Edição 09/08/2008 – SAÚDE

 

Dependência pode atingir 40% dos
que consomem bebida alcoólica

Quarenta por cento das pessoas que consomem bebidas alcoólicas podem ter algum tipo de dependência, mesmo sem saber ou admitir. É o que aponta levantamento da Secretaria de Estado da Saúde, por intermédio do Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), órgão da pasta, realizado na cidade de São Paulo ao longo de 2007.

Os dados foram coletados em ações para orientação e prevenção ao uso de substâncias psicoativas realizadas em locais de grande circulação de São Paulo, Capital. Profissionais do Cratod aplicaram o teste Assist (Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening), de padrão internacional, que permite verificar se a pessoa precisa de algum tipo de orientação ou encaminhamento em relação ao consumo de álcool, cigarro ou drogas ilícitas.

Das 250 pessoas que disseram já ter feito uso de bebidas alcoólicas, 100 foram avaliadas como dependentes em potencial, das quais 47 receberam orientações gerais sobre os riscos do consumo excessivo de álcool e 53 foram encaminhadas para serviços gratuitos de tratamento a alcoólatras.

Dos que já haviam experimentado cigarro ou derivados de tabaco, também ouvidos na pesquisa, 50,6% foram considerados como potenciais dependentes. E 30,7% dos que usaram cocaína ou crack tiveram a mesma avaliação. A proporção de dependentes para maconha foi de 22,5%, e de 9% para anfetaminas ou ectsasy.

O levantamento ainda apontou que 27,2% dos que consumiram bebida alcoólica já tentaram alguma vez diminuir o uso e não conseguiram. Já para 29,2% o consumo de álcool já resultou em algum problema de saúde, social, legal ou financeiro. E 34,4% informaram que parentes ou amigos já se mostraram preocupados com o uso de bebidas pelos entrevistados.

“A bebida alcoólica é socialmente mais aceita, mas não deixa de ser perigosa. A cerveja da happy-hour todos os dias, a pinga adocicada nas baladas e o uísque nos finais de semana podem trazer sérios prejuízos à saúde, além de aumentar o risco de acidentes”, afirma a diretora do Cratod, Luizemir Lago.

Desde a implantação da lei seca, que pune com multas pesadas e até detenção quem dirigir após ingerir bebidas alcoólicas, o atendimento a vítimas de acidentes de trânsito caiu 55% na cidade de São Paulo. É o que aponta levantamento da Secretaria de Estado da Saúde com base em dados dos três principais hospitais estaduais referência em trauma.

No primeiro final de semana de vigência da nova legislação, penúltimo do mês de junho, esses hospitais realizaram 114 atendimentos a vítimas de acidentes, contra 51 registrados nos dias 4, 5 e 6 de julho. No fim de semana dos dias 27 a 29, foram 92 atendimentos.

“Os motoristas começam a respeitar cada vez mais a nova lei, e a conseqüência é a diminuição dos atendimentos nos hospitais. Os dados indicam que de fato a ingestão de álcool era fator preponderante para os acidentes de trânsito, principalmente os ocorridos nos finais de semana”, afirma o secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata.