responsável, não
burra, só porque o prefeito é o Denig, mas também não vou falar amém
para tudo. O Atibaiense - Como você
avalia a composição da Câmara? Emil Ono - Acho que está
boa. Vejo nos 11 vereadores que vão assumir 11 pessoas com boas intenções.
Acho que vão analisar e questionar antes de aprovar. Acredito que será
diferente da atual. A postura da atual Câmara refletiu nas urnas: apenas
três se reelegeram. Então, a população está começando a ficar mais
atenta e está começando a cobrar mais dos eleitos. O Atibaiense - O que acha do
Dr. Denig prefeito? Emil Ono - Acho que
independente de ser o Sérgio ou o Denig o que posso dizer para a população
é que no que eu puder ajudá-lo, apoiando os bons projetos, pode contar
comigo. Não quero de o Denig ganhe, que o Emil ganhe, que os outros dez
vereadores ganhem. Quero que a cidade ganhe. Acho que não cabe vaidades
neste momento. O que espero é que sejamos 11 vereadores pensando pelo bem
da cidade, que é o que o eleitorado está esperando. Tem que prevalecer o
bom senso. O Atibaiense – Para
encerrar, tem algum agradecimento? Emil Ono – Gostaria de
aproveitar o espaço para agradecer à minha família, minha mãe, minha
esposa e meu filho, pois foram dois meses de ausência total com minha família,
devido à campanha. Gostaria de agradecer também a todo o eleitorado que
confiou os votos. Agora, a melhor forma de agradecer aos eleitores é
trabalhando. E agradecer aos meus colegas de coligação, que se não
fosse por eles, eu não teria me elegido. Fica um agradecimento especial a
eles.
Curso
de Vereança começa
O Curso de Introdução ao
Exercício da Vereança, dirigido a vereadores e assessores, será
iniciado pela Câmara no dia 11 de novembro. O Legislativo expediu ofício
a cada um dos vereadores eleitos em 5 de outubro para que indiquem seus
assessores para essa programação. As aulas se estenderão até 13 de
janeiro, sempre às terças-feiras, das 16h às 17h30. O objetivo é informar cada
novo representante, que exercerá o mandato no período 2009/2012, sobre o
funcionamento do processo legislativo, as responsabilidades, as obrigações,
os direitos e as restrições legais. O curso foi criado pela lei
municipal nº 3.647/08, de autoria do vereador Paulo Catta Preta, voltado
a fornecer noções básicas pertinentes às funções de vereador, de
assessor parlamentar e assessor político-parlamentar. As aulas serão ministradas
pelo Departamento de Assuntos Jurídicos da Câmara. Poderão ser
convidados secretários municipais, juízes e promotores, para
esclarecimento e detalhamento dos temas.
Como escapar dos pedidos de emprego?
Candidato em campanha não
escapa. Se eleito e pronto para assumir, sofre mais, muito mais. Não por
acaso, os pedidos de emprego chovem "torrencialmente" sobre a
cabeça do prefeito eleito Dr. Denig e do grupo da situação como um
todo, coordenado pelo prefeito Beto Trícoli, já acostumado com essas
demandas. É algo normal na política,
embora pareça absurdo e abusivo em muitos momentos. As estruturas públicas,
seja no Executivo, seja no Legislativo, são vistas como território a
ocupar pelos assessores, apaniguados e protegidos de cada candidato. Na
esteira dessa ânsia, estão segmentos da população, dos mais pobres aos
mais aquinhoados, que se vêem como necessitados ou com o direito de ficar
com uma fatia do bolo. Claro que, sabendo-se quem
vai mandar, move-se pela cidade uma legião de desempregados e pessoas
carentes, que percorrem os gabinetes da Câmara e da Prefeitura atrás dos
principais políticos. No geral, pedem uma oportunidade de trabalho, uma
ajuda, seja remédio ou material de construção, uma internação para o
filho, uma operação para a nora e mil e um outros tipos de pedido. Essas solicitações podem
chegar aos políticos em bilhetinhos ou envelopes com currículos.
Raramente, os pedidos são coletivos. Dificilmente, o político pode
encaminhá-los à assessoria para analisar a viabilidade de incluir no
programa de governo. Na maioria dos casos, são solicitações individuais
mesmo, sem qualquer disfarce ou discurso "embromador". As
pessoas pedem descaradamente. Há candidatos que se
recusam a participar desse jogo. Garantem, às vezes, que não têm política
de recebimento de cartas ou pedidos. Para eles, as pessoas fazem
reivindicações ou conversam sobre o dia-a-dia da cidade. Sob essa ótica,
não caberia à campanha, à assessoria ou aos futuros secretários
municipais ficar respondendo a esses questionamentos diretos. Tais
demandas teriam de ser respondidas pelo governo eleito e não por seus
agentes políticos. Mas essa atitude está na
estratosfera, paira sobre o real da vida pública. E atinge toda a
sociedade. Se os gabinetes e as salas de espera viram verdadeiros
"balcões de pedidos" para a massa dos cidadãos, os corredores
do poder e as reuniões mais íntimas em casas ou escritórios
particulares exibem uma "invasão" diferente. São os
assessores, amigos e empresários mais chegados que querem continuar no
poder ou próximo dele ou aqueles que querem entrar nos cargos de confiança,
os mais cobiçados pelos estratos médios do eleitorado. Aí, os pedidos de empregos
são mais sofisticados e até dispensam a entrega de currículos. Levam em
consideração as sintonias de amizade e proximidade com os mandatários.
