Começa
neste sábado maior
vacinação do mundo
Ministério
da Saúde lança campanha contra a rubéola
com metade vacinar cerca de 70 milhões de brasileiros
O
Ministério da Saúde (MS) lança no sábado, 9 de agosto, a Campanha
Nacional de Vacinação para a Eliminação da Rubéola com a meta de
vacinar 70 milhões de pessoas. O lançamento nacional será às 9h na
Policlínica Comunitária de Jurujuba (avenida Carlos Ermelindo
Marins, s/n), em Niterói (RJ). A vacinação contra a rubéola vai até
o dia 12 de setembro, em todos os municípios brasileiros. Essa é a
maior mobilização já realizada em todo o mundo com o objetivo de
imunizar indivíduos adultos. No dia 9 de agosto, ocorrerá também a
segunda etapa da vacinação contra a poliomielite. Ir ao posto de saúde
se proteger contra doenças virou um programa de família.
Os
homens são o principal foco da campanha contra rubéola. Isso porque,
em anos anteriores, os públicos-alvos foram crianças e mulheres.
Para o Ministério da Saúde, agora é a vez de centrar esforços para
vacinar pessoas do sexo masculino. Dos 8.684 casos de rubéola
confirmados no país, em 2007, 70% corresponderam a pacientes homens
(veja na tabela).
A
necessidade de vacinar os homens não exclui as mulheres. Pelo contrário,
para eliminar a circulação do vírus no país é fundamental vacinar
também as pessoas do sexo feminino. Ao todo, 35,3 milhões de
mulheres serão vacinadas.
Essa
ação está dentro do compromisso firmado pelos países das Américas
durante a 44ª reunião do Conselho Diretor da Organização
Pan-Americana da Saúde (OPAS) de eliminar até 2010 a rubéola e a Síndrome
da Rubéola Congênita (SRC) – complicação da infecção pelo vírus
da rubéola durante a gestação, principalmente no primeiro trimestre
da gravidez.
PÚBLICO
- A imunização será feita em duas grandes frentes: com a
aplicação da vacina Dupla Viral (sarampo e rubéola) em homens e
mulheres com idade entre 20 e 39 anos de todo o país, e por meio da
vacina Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola) em indivíduos
entre 12 e 19 anos nos estados do Maranhão, Minas Gerais, Mato
Grosso, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, além de toda população
indígena que vive em aldeias.
O
ministro da saúde, José Gomes Temporão, enviou no fim de junho
cartas individuais a todos senadores, deputados, governadores,
prefeitos, secretários estaduais e municipais de saúde e integrantes
dos Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho
Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), conclamando
os gestores a participarem ativamente dessa grande ação,
sensibilizando a população. O ministério enviou também para os
estados e municípios o plano de ação da campanha, assim como o
manual técnico-operacional.
Pelo
seu ineditismo e amplitude, a campanha já despertou o interesse de
diversos países do mundo. Eles enviarão observadores para conhecer a
ação durante uma semana. Além destes visitantes, essa ação contará
com a participação de oito consultores internacionais, que vão
ajudar técnicos brasileiros na estruturação da campanha nos
estados. Eles vêm de cinco países – Paraguai, Colômbia, Equador,
Peru e México – e devem permanecer no Brasil por três meses.
MEGAESTRUTURA
– A campanha contra rubéola exigiu a preparação de uma
megaestrutura. Oitenta milhões de seringas e agulhas, 220 mil
pessoas, entre voluntários e servidores da saúde, dez aeronaves da
Força Aérea Brasileira (FAB), 41 mil carros e mais de 600 barcos são
apenas alguns dos números grandiosos para a maior campanha de vacinação
já feita no mundo. A logística para a campanha vem sendo pensada
pelo ministério desde setembro de 2007. E, assim que definidas,
ações foram tomadas.
O
ministério aplicou R$ 135,2 milhões na aquisição de mais de 84 mil
doses de vacinas, R$ 8,9 milhões na compra de 80,1 milhões de
seringas e agulhas e transferiu R$ 41 milhões para estados e municípios
a fim de cobrir despesas com diárias, combustíveis e outras necessárias
à operacionalização da campanha.
