Edição 03/09/2008 – SAÚDE

 

Bares estão por toda parte, mas
segurança alimentar deve melhorar

"Este é o único setor presente em todos os municípios brasileiros", afirmou o presidente da Abrasel Nacional (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci Jr, durante a abertura do 20º Congresso da Abrasel, informou o site InfoMoney. Segundo ele, o país abriga hoje um milhão de bares e restaurantes, responsáveis pela geração de 6 milhões de empregos. Ele aproveitou a ocasião para lembrar das preocupações do setor com relação à Lei Seca, que proibiu o consumo de álcool por condutores de veículos em todo o território nacional.

Solmucci falou ainda sobre a alimentação fora do lar e sua importância na economia nacional. Um quarto de tudo que se consome em nosso setor diz respeito à alimentação fora de casa, garantiu, conforme publicou a Agência Sebrae. Quarenta por cento do PIB do turismo correspondem aos negócios gerados pelo setor de bares e restaurantes, que também é responsável por 65% dos empregos da cadeia produtiva do turismo.

Outro tema do encontro foi a segurança sanitária dos alimentos ofertados para consumo da população, um dos desafios da saúde pública. Embora no Brasil anualmente mais de seis mil pessoas morram e 500 mil sejam internadas devido a problemas causados por falta de segurança dos alimentos, representando um gasto de 15 bilhões de reais para o sistema de saúde do país, o poder público ainda não tem políticas voltadas especialmente para a capacitação em grande escala dos profissionais que atuam na área de produção e manipulação de alimentos.

O tema teve como debatedores a gerente geral de alimentos da Anvisa, Denise Resende, o coordenador do Programa de Turismo do Sebrae Nacional, Dival Smith, o diretor da Associação Brasileira de Franchising (ABF), João Batista da Silva Júnior, e o presidente executivo da Abrasel, Paulo Solmucci Júnior.

Segundo a gerente de alimentos da Anvisa, o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, no conjunto de suas ações de controle na área de alimentos, buscou investir no projeto de capacitação de recursos humanos em Sistemas Modernos de Inspeção Sanitária. Este projeto inclui cursos de Boas Práticas de Produção de Alimentos (GMP), Procedimentos Padrão de Higiene Operacional (SSOP); Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (HACCP) e Auditoria e Metodologia. “O conhecimento de novos instrumentos e metodologias de inspeção e de processo pedagógico repassado aos técnicos dos serviços de vigilância sanitária estaduais permitiu a sua multiplicação para técnicos das vigilâncias municipais. Dessa forma, foi possível aumentar a cobertura e agilizar as ações”, afirmou Denise Resende.

Ela explicou que estas ações permitiram avaliar as práticas adotadas pelos estabelecimentos produtores e prestadores de serviços da área de alimentos e de alimentação e intervir nas situações de risco de contaminações por perigos químicos, físicos ou biológicos, ou em casos de riscos de possíveis agravos pelos alimentos colocados para consumo.

Denise ressaltou que este trabalho esbarra em desafios como a alta rotatividade de profissionais nesta área e o baixo nível de escolaridade. “Além disso, temos insuficiência de recursos humanos no Sistema de Vigilância Sanitária para acompanhar e fiscalizar o elevado número de estabelecimentos e profissionais na área de produção de alimentos, e ausência de profissionais aptos a ministrar cursos. Isto dificulta muito nosso trabalho”. Ela disse ainda que, no Brasil, a maioria das empresas ainda se preocupa mais com o lucro em detrimento da segurança dos alimentos. “Investir em segurança do alimento não é barato e aqui, infelizmente, ainda se tem a cultura de pensar muito mais no lucro dos negócios. É claro que isto não é um pensamento geral, mas muitos ainda agem assim, por isso as iniciativas de associações como a Abrasel no desenvolvimento de programas de capacitação e treinamento são muito importantes para auxiliar o nosso trabalho”.

O coordenador do Sebrae, Dival Smith ressaltou também que outro desafio é criar condições para que estas empresas, depois de orientadas realmente tenham condições de aplicar os conhecimentos recebidos. “É preciso que haja linhas de créditos específicas para que os empresários consigam colocar em prática os processos de segurança alimentar e fazer adequações necessárias em seus empreendimentos”.