Edição 07/10/2008 – POLÍTICA

 

 

Atibaia foi às urnas e elegeu o
 Dr. Denig
para prefeito de Atibaia

 


  

Com 89.144 eleitores no total e 65.787 votos válidos, Atibaia foi às urnas no último domingo e elegeu o Dr. Denig, vereador em terceiro mandato, como o prefeito para o período 2009/2012. A posse será em 1º de janeiro. Após dois mandatos consecutivos, o prefeito Beto Trícoli fez o seu sucessor e tornou-se ainda mais forte como possível candidato a deputado em 2010.

Denig venceu com 45% dos votos válidos ou 28.856 votos. Em segundo lugar, chegou Sérgio Mantovaninni, com 41% dos votos válidos ou 26.458 votos. Em terceiro, ficou Tiãozinho da Farmácia, com 12% dos votos válidos ou 8.042 votos. Os votos nulos foram 5.941 (8%); os brancos 4.352 (5%); e a abstenção (eleitores que não compareceram às urnas) chegou a 17% ou 15.495.

Na segunda-feira de manhã, o prefeito eleito José Bernardo Denig, com a esposa Rita, foram até Aparecida do Norte, agradecer a Deus pela vitória. À noite, durante a sessão, Denig, vice-presidente da Câmara, falaria já como vencedor. O prefeito eleito comemorou a vitória com seu famoso "Urra".

Foi uma vitória de "virada", para usar a terminologia do futebol. Na última semana, as pesquisas indicavam um empate. Como a campanha de Sérgio explorou bastante a ausência de Denig no debate da televisão e da rádio, o sentimento nos últimos dias era de preocupação. "Viramos o jogo no final", comemorou Luís Tolosa, chefe de gabinete do presidente da Câmara, Luiz Fernando Pugliesi, e coordenador da campanha de Denig. 

Entre os 153 candidatos a vereador, o mais votado foi o professor Wanderley Silva de Souza (PDT), com 3.267 votos. É a maior votação da história. Wanderley, 30 anos, teve uma ascensão política rápida nos últimos anos, a partir de sua eleição para o Conselho Tutelar. Ele também foi escolhido para presidir a APAE de Atibaia e, como professor de educação física, fez um trabalho reconhecido na cidade.

Na seqüência, com base no quociente eleitoral de 5.980, venceram Emil Ono (PTB), que substituiu o pai, Takao (recentemente falecido), com 1.748 votos; Dedel (PV), com 1.539; Baixinho Barbeiro (PP), 1.266; Professora Gina (PDT), 1.164; Dr. Ubiratan (PV), 1.140; Toninho da Coap (PMDB), 980; Saulo do Gás (PP), 927; Dr. Jose Paulo (PSL), 796; Oswaldo Mendes (DEM), 739; e Pedro Maturana (PMDB), 674. Estes são os vereadores da próxima legislatura. A situação (grupo de apoio a Beto) ficou com seis vereadores. A oposição conquistou cinco cadeiras.

Com isso, a Câmara terá uma composição bastante renovada e equilibrada entre favoráveis e contrários à atual administração. Dos atuais 11 vereadores, três estavam fora antes da campanha: Pugliesi não aceitou ser o candidato da situação; Dentinho foi ser chefe de gabinete; e Denig saiu como candidato a prefeito. Dos oito restantes (Gerage substituiu Takao como suplente), apenas três continuaram: Dedel, Gina (provável presidente da Câmara em 2009) e Oswaldo (vencedor pela sexta vez consecutiva, o que consolidará 24 anos de vida política até 2012).

As três pesquisas publicadas pelo jornal O Atibaiense anteciparam desde o início as tendências da eleição: Denig com pequena vantagem sobre Sérgio e Tiãozinho bem atrás. As urnas confirmaram as pesquisas. 