Foram
reservados R$ 3,4 milhões para a compra de caixas térmicas e mais R$
1 milhão para bobinas de gelo reutilizáveis. O ministério destinou,
ainda, R$ 1 milhão em capacitação de pessoal, R$ 2,3 milhões em
supervisão e assessoria, além de R$ 2 milhões em materiais
impressos e R$ 10 milhões em campanha publicitária.
Ao
todo, o governo federal investiu R$ 204,8 milhões na campanha contra
a rubéola. O custo por pessoa vacinada é de R$ 2,9. Estima-se que
por cada dólar que é investido na estratégia de vacinação são
economizados US$ 12 em tratamento das crianças portadoras da Síndrome
da Rubéola Congênita.
CONTRA-INDICAÇÕES
- A vacina é contra-indicada para mulheres grávidas;
pessoas que já tiveram reação alérgica grave à vacina; indivíduos
com imunodeficiências congênitas ou adquiridas; pacientes que estão
fazendo uso de corticóides em doses imunossupressoras, ou seja, que
baixam a imunidade; pessoas em tratamento quimioterápico; e, por fim,
transplantados de medula óssea cuja cirurgia tenha sido feita com
menos de dois anos. Em qualquer caso de dúvida, a recomendação é
consultar um profissional de saúde.
O
Brasil realizou entre 1992 e 2000 campanhas estaduais para implantação
da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) em crianças
de um a 11 anos e, posteriormente, em mulheres em idade fértil. Esse
conjunto de ações de vacinação dirigido a diversos grupos etários
provocou importante redução na incidência da doença, modificou o
ciclo dos surtos que deixou de ser prioritariamente em crianças e
mulheres, mas não conseguiu interromper a circulação do vírus da
rubéola.
Em
2006, houve um aumento de casos confirmados da doença, nos estados do
Rio de Janeiro e Minas Gerais. A disseminação do vírus ocorreu também
em 2007, quando 20 estados brasileiros foram afetados, totalizando
8.683 casos, sobretudo nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e
Centro-Oeste.
SAIBA
MAIS
O
que é a rubéola?
A
rubéola, também conhecida como “sarampo alemão”, é uma doença
infecto-contagiosa causada por vírus.
Qual
a causa?
É
transmitida pelo vírus do gênero Rubivirus da família Togaviridae.
Quais
os sintomas?
O
paciente apresenta febre baixa, manchas na pele, dor de cabeça e nas
articulações, gânglios aumentados no pescoço e atrás da orelha,
entre outros.
Como
se transmite?
A
transmissão é diretamente de pessoa a pessoa, por meio das secreções
expelidas pelo doente ao tossir, respirar, falar ou respirar.
Como
tratar?
Não
há tratamento específico para a rubéola. Em caso de suspeita, a
pessoa deve imediatamente procurar orientação médica.
Como
se prevenir?
Atualmente,
a vacina contra rubéola consta no calendário vacinal para crianças
aos 12 meses de vida com reforço entre quatro a seis anos. A vacina
também está disponível para mulheres na faixa etária de 12 a 49
anos e para os homens de 12 a 39 anos.
Como
é feito o diagnóstico?
Algumas
doenças se manifestam de forma semelhante à rubéola, como sarampo,
escarlatina e dengue. Na situação atual de eliminação da rubéola,
identificar precocemente um caso suspeito e realizar as ações de
vigilância de forma adequada com uma correta investigação epidemiológica,
a realização do diagnóstico diferencial é muito importante para
classificar adequadamente qualquer caso suspeito.
Rubéola
no mundo
-
A OMS estima que existam 110 mil novos casos de SRC a cada ano no
mundo.
-
Em 1996, 65 países tinham a vacina de rubéola em seus calendários
nacionais de imunização. Em 2006, o número de países passou para
123 países.
Rubéola
no Brasil
-
A partir de 2007, o Brasil inicia a organização de uma campanha
nacional para eliminar a rubéola e a SRC
-
A vigilância epidemiológica da rubéola e da SRC foi intensificada a
partir de 1999 com a implantação do Plano de Eliminação do
Sarampo.
-
Entre 1999 e 2007, a redução dos casos confirmados de rubéola ficou
em torno de 80%.
-
A partir de 2006 surtos de rubéola passaram a ocorrer nos estados de
MG, RJ, RS, PR, CE, SP, MS, MT dentre outros. A faixa etária mais
acometida é a de 20-34 anos de idade e 70% dos casos confirmados
ocorreram no sexo masculino.
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