Polícia nota diminuição
de
acidentes depois da “lei seca”
Thais Otoni
Em vigor em todo o país
desde 20 de junho, a Lei 11.705, que altera o Código de Trânsito Brasileiro,
impõe limites rígidos com relação ao consumo de álcool por motoristas. A
tolerância é praticamente zero. Mais conhecida como “lei seca”, causa polêmica
e gera reclamações, mas parece já estar mudando o cenário do trânsito.
Considerada por pesquisa
da International Center For Alcohol Policies (instituição com sede em
Washington-EUA) como uma das mais rígidas do mundo, a “lei seca” já apresenta
impactos em levantamentos nacionais e também na região. Um levantamento do
Ministério da Saúde divulgado em 14 de julho mostrou que houve queda de 24% no
número de chamados para acidentes de trânsito do Serviço de Atendimento Móvel
de Urgência (SAMU). O levantamento foi realizado em 14 localidades, é parcial,
mas já dá uma perspectiva sobre os resultados da aplicação da nova lei. A
Polícia Rodoviária Federal divulgou por meio de sua assessoria de imprensa que
nos dez primeiros dias de aplicação da nova lei houve 16% menos mortes nas
estradas federais em relação a igual período do ano passado.
Nas estradas da região
sob responsabilidade do posto da Polícia Rodoviária Estadual de Atibaia, na
Rodovia D. Pedro I, já se percebeu uma queda considerável no número de
acidentes. De acordo com o sargento Mutti, responsável pelo posto da PRE em
Atibaia, a polícia vem percebendo queda nas ocorrências de acidentes
envolvendo motoristas embriagados. Não há estudo que mostre uma estatística de
queda, mas para o sargento Mutti, já é considerável.
Por menor que seja a
redução, já traz impactos positivos. Segundo pesquisas, do total de mortes em
acidentes de trânsito no país, pelo menos metade é causada por motoristas
alcoolizados. Para os hospitais, essa redução pode significar mais condições
de atender outros tipos de urgência e emergência, melhorando o atendimento.
Para quem gosta de tomar
uma cervejinha com os amigos, a lei parece absurda, mas especialistas
consideram que a única maneira de limitar a ingestão de álcool por motoristas
é a tolerância zero, já que cada pessoa responde de forma diferente ao álcool.
O limite imposto pela
“lei seca”, segundo médicos e especialistas em trânsito, de 0,2 grama de
álcool por litro de sangue (equivalente a uma única lata de cerveja ou taça de
vinho), já pode comprometer a coordenação, noção de distância e velocidade e
reduzir a visão periférica. Alguém que não está acostumado a beber e que bebeu
de estômago vazio, por exemplo, pode perder o controle da direção e causar um
acidente. Como cada indivíduo tem uma tolerância diferente ao consumo, a
tolerância zero é a única forma de atingir a todos, alegam.
FISCALIZAÇÃO EM ATIBAIA
Os motoristas de Atibaia
já estão mais atentos à nova lei, já que a polícia vem fazendo fiscalizações
constantes. Nas estradas, tanto a PRE quanto a PRF fazem fiscalizações diárias,
que ocorrem não apenas no período da manhã, mas se estendem para a madrugada.
Aos finais de semana, há intensificação. No município, a fiscalização cabe à
Polícia Militar, mas até o fechamento desta edição, não obtivemos informações
sobre o trabalho que vem sendo realizado.
De acordo com o sargento
Mutti, da PRE, a fiscalização é aleatória, ou seja, nunca é feita no mesmo
horário e local e diária, além de ser feita em todas as estradas da região sob
responsabilidade do posto da PRE. “Enviamos viaturas para as estradas da
região diariamente. Os pontos são geralmente próximos a bares, restaurantes e
casas noturnas. Nesses locais, não adianta enviar a viatura durante o dia,
então, há também fiscalização de madrugada”, explica.
A PRE tem um equipamento
para testar o nível de álcool no organismo, o etilômetro (nome correto do
aparelho conhecido por bafômetro). Desde que começou a fiscalização, até o
final da semana passada, registrou dois acidentes causados por motoristas
embriagados, que foram autuados e ainda realizou um flagrante em Itatiba. “Não
temos números exatos, mas já percebemos redução no número de acidentes”,
afirma o sargento.
A PRF vem fiscalizando a
Fernão Dias diariamente. De acordo com Paulo Roberto Colunna, chefe do Núcleo
de Policiamento e Fiscalização da 3ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal
de Atibaia, a fiscalização com uso de etilômetro (a PRF tem dois equipamentos)
é diária. “Até o momento, desde a entrada em vigor da Lei 11705/08, foram
autuadas duas pessoas, sendo uma delas presa em flagrante, mas liberada após
pagamento de fiança”, diz Colunna.
Para que continuem se
destacando os aspectos positivos da nova lei, é preciso agora que o rigor da
fiscalização seja constante, aliado a campanhas de educação e conscientização
dos motoristas.
Entenda
a “lei seca”
Limite permitido – menos
de dois decigramas de álcool por litro de sangue, ou seja, menos de uma lata
de cerveja, cálice de vinho ou dose de uísque. Para a nova lei, conduzir um
veículo com qualquer teor de álcool no sangue é crime. Se houver morte em
acidente de trânsito envolvendo motorista alcoolizado, este será processado
por homicídio doloso, ou seja, quando há intenção de matar.
Punição – a partir de
dois decigramas de álcool, é prevista suspensão da carteira de habilitação por
um ano, multa de R$ 955,00 e retenção do veículo. Acima de seis decigramas por
litro de sangue, limite da antiga lei, além da multa e apreensão da carteira e
do veículo, há ainda detenção do motorista em flagrante, que pode cumprir pena
de seis meses a três anos. A fiança, no caso da detenção, pode variar de R$
300,00 a R$ 1.200,00.
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