 


 

Justiça e urnas confirmaram 
a credibilidade das pesquisas

 

 

As pesquisas eleitorais realizadas por grandes institutos e divulgadas por grandes veículos de comunicação servem de base para coligações, candidatos e para a população. É só ver o exemplo da cidade de São Paulo: dificilmente alguém questiona a credibilidade da pesquisa realizada sobre a colocação dos candidatos à prefeitura da capital. Pelo contrário, políticos, analistas políticos, formadores de opinião e eleitores baseiam-se nos dados das pesquisas para comentar o desempenho de cada candidato durante a campanha. Em Atibaia, no entanto, ocorreu o contrário.

Único jornal da cidade a divulgar pesquisas eleitorais este ano, O Atibaiense foi questionado sobre a credibilidade de seu trabalho, assim como a empresa contratada pela Bassemp – Empreendimentos e Participações Ltda. (editora do jornal O Atibaiense), a Brasmarket Análise e Investigação de Mercado S.C. Ltda. Quando as duas primeiras pesquisas foram publicadas (em 02 e 30 de agosto), houve alguns comentários, mas como os três candidatos a prefeito estavam tecnicamente empatados, as referências foram mais amenas. Já ao publicar a terceira pesquisa encomendada, na edição de 20 de setembro, colocou-se à prova a idoneidade e credibilidade deste veículo, assim como da empresa contratada.

Como o candidato (da coligação “Atibaia Cada Vez Melhor”) Dr. Denig aparecia à frente dos outros, a pesquisa do jornal passou a ser duramente questionada.

As coligações “Atibaia do Povo” e “Atibaia levada a Sério” entraram com processos de impugnação da pesquisa, pedindo, inclusive, liminar que impedisse a divulgação da mesma e até mesmo a apreensão do jornal nas bancas.

No último dia 30 de setembro foi confirmada a credibilidade e seriedade tanto deste jornal como da empresa que realizou a pesquisa, assim como os critérios corretamente empregados. O Juiz Eleitoral Marcos Cosme Porto negou o pedido de liminar para impedir a divulgação da pesquisa e também o pedido de busca e apreensão dos exemplares. O juiz também não constatou nenhuma irregularidade na realização e publicação da pesquisa.

Portanto, a pesquisa realizada foi válida e refletiu a intenção de voto do eleitorado local. Vale lembrar que nas eleições de 2004 para prefeito, o jornal O Atibaiense também publicou uma pesquisa que trouxe resultado praticamente igual ao verificado nas urnas, mostrando que foi feita com critério, assim como foi feito este ano. Com os resultados do último domingo, 5 de outubro, mais uma vez essa seriedade foi confirmada, já que as tendências antecipadas nas pesquisas se concretizaram nas urnas.

 


 

Íntegra dos vistos do Juiz Eleitoral

 

   

VISTOS

 

Procs. 303/08 e 306/08

Impugnação de Pesquisa Eleitoral

Impugnantes: Coligação Atibaia do Povo e Coligação Atibaia levada a Sério

Impugnados: Brasmarket Análise e Investigação de Mercado S.C. Ltda. e Bassemp – Empreendimentos e Participações Ltda.

 

As impugnações sustentam que o registro da pesquisa foi intempestivo e que apresenta irregularidades.

O juízo negou pedido de liminar para impedir a divulgação da pesquisa e em seguida, negou pedido de busca e apreensão do veículo que a divulgou.

As representadas apresentaram defesa e o Ministério Público manifestou-se pela improcedência.

Sobre a intempestividade o juízo já registrou:

“O Cartório recebeu a petição no dia 16 de setembro, mas ela foi protocolizada no dia 15, fato contra o qual não há argumentos legítimos ou idôneos.

O prazo previsto no art. 1º, da Resolução 22.623, do TSE, foi cumprido, na medida em que a pesquisa foi divulgada na edição do dia 20 do Jornal impugnado”.

Quanto às irregularidades:

- plano amostral e ponderação quanto a sexo, idade, grau de instrução e nível econômico do entrevistado... (art. 1º, IV, Res. 22.623, do TSE).

Todas as informações necessárias constam no registro (fls. 3/6) e foram detalhadas a fls. 76/101.

O estigma que as representantes querem fazer pesar sobre a empresa que realizou a pesquisa é medida descabida, não só porque nada significam as impugnações contra outros trabalhos, mas também porque é natural, sobretudo nesse nosso Brasil, em que o candidato descontente invariavelmente toma esse tipo de providência.

