Edição 01/11/2008 – SAÚDE

 

12,7% dos homens com sífilis
procuram tratament
o

 

Buscando atingir este público, o CRT/Aids lançou uma campanha focada nos homens. São três tipos de cartazes.

 

A grande maioria dos homens não leva a sério o tratamento de sífilis, doença sexualmente transmissível, mesmo após a detecção da doença pela parceira. É o que mostra levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde com base nos registros do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids entre os anos de 1998 e 2008.

Neste período, o Estado de São Paulo registrou 6.958 casos de sífilis congênita, quando a doença é transmitida durante a gestação da mãe para o filho. Do total de casos detectados, em apenas 12,7% dos registros os pais ou os parceiros sexuais das mães procuraram tratamento adequado para a doença.

Buscando atingir este público, o CRT/Aids lançou uma campanha focada nos homens. São três tipos de cartazes que convidam os homens a fazer o teste de sífilis e conhecer um pouco mais sobre a doença. Em todo o Estado serão quase 50 mil cartazes espalhados por serviços de saúde e locais de grande circulação de pessoas.

“A sífilis congênita é uma doença totalmente evitável. Por isso, é muito importante que o homem faça o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. Desta forma, além de mais saúde, o homem contribuí para a não disseminação da doença entre suas parceiras”, afirmou Luiza Matida, coordenadora das ações para a redução da transmissão vertical do HIV e da sífilis.      

A sífilis é uma doença infecciosa e sexualmente transmissível. É causada pela bactéria Treponema pallidum e manifesta-se em três estágios: primária, secundária e terciária. Os dois primeiros estágios apresentam as características mais marcantes da infecção, quando se observam inicialmente pequenas feridas nos órgãos sexuais (cancro duro) e com ínguas (caroços) nas virilhas. Esses sintomas costumam aparecer de duas a três semanas após a relação sexual desprotegida com pessoa infectada, e é quando a doença é altamente transmissível.

Depois, a doença desaparece durante um longo período. A pessoa infectada não sente nada e apresenta uma aparente cura das lesões iniciais, mesmo em casos de indivíduos não tratados. A doença pode ficar estacionada por meses ou anos, até o momento em que surgem complicações graves como cegueira, paralisia, doença cerebral, problemas cardíacos, podendo inclusive levar à morte.

Caso a mulher infectada fique grávida neste período, pode acontecer a transmissão da sífilis para o bebê. Neste caso, a doença recebe o nome de sífilis congênita e pode ser evitada com o tratamento adequado durante o pré-natal. Em 40% dos casos em que há gestação sem tratamento da doença, há abortamento. Nos demais casos, o bebê pode apresentar seqüelas como retardo mental, surdez e deficiências visuais e dentárias.


Familiares dos pacientes oncológicos
precisam de apoio


 

Bernardete Pacheco

 

A situação de adoecimento atinge não apenas a pessoa enferma. Os familiares enfrentam estresses e podem experimentar uma série de reações psicológicas e emocionais típicas. Estas reações de certa forma são “naturais” e podem ser minimizadas quando os familiares se abrem para compartilhar e receber apoio e esclarecimentos de profissionais, que os auxiliam a serem mais equilibrados, compreensivos, conscientes e ativos nas tomadas de decisões sobre o tratamento e no acompanhar e confortar seu ente querido.

Há um grau de ansiedade e angústia inerente às fases da enfermidade, pois há uma seqüência extensa de acontecimentos estressantes sendo vividos por seu ente querido: a realização de exames; o impacto da revelação do diagnóstico; os preconceitos e crenças a respeito do câncer; os procedimentos médicos e cirúrgicos dolorosos; a quimioterapia com seus efeitos colaterais muitas vezes desagradáveis; as hospitalizações, ansiedades e angústias decorrentes.

A rotina de vida se altera para todos e uma peregrinação a situações desconhecidas desperta expectativas, temores e inseguranças no grupo familiar.

CHANCES DE SUCESSO

As reações familiares ao adoecimento dependem dos laços e conflitos familiares e da personalidade de cada um. O acompanhamento psico-oncológico da pessoa enferma traz apoio fundamental, inclusive afetivo, para auxiliar na sua recuperação e no enfrentamento das diferentes fases de seu tratamento.

Dele faz parte orientação dos familiares e amigos íntimos, disponibilizando encontros para receber esclarecimentos, apoio e incentivo no lidar com as dificuldades encontradas para, desta maneira, a família poder oferecer suporte ao seu ente querido. A participação familiar adequada é necessária e essencial para melhorar os recursos de ordem física do paciente – como aumento da imunidade e da resistência do organismo, menor sensibilidade à dor; psicológica – como melhora do humor, da auto-confiança, de sentir-se querido; e médica – maior adesão ao tratamento e melhor suportabilidade das rotinas médicas e dos sintomas.

AMADURECIMENTO

A família tem nesta vivência - do adoecimento de um de seus membros - uma oportunidade única de amadurecimento de suas relações, de resoluções de conflitos e de superação dos distúrbios de comunicação. Sentimentos e comportamentos contraditórios costumam inundar as pessoas, podendo gerar reações adversas e ambivalentes a serem cuidadas, como: relutância em buscar esclarecimento médico e psicológico sobre a doença e o tratamento; constrangimento e receio de participar ativamente, fazer escolhas e tomar decisões; bloqueio em conversarem aberta e sinceramente sobre os acontecimentos e sentimentos; aproximar-se/distanciar-se afetivamente da pessoa doente; sentir culpa pelos próprios limites afetivos; super-compensar inadequadamente as próprias dificuldades; permanecer preso ao choque do início da revelação da gravidade da doença; negar a doença; isolar a pessoa doente; ficar agressivo, depressivo e arredio;  etc..

 Para melhor compreender e elaborar estas reações é importante procurar informações, contar com a rede de amigos, expressar sentimentos e dificuldades, procurar ajuda psicológica e espiritual – estas são algumas sugestões que são comprovadamente benéficas. Falaremos das reações típicas do seu ente querido enfermo numa próxima oportunidade.

Bernardete Pacheco é  psicóloga clínica, possui Especialização em Psico-Oncologia, Psicologia da Saúde e Hospitalar pela USP.