Edição 09/08/2008 –
POLÍTICA
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Pesquisa eleitoral tem função didática
A
regra é a seguinte: quanto mais básicas as necessidades do eleitor, mais
pragmático é o seu voto. A conclusão é dos pesquisadores que estudam a
cabeça desse cidadão médio, obrigado a cumprir a função cívica em
períodos regulares. Outro fator importante é o grau de lembrança que o
candidato consegue suscitar no eleitor – aquilo que os especialistas
chamam de "recall". Ou seja, quanto mais um político disputa
eleições para um mesmo cargo, mais conhecido se torna. Segundo
Anderson Schneider, os analistas entendem que conseguir mais votos dentro
do grupo de eleitores que já conhece o candidato é mais fácil e mais rápido
para ele do que se tornar conhecido. A maneira como o político faz uso do
seu currículo é também um elemento para a conquista do voto. "É
preciso captar o que o eleitor quer, e tanto melhor para o candidato se a
realização desse desejo estiver relacionada a uma capacidade que o político
já demonstrou ter", afirma o cientista político Rubens Figueiredo. O
potencial de crescimento eleitoral, segundo o livro A Cabeça do Eleitor,
é igualmente fator de peso para definir o destino de um candidato. Não
raro, ele é prejudicado quando o candidato é muito conhecido, já que,
nesse caso, ele tende a ter também uma alta taxa de rejeição. Rogério
Jordão escreveu que nunca o eleitor teve tanto acesso às informações
contidas nas pesquisas eleitorais, recurso hoje indispensável pelos políticos.
Será que ficou mais fácil entender o jogo de uma campanha? - pergunta o
articulista. "Quando um candidato recebe os resultados de uma
pesquisa eleitoral, ele sua frio. Melhor do que ninguém, ele sabe que
aquela é a hora da verdade. Mais do que qualquer opinião ou intuição,
os números frios divulgados indicam o que de fato vai pela mente e coração
do eleitor. Com técnicas apuradas, científicas, as pesquisas são
capazes de mostrar como a população enxerga o candidato, quais os seus
defeitos, os seus pontos fortes, as suas vulnerabilidades. As dele e também
- é bom que se diga - as dos adversários. Pesquisas orientam campanhas,
mudam seus rumos, reforçam estratégias políticas, assim como podem jogá-las
por terra". Segundo
Jordão, no passado pesquisas chegaram a ser impugnadas por partidos políticos,
após serem consideradas "tendenciosas". Desde o início da década
de 1990, porém, o risco de isso ocorrer é bem menor, já que os partidos
políticos, candidatos, empresas ou instituições que queiram divulgar
uma pesquisa, passaram a ser obrigados a registrá-la no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), onde ficam ao dispor de qualquer interessado. A fiscalização
é intensa. Ainda
conforme o mesmo autor, "a atual norma do TSE gerou uma democratização
das informações contidas nesses levantamentos. "Os políticos
sempre as utilizaram. A diferença é que agora o eleitor também tem
acesso a estas informações", resumiu a socióloga paulistana Fátima
Pacheco Jordão, especialista em pesquisas eleitorais. 'Muita
gente se pergunta, por outro lado, se essa verdadeira avalanche de
pesquisas não influencia a opção de voto do eleitor - que tenderia a
escolher quem vai ganhar ou desistiria daquele que ficou para trás. O
estatístico e cientista político da Universidade Federal Fluminense
(UFF), Alberto Carlos Almeida, abordou o tema sem chegar a resultados
definitivos em seu livro "Como são feitas as pesquisas eleitorais de
opinião" (editora da FGV). Também não há base científica para
afirmar se há ou não influência sobre o eleitor (um exame desse tipo
ainda está para ser feito no Brasil). Ele cita, porém, estudos de três
eleições na Inglaterra, em 1979, 1983 e 1987. A
educadora Marilse Araújo, assessora da ongAção Educativa, acredita que
a grande contribuição da pesquisa eleitoral na formação de um eleitor
mais consciente está no fato de elas suscitarem debates. "Os
resultados podem ser um estopim para uma discussão. Por exemplo, deve-se
questionar por que determinado candidato aparece agora na frente de
outro", apontou Marilse, que é coordenadora nacional do projeto
Nossa Escola Pesquisa sua Opinião, do Instituto Paulo Montenegro, que
promove o uso da pesquisa de opinião como recurso didático.
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