Além disso, as decisões contra a empresa representada partiram de elementos distintos, não discutidos nesses autos.

O trabalho foi regular, bem como foi regular o registro da pesquisa.

Nos termos da r. cota do Ministério Público, julgo improcedentes as impugnações.

Remeta-se cópia dessa decisão para os autos em apenso.

Arquivem-se.

P.R.I.

 

Atibaia, 30 de setembro de 2008

 

 

Marcos Cosme Porto

Juiz Eleitoral

 


 

Denig votou sob a inspiração
 de São Benedito

  

   

O domingo, dia de votação, amanheceu fechado, chuvoso, um pouco frio. Calçadas e ruas, preservadas até o final da campanha, estavam sujas, coalhadas de propaganda eleitoral. No Major, já havia movimento às 7h30 – muitos carros e gente chegando. No José Alvim, uma fila já serpenteava na direção da rua. No bairro da Ponte, começavam os preparativos para a missa das 8h, na Paróquia de São Benedito, que fica na alameda Padre Armando Tamassia.

O candidato José Bernardo Denig, o Dr. Denig, estava na porta, de camisa amarela, ao lado da esposa Rita e do assessor Luís Tolosa. Começava mais um dia, o último, no roteiro da caminhada eleitoral, iniciada em julho. O sono era afastado pela esperança e expectativa.

Vitório, vestido numa camiseta com a propaganda manuscrita de Paulo de Jesus, chegou com a mãe, que confessou no ouvido de Denig que era sua eleitora. O candidato agradeceu. Na igreja, era pequeno o número de devotos e praticantes, mas o calor humano e espiritual parecia amplo, refletido nos vitrais de São Benedito e Nossa Senhora.

Denig e Rita sentaram-se na segunda fileira, lado esquerdo do padre Rafael, o jovem celebrante do dia. O professor Ricardo dos Santos Antonio, ao lado da esposa Bete e da filha Gabriela, ficaram mais atrás. Em outra fileira, estava o vereador Cebolinha. Todos atentos, contritos, expectantes, acompanhando num telão as letras das canções interpretadas por um conjunto de música sertaneja. 

Sucinta e leve, essa primeira missa trouxe a lição de São Benedito: “Ó Glorioso São Benedito. Dai-nos a vossa proteção para sermos instrumentos de evangelização. Levando a todos a mensagem que Jesus nos confiou. Que por vossa intercessão sejamos fiéis ao Evangelho na transformação da sociedade, na fração do pão e no perdão de nossos pecados”.

A colunista social Ercília Bacci, a Lila, entusiasta com as obras da paróquia, aproximou-se dos líderes espirituais da comunidade e os apresentou a amigos, novos visitantes. A jornalista Viviane Cocco, assessora do candidato, também estava ali para registrar a missa e o voto do Dr. Denig.

Na saída da Igreja, mais cumprimentos e Denig fez a troca da camisa amarela pela camiseta verde, com o número 43. O professor Ricardo não resistiu e foi comer o pastel vendido a 50 centavos numa barraca ao lado, em prol das obras da igreja. Afinal de contas, o templo ainda está com chão sem piso, no concreto rústico e duro, embora caloroso. Precisa de doações para sua conclusão.

As 9h já passavam quando o grupo se dirigiu a pé, sem chuva, para a Escola Gabriel da Silva, ali perto. Denig recebeu um telefonema que informava a chegada de uma equipe de reportagem de televisão. “Vamos aguardar um pouco”, pediu ao grupo. O prefeito Beto Trícoli desceu logo depois de uma caminhonete: “Pensei em acompanhar a missa, mas meu pai não estava muito bem e fiquei com ele”.

Para Beto, o mal-estar causado pelo estardalhaço em torno do debate, principalmente da ausência de Denig, aspecto bastante explorado pela campanha de Sérgio Mantovaninni, tinha sido contornado. Ao celular, ele recebia informações sobre o movimento em outras escolas e até mesmo sobre o deslocamento dos adversários. Comentava também a enxurrada de panfletos, lavada e colada pela chuva. E elogiava o folheto que destaca Denig como do grupo do bem.

