Edição 06/08/2008 – CIDADE

 

Atibaia é a 9ª cidade 
mais desenvolvida do Brasil




Os primeiros anos do século 21 foram de significativo avanço socioeconômico para o Brasil. No entanto, diferentemente do que ocorreu no passado, o foco principal do desenvolvimento agora está no interior, apontou a Agência Estado. O melhor para nós é que Atibaia está entre as 10 melhores cidades do país, segundo o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), elaborado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) para medir anualmente a eficiência de políticas públicas nos municípios.

Numa avaliação que vai de 0 a 1, o resultado do país subiu de 0,5954 em 2000 para 0,7129 em 2005. Um salto de quase 20%. A força da variação vem das pequenas cidades. Entre as 100 melhores do País, 82 têm menos de 300 mil habitantes. Apenas duas capitais aparecem na lista: Curitiba (PR) e Vitória (ES). Em 13 Estados, a evolução é maior no conjunto de cidades do que nas capitais. O interior de São Paulo concentra o maior índice de desenvolvimento. Atibaia está em 9º lugar, depois de Indaiatuba, São Caetano do Sul, Jaguariúna, Barueri, Santana do Parnaíba, Bauru, São José do Rio Preto e Araraquara.

Com mais variáveis do que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU), o indicador da Firjan deu origem a um ranking que impressiona pela liderança do interior na melhoria das condições de saúde, educação e renda. "O crescimento está vindo do interior, isso é um fato. Ao contrário do crescimento dos anos 70, que inchava as capitais, muitos Estados se desenvolveram mais do que suas capitais no início dessa década. Isso mostra a diversificação do desenvolvimento brasileiro, que é mais sustentável e não provoca a migração para as grandes cidades", avalia o economista Patrick Carvalho, chefe de Estudos Econômicos da Firjan, que coordenou o trabalho e foi ouvido pela Agência Estado. "Houve uma mudança de patamar. Tivemos um outro Brasil no intervalo de cinco anos", diz ele.

"Há muito tempo não tínhamos um salto assim num período tão curto. Os resultados refletem ações de efeito prolongado", prossegue o pesquisador. Ainda assim, o Estado de São Paulo emerge da lista como um oásis num Brasil que continua marcado por desequilíbrios. Das 100 melhores cidades do País, 87 são paulistas - e a capital não está entre elas.

O assunto foi tema do jornal Folha de S. Paulo na edição do último domingo, 3 de agosto. Segundo o texto, de Antônio Gois e Janaina Lage, um dos diferenciais das cidades de São Paulo foi o resultado em educação. Analisando apenas os dados de renda e emprego, o Estado tem 42 cidades entre as cem melhores. Em educação, no entanto, todas as 189 primeiras do ranking são paulistas.

A explicação para o bom desempenho paulista na educação é que, entre os dados utilizados pela Firjan no cálculo, estão o Ideb (indicador do MEC que avalia a qualidade da educação) e a taxa de distorção idade-série, que mede quantos alunos estão atrasados em relação à série que deveriam estar freqüentando pela idade. Como municípios pequenos de São Paulo vão bem no Ideb e muitos deles trabalham em sistema de ciclos, seus indicadores de repetência são melhores do que a média nacional.

Além da explicação do bom resultado em educação, a lista dos municípios de São Paulo entre os cem mais bem colocados inclui cidades que se tornaram pólos industriais, receberam empresas de tecnologia ou investiram no agronegócio. Na avaliação do presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do governo federal, Márcio Pochmann, ouvido pela Folha, o Estado passou por um processo de descentralização da atividade produtiva.

A Agência Anhangüera, em matéria de Vilma Gasques, também comemorou: a Região Metropolitana de Campinas (RMC) é um dos melhores lugares do Brasil para se viver e trabalhar, pelo estudo da Firjan. A RMC tem 0,852 no IDH, por causa da riqueza, alfabetização, educação, esperança média de vida, natalidade, entre outros fatores, como parque tecnológico, mão-de-obra altamente qualificada, amplo e moderno sistema de transportes, inovação em produtos e processos tecnológicos, importantes centros de ensino superior e o segundo maior aeroporto de cargas do País.

Nos últimos meses, a RMC já foi destaque em pesquisas que apontaram os municípios entre os que mais geram empregos no Brasil e que estão entre os melhores para o desenvolvimento de carreiras. Boas perspectivas profissionais, tranqüilidade e sistemas de saúde e educação são elogiados. Quem nasceu ou escolheu as cidades mais bem posicionadas para morar e trabalhar não pretende se aventurar em outro lugar. Qualidade de vida atrai e fixa gente de todo lugar.