Edição 06/08/2008 - EVENTOS
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João
Bosco faz show inesquecível
No palco, duas
cadeiras e um violão, além de três garrafas de água mineral. Este foi o
cenário da apresentação de João Bosco, um dos ícones da Música Popular
Brasileira, sábado, 2 de agosto, no Festival de Inverno de Atibaia. Nada,
absolutamente nada, poderia desviar a atenção do público da música de João
Bosco, o engenheiro que nos tempos da faculdade, no final da década de 1960,
em Ouro Preto, compôs “Bala Com Bala”, que na voz de Elis Regina, o lançou
para o cenário musical. Ao lado do parceiro Aldir Blanc, João Bosco compôs
sucessos que imortalizaram a voz de Elis Regina, como “Falso brilhante” e
“O bêbado e o equilibrista”. Vestido de tênis,
calça jeans e uma camisa, além da tradicional boina, característica do
cantor, João Bosco chegou ao palco de mansinho e tão logo se mostrou ao público,
recebeu demoradas palmas dos espectadores. Ele se curvou, agradeceu, e sentou
nos banquinhos “urubu”, como ele mesmo chama as confortáveis cadeiras de
tecido vermelho e madeira pintada em preto, uma referência ao Flamengo, clube
do coração. O futebol,
inclusive, está no repertório de várias músicas de João Bosco, como pano
de fundo de sambas que contam com primazia a cultura popular, as manias e o
cotidiano de cada brasileiro. A primeira do show de Atibaia, “De frente pro
crime”, é uma delas. “Boca de Sapo” é outra. A música conta a história
da esposa traída que decide vingar o marido. Ela coloca o resto do angu na
boca do animal e depois costura. O marido e o sapo definham. Ele implora para
ela desistir, mas o refrão da música diz claramente a opinião da esposa:
“marido infiel vai levar rasteira”. Antes da cantar “Boca de Sapo”, João
Bosco avisou: “Vocês podem tentar, mas tenham cuidado”, brincou. Durante o show,
João Bosco revelou que não planeja as apresentações. Ele diz que uma música
puxa a outra e, por isso, depois de cantar “Boca de Sapo”, lembrou do
amigo Tom Jobim e do clássico “Águas de Março”. “Tom tinha uma chácara
no interior do Rio de Janeiro. Ele diz que muitos sapos pulavam na frente do
carro. Talvez por isso eles insistem em pular na música também”, diz.
Neste gancho, ele tocou “Rã” e “Águas de Março”. “É tudo do
mesmo ambiente, do mesmo lamaçal”, comentou. João Bosco não
se limita a apenas tocar. Ele interage com o público. Busca aproximá-lo da
apresentação. Torná-lo presente, participativo. Foram várias histórias e
comentários. Um show descontraído. Em uma das falas, o cantor mostrou-se
surpreso com o público de Atibaia e agradeceu a receptividade. “Não paguei
absolutamente nada em Atibaia. Não me deixaram pagar uma conta”, disse. O cantor tocou
sucessos como “Nação”, “Incompatibilidade de Gênios”, “Corsário”,
“Escadas da Penha”. O melhor ficou para o final. Ele surpreendeu quando
cantou “O bêbado e o equilibrista”, acompanhado pelo público em um coral
em perfeita harmonia. Coube a João Bosco apenas conduzir as vozes. Conduzir
os sentimentos e sensações. Apenas. Depois, ameaçou terminar o show. Saiu e
logo voltou. Vieram “Quando o Amor Acontece” e “Papel Machê”. Delírio
do público. Sensação de que realmente não faltou nada. Show completo. Ao final, os
espectadores puderam ouvir e sentir um pouquinho do que marcou a MBP em um
passado não muito distante. Satisfação dos espectadores e do próprio músico,
que depois da apresentação, não cansou de elogiar Atibaia. |