Edição 11/10/2008 – POLÍTICA

 

 

Denig, prefeito eleito, diz que 
não quer governar sozinh
o


 

   

Com 89.144 eleitores cadastrados, Atibaia foi às urnas no último domingo e elegeu o Dr. Denig, vereador em terceiro mandato (12 anos de Câmara), como o prefeito para o período 2009/2012. A posse será em 1º de janeiro. Denig venceu com 45% dos votos válidos ou 28.856 votos. Superou seu adversário em menos de 3.000 votos. O prefeito Beto Trícoli, que completa em dezembro seu segundo mandato e conseguiu fazer seu sucessor, saiu da contenda eleitoral como candidatíssimo a deputado em 2010.

Com isso, o governo do grupo de Trícoli foi esticado para 12 anos. Nos bastidores, comenta-se que o objetivo é levar esse domínio para, pelo menos, duas décadas. Mas a oposição já se movimenta para relativizar a vitória de agora e se preparar para ser um bom obstáculo às pretensões do grupo no poder, tanto em 2010 quanto em 2012 (novas eleições municipais).

Em segundo lugar, após a contagem dos votos em 5 de outubro, chegou Sérgio Mantovaninni, com 41% dos votos válidos ou 26.458 votos. Em terceiro, ficou Tiãozinho da Farmácia, com 12% dos votos válidos ou 8.042 votos. Os votos nulos foram 5.941 (8%); os brancos 4.352 (5%); e a abstenção (eleitores que não compareceram às urnas) chegou a 17% ou 15.495.

Na segunda-feira de manhã, o prefeito eleito José Bernardo Denig, com a esposa Rita, foram até Aparecida, agradecer a Deus pela vitória. À noite, durante a sessão ordinária, Denig, vice-presidente da Câmara, falou como vencedor. Seu discurso se pautou pelo agradecimento aos companheiros de campanha e de ressentimento contra o que chamou de "jogo baixo", praticado pela oposição. "Não quero governar sozinho e conto com a ajuda de todos vocês", disse Denig.

Foi uma vitória de "virada", para usar a terminologia do futebol. Na última semana, as pesquisas indicavam um empate. Como a campanha de Sérgio explorou bastante a ausência de Denig no debate da televisão e da rádio, o sentimento nos últimos dias era de preocupação dentro do grupo situacionista.

Agora, Denig deverá cuidar de montar seu secretariado. Pelas primeiras informações, ele deverá manter, em boa parte, a equipe que vem trabalhando com o prefeito Beto Trícoli, em áreas como a Educação e a Secretaria de Finanças. A Secretaria de Saúde deverá ser o maior campo de novas experiências, com mudança de nomes e orientações.

 


 

Câmara teve um campeão de votos

 


Gina  e Wanderley 

  

 

Entre os 153 candidatos a vereador, o mais votado foi o professor Wanderley Silva de Souza (PDT), com 3.267 votos. É a maior votação da história. Wanderley, campeão de votos aos 30 anos, teve uma ascensão política rápida nos últimos anos, a partir de sua eleição para o Conselho Tutelar. Ele também foi escolhido para presidir a APAE de Atibaia e, como professor de educação física, fez um trabalho reconhecido na cidade.

Na seqüência, venceram Emil Ono (PTB), que substituiu o pai, Takao (recentemente falecido), com 1.748 votos; Dedel (PV), com 1.539; Baixinho Barbeiro (PP), 1.266; Professora Gina (PDT), 1.164; Dr. Ubiratan (PV), 1.140; Toninho da Coap (PMDB), 980; Saulo do Gás (PP), 927; Dr. Jose Paulo (PSL), 796; Oswaldo Mendes (DEM), 739; e Pedro Maturana (PMDB), 674. Estes são os vereadores da próxima legislatura. A situação (grupo de apoio a Beto) ficou com seis vereadores. A oposição conquistou cinco cadeiras.

