Edição 08/11/2008 – SAÚDE
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Medida
do governo amplia serviços
O Ministério da Saúde vai
colocar em prática, ainda este ano, as diretrizes do Decreto nº
5.895, de agosto de 2006, que aperfeiçoa a concessão do Certificado
de Filantropia a hospitais privados. A norma trará ganhos de
qualidade ao Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que os hospitais
poderão prestar atividades de apoio à qualificação da rede pública,
como consultorias e pesquisas, e ficam proibidos de reduzir o volume
dos serviços prestados aos usuários do sistema público. Uma das novidades do decreto
é a criação de um vínculo do SUS com os hospitais privados que, em
troca de imunidade tributária, hoje destinam 20% de suas receitas ao
atendimento gratuito. Atualmente, esse atendimento não é regulado
pelo sistema público, o que permite, por exemplo, que os pacientes
sejam definidos segundo critérios das próprias instituições,
contrariando o princípio de universalidade e eqüidade do SUS. Com as mudanças, esses
hospitais passarão a ter vínculo com o SUS por meio de convênio com
o Ministério da Saúde para a prestação de serviços de apoio como,
por exemplo, estudos de avaliação e incorporação de tecnologias;
capacitação de recursos humanos; pesquisas de interesse público; e
desenvolvimento de técnicas e operação de gestão em serviços de
saúde. Ao mesmo tempo, eles terão de prestar atendimento aos
pacientes encaminhados pelas redes municipais e estaduais de Saúde.
Ou seja, o atendimento passa a ser referenciado e destinado a todos os
cidadãos. Com a nova norma, que será
efetivada ainda este ano, o Ministério da Saúde passará a receber a
prestação de contas das referidas instituições. É um importante
avanço, uma vez que, hoje, a fiscalização é feita apenas de forma
contábil pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). A
partir das mudanças previstas, as duas instâncias trabalharão em
parceria no monitoramento das atividades filantrópicas. Com relação aos hospitais
que destinam 60% de seus serviços aos usuários do SUS, o decreto
prevê que eles também podem optar pela prestação de apoio à
qualificação do sistema. No entanto, não poderão reduzir o
percentual de atendimento aos pacientes. “O objetivo dessas medidas
é dar ao SUS maior qualificação e mais transparência em relação
às atividades prestadas pelos hospitais filantrópicos”, esclarece
o diretor do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da
Saúde, Alberto Beltrame. Santa
Casa cumpre papel essencial
Durante a semana passada, a
Santa Casa de Atibaia vivenciou toda a complexidade da ação de
equipes responsáveis por operações de transplantes. Na
quarta-feira, dia 29 de outubro, a paciente LBS, de 40 anos, deu
entrada no hospital com diagnóstico de AVC (Acidente Vascular
Cerebral). Tecnicamente, ela sofreu um derrame hemisférico, que afeta
metade do cérebro. O estado da mulher era bastante delicado e, apesar
do corpo clínico ter trabalhado intensamente, inclusive reanimado-a
após uma parada cardíaca, exames preliminares (como testes de
reflexo, de fala e procedimentos neurológicos gerais), já na
quinta-feira, apontavam morte cerebral. Na sexta, para confirmar o
quadro, LBS foi enviada ao Hospital da USF (Universidade São
Francisco) na cidade de Bragança Paulista, onde foi realizado um
exame de angiografia cerebral, que decretou oficialmente a morte encefálica.
O transporte foi realizado por uma ambulância da Prefeitura e contou
com a presença de uma equipe de enfermagem da Santa Casa. No mesmo
dia, a paciente foi trazida de volta à Atibaia. Começou, então, a
preparação para a captação dos órgãos. Os quatro filhos de LBS
foram unânimes com relação à iniciativa. Um deles, de apenas 11
anos, mostrou-se extremamente solidário e foi um dos que mais
incentivou a doação. Demais parentes, como o marido e os irmãos,
também concordaram. Estava dado o passo que faltava para a convocação
das equipes especializadas. Com a definição, cabia aos
profissionais de saúde da Santa Casa manter o organismo da paciente
em perfeito funcionamento. Era preciso realizar algo que os termos da
medicina denominam de “manutenção vital”. “Os órgãos têm
que estar 100%. Tivemos que fazer ventilação mecânica, manter a
pressão arterial num nível adequado, entre outros itens exigidos
para o bom funcionamento do organismo dela”, comenta o Dr. Flavius
Miori, diretor clínico do hospital. Nas mais de 24 horas que se
seguiram, o trabalho deu bons resultados. No sábado, as equipes de
captação de órgãos começaram a chegar a Atibaia. A primeira veio
da Unicamp (Universidade de Campinas) e fez a retirada do fígado e
dos dois rins da paciente. A segunda, que retirou o coração, e a
terceira, que extraiu as duas córneas, vieram do Hospital das Clínicas,
de São Paulo. A Santa Casa forneceu todo o material instrumental para
a complementação das intervenções cirúrgicas, que duraram,
aproximadamente, até as 23h de sábado, dia 1 de novembro. Além
disso, o anestesista e a enfermagem do hospital participaram da captação.
A secretária de Saúde da
Prefeitura, Regina Lara, ressalta a importância da atuação da
equipe nessa situação: “a Santa Casa demonstrou capacidade para
atender um procedimento complexo. Os profissionais foram competentes e
a estrutura do hospital funcionou bem”, diz. Dessa maneira, o hospital
colaborou para que cidadãos brasileiros tenham possibilidades de
resolver graves enfermidades, bem como para salvar vidas. Seis
pessoas, considerados os critérios de compatibilidade para o
transplante – tipo sanguíneo e tamanho dos órgãos, por exemplo
– seriam beneficiadas pela doação. Um paciente receberia o coração,
os rins seriam doados para mais dois, outro teria um novo fígado e as
córneas atenderiam a mais dois transplantados. Os nomes dos beneficiados
estão num cadastro nacional e podem ser de qualquer estado do Brasil.
Por critérios éticos, pertinentes à legislação que rege a questão
dos transplantes, os nomes da doadora e dos possíveis receptores dos
órgãos são mantidos em sigilo. |