Bares
estão por toda parte, mas
segurança alimentar deve melhorar
"Este
é o único setor presente em todos os municípios brasileiros",
afirmou o presidente da Abrasel Nacional (Associação Brasileira de
Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci Jr, durante a abertura do 20º
Congresso da Abrasel, informou o site InfoMoney. Segundo ele, o país
abriga hoje um milhão de bares e restaurantes, responsáveis pela
geração de 6 milhões de empregos. Ele aproveitou a ocasião para
lembrar das preocupações do setor com relação à Lei Seca, que
proibiu o consumo de álcool por condutores de veículos em todo o
território nacional.
Solmucci
falou ainda sobre a alimentação fora do lar e sua importância na
economia nacional. Um quarto de tudo que se consome em nosso setor diz
respeito à alimentação fora de casa, garantiu, conforme publicou a
Agência Sebrae. Quarenta por cento do PIB do turismo correspondem aos
negócios gerados pelo setor de bares e restaurantes, que também é
responsável por 65% dos empregos da cadeia produtiva do turismo.
Outro
tema do encontro foi a segurança sanitária dos alimentos ofertados
para consumo da população, um dos desafios da saúde pública.
Embora no Brasil anualmente mais de seis mil pessoas morram e 500 mil
sejam internadas devido a problemas causados por falta de segurança
dos alimentos, representando um gasto de 15 bilhões de reais para o
sistema de saúde do país, o poder público ainda não tem políticas
voltadas especialmente para a capacitação em grande escala dos
profissionais que atuam na área de produção e manipulação de
alimentos.
O
tema teve como debatedores a gerente geral de alimentos da Anvisa,
Denise Resende, o coordenador do Programa de Turismo do Sebrae
Nacional, Dival Smith, o diretor da Associação Brasileira de
Franchising (ABF), João Batista da Silva Júnior, e o presidente
executivo da Abrasel, Paulo Solmucci Júnior.
Segundo
a gerente de alimentos da Anvisa, o Sistema Nacional de Vigilância
Sanitária, no conjunto de suas ações de controle na área de
alimentos, buscou investir no projeto de capacitação de recursos
humanos em Sistemas Modernos de Inspeção Sanitária. Este projeto
inclui cursos de Boas Práticas de Produção de Alimentos (GMP),
Procedimentos Padrão de Higiene Operacional (SSOP); Análise de
Perigos e Pontos Críticos de Controle (HACCP) e Auditoria e
Metodologia. “O conhecimento de novos instrumentos e metodologias de
inspeção e de processo pedagógico repassado aos técnicos dos serviços
de vigilância sanitária estaduais permitiu a sua multiplicação
para técnicos das vigilâncias municipais. Dessa forma, foi possível
aumentar a cobertura e agilizar as ações”, afirmou Denise Resende.
Ela
explicou que estas ações permitiram avaliar as práticas adotadas
pelos estabelecimentos produtores e prestadores de serviços da área
de alimentos e de alimentação e intervir nas situações de risco de
contaminações por perigos químicos, físicos ou biológicos, ou em
casos de riscos de possíveis agravos pelos alimentos colocados para
consumo.
Denise
ressaltou que este trabalho esbarra em desafios como a alta
rotatividade de profissionais nesta área e o baixo nível de
escolaridade. “Além disso, temos insuficiência de recursos humanos
no Sistema de Vigilância Sanitária para acompanhar e fiscalizar o
elevado número de estabelecimentos e profissionais na área de produção
de alimentos, e ausência de profissionais aptos a ministrar cursos.
Isto dificulta muito nosso trabalho”. Ela disse ainda que, no
Brasil, a maioria das empresas ainda se preocupa mais com o lucro em
detrimento da segurança dos alimentos. “Investir em segurança do
alimento não é barato e aqui, infelizmente, ainda se tem a cultura
de pensar muito mais no lucro dos negócios. É claro que isto não é
um pensamento geral, mas muitos ainda agem assim, por isso as
iniciativas de associações como a Abrasel no desenvolvimento de
programas de capacitação e treinamento são muito importantes para
auxiliar o nosso trabalho”.
O
coordenador do Sebrae, Dival Smith ressaltou também que outro desafio
é criar condições para que estas empresas, depois de orientadas
realmente tenham condições de aplicar os conhecimentos recebidos.
“É preciso que haja linhas de créditos específicas para que os
empresários consigam colocar em prática os processos de segurança
alimentar e fazer adequações necessárias em seus
empreendimentos”.
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