Com isso, a Câmara terá uma composição bastante renovada e equilibrada entre favoráveis e contrários à atual administração. Dos atuais 11 vereadores, três estavam fora antes da campanha: Pugliesi não aceitou ser o candidato da situação; Dentinho foi ser chefe de gabinete; e Denig saiu como candidato a prefeito. Dos oito restantes (Gerage substituiu Takao como suplente), apenas três continuaram: Dedel, Gina (provável presidente da Câmara em 2009) e Oswaldo (vencedor pela sexta vez consecutiva, o que consolidará 24 anos de vida política até 2012).

As três pesquisas publicadas pelo jornal O Atibaiense anteciparam desde o início as tendências da eleição: Denig com leve vantagem sobre Sérgio e Tiãozinho bem atrás. As urnas confirmaram as pesquisas e rechaçaram dúvidas que foram levantadas na cidade ao longo da campanha.

 


 

Quero continuar trabalhando 
por Atibaia”


 

    

O jornal O Atibaiense esteve esta semana com o prefeito Beto Tricoli, conversando sobre o seu futuro político e, principalmente, sobre a eleição de Dr. Denig – seu sucessor – para a Prefeitura. Confira os principais pontos da entrevista.

 

O Atibaiense – A eleição de Dr. Denig foi apertada, com uma diferença de quase 2400 votos. Como você avaliou a vitória?

Beto Tricoli – Essa eleição realmente dividiu os eleitores e foi, com certeza, mais um grande exercício de democracia. Acredito que a população soube reconhecer o perfil de Dr. Denig como o melhor para a cidade. Ele sempre trabalhou com muita dedicação aos seus pacientes. Como vereador e presidente da Câmara, soube ser corajoso e firme em reduzir salários e mordomias. Enfim, durante toda campanha, o povo pode conhecer melhor do nosso candidato suas qualidades e propostas. Nossa campanha trabalhou com propostas, com argumentos fundamentados, sem ataques pessoais e nossa vitória mostra que a população soube reconhecer isso.

 

O Atibaiense – Fizeram ataques diretos a você e ao seu governo. O que você tem a dizer sobre isso?

Beto Tricoli - Pessoalmente, me senti muito ofendido e chateado com as inverdades mal-intencionadas lançadas para angariar votos, como, por exemplo, dizer que não fizemos nada por Atibaia. O nome daquela coligação, ‘Atibaia Levada a Sério’, em si só é uma afronta, como se nós não levássemos a cidade a sério. Foi uma tremenda deselegância por parte deles, sem contar as ofensas pessoais.

 

O Atibaiense – Você acredita que o fato de Dr. Denig não ter ido ao debate da TV pode ter diminuído a sua votação nas urnas?

Beto Tricoli – A nossa avaliação é que, se Dr. Denig fosse ao debate, seria altamente atacado pelos dois candidatos, que estavam atrás nas pesquisas. As regras não estavam claras e o dia não foi de concordância da nossa coordenação... Enfim, quanto custou e quem pagou a produção e a estrutura do debate? Nosso erro foi não ter explicado à população antes do debate porque ele não iria. Os candidatos adversários acabaram aproveitando esse fato para desmerecer todo trabalho da campanha até ali. Mas, tenho certeza que a população soube avaliar Dr. Denig não só apenas pelo fato do debate e foi isso que fez a diferença nas urnas.

 

O Atibaiense – Dr. Denig e Prof. Ricardo foram eleitos como seus sucessores. Quais são seus próximos planos políticos?

Beto Tricoli – Quero continuar trabalhando por Atibaia e cada vez mais. Tenho um cargo em concurso público de arquiteto pela Caixa Federal. Mas, independentemente disso, continuarei trabalhando dentro do Partido Verde, militando para que nosso grupo político fique cada vez mais forte, trazendo mais benefícios para a cidade. É importante reafirmar as idéias e movimentos que justificaram a fundação do PV em Atibaia.

 

OAtibaiense – Vai ser candidato a deputado estadual em 2010?