Chegada a equipe da televisão, o Dr. Denig entrou na escola, acompanhado por comitiva. Subiu um lance de escadas e descobriu que sua seção, a 62ª, estava logo ali, numa sala à esquerda. Ele entrou na fila e ficou conversando com os circunstantes. Logo, chegou o presidente da Associação Comercial, Edgard Ferreira Fagundes, para votar, acompanhado da esposa Ismênia, responsável pelas ordens e limites para o paciente. Recuperado de uma cirurgia cardíaca, Edgard disse que se sentia com um coração mais jovem e entrou pelo corredor para votar.

O candidato Denig votou às 10h. Ele cumprimentou os mesários e se dirigiu, sorridente e feliz, para a cabine de votação, acompanhado de perto pela imprensa. Fotos e flashes! Estava cumprida ali a primeira parte da agenda do candidato. Agora, era percorrer as outras escolas e, no final do dia, aguardar os tão sonhados resultados. Lá fora, o céu voltou a escurecer e novos pingos de chuva iriam cair.  

 

 


 

Câmara terá nova face a partir 
de janeiro

 


Prof. Wanderley, o mais votado

 

O segredo do mandato vencedor é trabalhar os quatro anos sem interrupção. Foi o que fizeram Oswaldo Mendes, Profª Gina e Dedel. Eles simplesmente não pararam. Pelo contrário, chegaram a incomodar os colegas vereadores e militantes. Principalmente Dedel, que entrou no lugar de Tiãozinho da Farmácia em 2004 e foi bastante criticado ao longo do mandato dentro e fora de seu partido, o PV.

O perfil de vencedor mistura força de vontade, capacidade de articulação e popularidade. Não precisa falar bem. De preferência, é recomendável ter bom relacionamento com a imprensa e aparecer para determinados segmentos da sociedade.

Dos que passaram pela Câmara no atual mandato, ganharam votos Marcílio, Binatti e Dedel. Perderam voto Gina, Cebolinha, Patara, Gerage, Oswaldo e Beleza. O artista e professor Beleza pode voltar à Câmara se o Dr. Ubiratan, eleito para o próximo mandato, for indicado para secretário de Saúde.

O PV, o maior partido da cidade, fez apenas dois vereadores; o PDT, também dois; o PP, dois; o PMDB, dois. Os demais fizeram um: PTB, PSL e DEM. Novamente, o PT confirmou seu baixo desempenho nas urnas em Atibaia. Não fez nenhum vereador. E o PSB, de Dentinho, também ficou fora.

O aspecto assistencialista da Câmara será mantido pelo perfil dos antigos e dos novos vereadores. Pedro Maturana, ex-vereador e ex-prefeito, o "homem da balinha", voltará a ocupar uma cadeira no Legislativo.

 


 

Chuva, panfletos espalhados pelas
 ruas e eleitores tranqüilos

 

   

Assim pode ser resumido o domingo de eleições em Atibaia. A chuva deu trégua em alguns momentos, mas marcou presença praticamente o dia todo. Mesmo assim, a movimentação de eleitores foi grande. O TSE registrou 17% de abstenções, correspondente a 15.495 eleitores.

Mais uma vez, o que chamou a atenção foram os milhares de panfletos espalhados pelas ruas, principalmente em frente aos pontos de votação. Com a chuva, boa parte já caiu nos bueiros mas outra parte ainda sujava as ruas na segunda-feira, também chuvosa. A prática é considerada uma falta de respeito com a cidade e não surte muito efeito. Poucos eleitores olham para o panfleto que está na rua para escolher o candidato.

Também houve abordagem de eleitores, mas de forma bastante sutil, já que é proibido fazer boca-de-urna.

Durante a votação, a Secretaria Municipal de Saúde aproveitou para vacinar contra a rubéola. Aqueles que ainda não haviam sido vacinados podiam aproveitar a presença no local e já se vacinar.