Os pretendentes tentam ser discretos e finos. Claro que também alegam
questões menores como o pagamento da escola particular dos filhos ou a
manutenção da sogra, mas se esforçam para ficar nas altas esferas das
influências. O que têm em comum com os mais simples munícipes é que
também querem resultados rápidos. Diante dessa pressão, o que
fazer? O candidato mais esperto tenta escapar do cerco sugerindo que
precisa do apoio do eleitor para fazer um bom governo; passa os pedidos
para sua assessoria "analisar"; afirma ao pedinte que antes
conhecerá a realidade do governo antes de tomar decisões; e pondera com
seus interlocutores que, enfim, não se muda a realidade da noite para o
dia. É o famoso bordão "Não é possível fazer milagres". O leitor conhece essas situações
e sabe que é difícil acomodar os pedidos internos e externos com os espaços
e os cargos da administração municipal e da Câmara. Afinal de contas,
um doutor ou um especialista, seja de que área for, não aceitará um
emprego, por exemplo, de operador de máquinas. Essa é uma equação a
resolver ao longo de quatro anos, com o inevitável desgaste que implica.
Momento Político
CRISE
OU HALLOWEEN? Atibaia brincou de Halloween
no final de outubro mas pensa pouco em crise por enquanto. Grupo de
comerciantes da cidade, reunidos em uma pizzaria nesta semana, comentava
sobre os efeitos do aperto no crédito e do eventual medo dos
consumidores. Comprar à vista é o melhor caminho para o Natal e o começo
do ano, disse um comerciante de vestuário. Na área pública, as contas
municipais estão em dia e, se houver aperto, os efeitos talvez cheguem
apenas no segundo semestre de 2009 ou mesmo 2010. ELE NÃO PAROU Mal terminou a campanha
eleitoral, o empresário Rodrigo Parras já dedica carga total em várias
atividades ligadas às suas propostas de campanha. A qualificação de seu
mestrado é uma das atividades às quais Rodrigo está dedicando tempo.
Parras aborda a inclusão do deficiente no mercado de trabalho e
apresentará defesa de sua tese em fevereiro de 2009, momento em que
pretende expor seu trabalho para empresários e comerciantes da cidade.
Ele teve 1.039 votos, sendo o mais votado do PSB.
AGRADECIMENTO Dois candidatos a vereador
deram um bom exemplo de educação no período pós-eleitoral, quando
muitos se isola, desaparecem ou simplesmente viram as cotas para o
eleitor. Mesmo não obtendo o cargo almejado na Câmara, eles distribuíram
um agradecimento público aos eleitores. Rodrigo Parras soltou um folheto
em que cumprimentava o eleitorado. O vereador Reginaldo Binatti colocou
faixas em bairros como o Alvinópolis, agradecendo o apoio que teve nas
urnas. PEDIDOS E PEDIDOS O prefeito eleito José
Bernardo Denig ainda não conseguiu retomar completamente seu trabalho
como médico. Neste período pós-eleitoral, as reuniões políticas e os
contatos com setores da administração foram intensos. Nesta semana,
Denig e Beto Trícoli tiveram encontro extenso para tratar de assuntos do
Executivo, que o primeiro assume em janeiro de 2009. Na onda de contatos,
porém, um lado negativo: o Dr. Denig tem ouvido muitos pedidos de
emprego, dentro e fora do grupo de apoio. Todo mundo tem um parente
desempregado ou contas para pagar ou continuar pagando.
TRÊS PRESIDENTES A presidência da Câmara
deverá ser definida entre novembro e dezembro, como acontecerá também
com o secretariado municipal. Até o momento, são três os candidatos na
peleja: os reeleitos Gina e Dedel e o novato - recordista de votos -
Wanderley. Gina espera colocar seu retrato na galeria dos presidentes da Câmara,
embora reconheça que o cargo não repercuta sobre a opinião do
eleitorado. É o prestígio do qual o político não abre mão. Dedel
sente-se reforçado pelos resultados das urnas. E Wanderley é carregado
até o cargo pelos seus mais de 3 mil votos. Ou seja, todos têm sua razão.
ROTEIRO NA MÃO Ser presidente da Câmara é
um cargo que dá exposição, prestígio e pressão. A pressão é mais
interna. Os demais vereadores sempre esperam apoio do presidente em
facilidades como o uso dos veículos oficiais. No caso das sessões, o
chefe da Casa de Leis é ajudado pela Divisão Legislativa e pode até
seguir um roteiro escrito, colocado em sua mesa. Assim, fica fácil, mas
essa aparente facilidade engana os mais afoitos. Vereadores sem domínio
sobre as regras da língua portuguesa correm o risco do ridículo no
cargo, já que o presidente fala bastante na sessão e não apenas bordões
legislativos. Os novatos sofrem num cargo como este pela inabilidade no
momento de conflitos entre os pares ou em situações delicadas do ponto
de vista do Regimento Interno (regras de funcionamento da Câmara),
exigindo interpretação sofisticada. Mas, se política é risco e
ousadia, que corram todos atrás da presidência.
AUSÊNCIA SENTIDA A missa que comemorou os 60
anos da Associação Comercial agradou os presentes pelas mensagens
ouvidas e pelo companheirismo entre os espectadores. Mas teve um porém.
Mesmo com a divulgação na imprensa e o envio de convites, reiterados por
telefonemas em alguns casos, faltaram autoridades - da Câmara e da
Prefeitura - no evento. O que aconteceu? Foi a falta de jantar ou
coquetel? De qualquer forma, a ausência foi sentida e até interpretada,
discretamente, como rejeição. Rejeição de diálogo? Na agenda imediata entre
a ACIA e a Prefeitura, está o projeto da iluminação de Natal. PRESENÇA OBSERVADA Na missa dos 60 anos da
ACIA, estava presente o empresário e ex-candidato a prefeito Sérgio
Mantovaninni. Ele integra o conselho fiscal da Associação Comercial e não
desapareceu de cena após a campanha municipal.
O ex-prefeito Flávio Callegari, ex-presidente da ACIA, Roberto
Silva Pinto, advogado e ex-presidente, e Paulo Osato, ex-presidente também,
compareceram ao evento e foram devidamente cumprimentados pelos presentes.
Sérgio Haroldo Ribeiro, da diretoria e do corpo de colunistas deste
jornal, foi uma personagem brilhante na noite. FIM DA PICADA Confusão no município de
Nazaré Paulista, de 16,4 mil habitantes. A coligação "Unidos por
Nazaré", que perdeu a eleição por apenas dois votos, está pedindo
na Justiça a impugnação do pleito. Acusa o prefeito reeleito, Mário
Antonio Pinheiro (PSDB), de uso da máquina pública. A prefeitura da
cidade fez uma campanha de vacinação contra a rubéola, no dia da eleição,
em colégios que eram locais de votação. TCE LANÇA CARTILHA Uma cartilha com 54 páginas
apontando causas freqüentes de pareceres desfavoráveis às contas
municipais e as conseqüências da não-aplicação dos porcentuais mínimos
constitucionais na saúde e educação, está sendo distribuída pelo
Tribunal de Contas (TCE) em conjunto com o governo do Estado. Segundo o
presidente do TCE, Eduardo Bittencourt, a cartilha “Os Cuidados do
Prefeito com o Mandato” é uma fonte preciosa de consulta para os novos
administradores. Fica aqui a sugestão. SEM MÁGICAS Na terça-feira, na parte da
tarde, o vereador Oswaldo Mendes Sobrinho foi visto em um dos pontos do
município onde conseguiu regimentar os expressivos votos para a sua
reeleição. Lá pelos lados do Hospital Novo. Estava um pouco chateado
devido ao estado de saúde de sua esposa. Como ele mesmo disse, foi apenas
um susto. Não perdeu a oportunidade de dar uma cutucada naqueles que não
acreditavam na sua reeleição. “Eu não falei que me reelegeria? Quem
tem uma bagagem política de muitos anos, sabe como trabalhar para
conseguir os votos necessários”, disse Oswaldo, orgulhoso do seu feito. COMO PRESIDENTE? Já que experiência é uma boa bagagem política, conhecedor
dos trâmites do Poder Legislativo, cara de caipira mas astuto, com muita
habilidade para dar um parecer, não seria Oswaldinho, o moço de Silvianópolis
(MG), um elemento certo para ser o presidente da Câmara? Não seria uma
maneira de homenagear o companheiro, que queiram ou não é um político
que ainda nos resta da safra boa do passado? São perguntas que alguns
observadores fizeram nesta semana, em contato com esta coluna. Não acham
que está na hora de acabar com o corporativismo? - perguntaram. SENTIMENTOS Ciúme, ansiedade e corrida
aos postos estão mobilizando membros bem ou mal colocados dentro do grupo
da situação. Quem será deixado de lado neste momento de transição?
Aqueles que caminharam ao lado do prefeito eleito na campanha, teriam um
lugar certo mesmo na futura administração? São dúvidas que pairaram no
ar nas últimas semanas. Na política, é preciso afastar às vezes os
amigos e, principalmente, os falsos amigos. |