Beto Tricoli – Atibaia precisa de um deputado estadual que realmente possa trazer recursos para a cidade, que conheça os problemas regionais e possa atuar pelo desenvolvimento sustentável, integrando as cidades. Se eu for o escolhido do grupo político, vou trabalhar fortemente na cidade e na região para ser eleito.

 

O Atibaiense – Você termina seu mandato com que balanço?

Beto Tricoli – Temos ainda mais três meses pela frente! Até dezembro vamos concluir obras importantes como a entrada da cidade, o centro cirúrgico da Santa Casa, a canalização do córrego da Maria Alvim Soares, mais asfalto e recapeamento em diversos bairros da cidade. Espero ainda inaugurar as casas populares da CDHU, novas unidades de saúde e a ampliação do tratamento de esgoto, no bairro Estoril. Ainda vamos trabalhar muito. Sei que ainda não pudemos solucionar problemas crônicos da cidade, como a habitação social, o próprio atendimento de saúde nos bairros, enfim, mas tenho certeza que construímos alicerces seguros para que Dr. Denig seja um prefeito reconhecido pelos trabalhos que virão na continuidade.

 

O Atibaiense – Você é presidente reeleito dos Comitês das Águas, que abrange 64 municípios. Você acha que esse trabalho pode te ajudar na sua campanha para deputado estadual?

Beto Tricoli – Acredito que fizemos muita amizade nesses anos de atuação com prefeitos, ambientalistas, técnicos, empresários, governantes e funcionários de todas as esferas de Governo e isso pode ajudar muito. Meu trabalho dentro do Comitê sempre foi de muito respeito aos técnicos e às instâncias de participação e decisão, pautado em ações para melhorar a qualidade e a quantidade de água na nossa região, formada pelos rios Piracicaba, Capivari, Jundiaí, Atibaia, Jaguari e Corumbataí.  Foram anos de luta coletiva, o que não quer dizer que vamos ter votos em todas as cidades.

 

O Atibaiense – Como você vê o cenário político regional, após as eleições municipais?

Beto Tricoli – Para desespero dos adversários, nosso grupo político formado por vários partidos. Especialmente o PV, ganhou mais espaço dentro da região, com a eleição de Fabiane Santiago para prefeita em Piracaia, Celso Nogueira para vice-prefeito de Joanópolis, Edu Massei para vice-prefeito em Bom Jesus dos Perdões, Beto Zen para prefeito de Morungaba, perdemos em Nazaré Paulista por apenas 2 votos e ficamos em 2º lugar em Socorro. Isso sem falar do nosso Partido Verde de Atibaia, que terá seu terceiro mandato consecutivo. Isso mostra que os eleitores estão cansados da política antiga, querem renovação das lideranças regionais, principalmente. Isso porque, todo mundo sabe que há fortes interferências de deputados na disputa municipal.

 

O Atibaiense - Você diz que houve interferências no processo de deputados. Muita gente diz que você, como prefeito, fez da cidade um verdadeiro canteiro de obras nos três meses que antecederam o pleito. Você não acha que isso também ajudou eleger seu sucessor?

Beto Tricoli – Todas as obras que estão em andamento na nossa cidade foram iniciadas há anos. É como construir uma casa: primeiro você precisa de planejamento, projeto e recursos. Só depois, começa efetivamente a obra. Na Prefeitura também acontece assim. Os candidatos adversários foram contraditórios nesta campanha. Ao mesmo tempo que falavam que não tínhamos feito nada pela cidade, criticavam as obras que estão acontecendo nos quatro cantos da cidade. A Prefeitura não parou de trabalhar por causa da eleição. Todas as obras estavam previstas no Programa 21 Ações para a Vida, apresentadas à população desde 13 de maio deste ano. Estamos cumprindo o que nos confiado fazer. Só do Programa 21 Ações para a Vida, estamos com 85% das metas alcançadas. As eleições passaram, as obras continuam...

 

O Atibaiense – O PV fez apenas dois vereadores, metade da última eleição. Como você enxerga a composição da nova Câmara Municipal?

Beto Tricoli – Proporcionalmente, está melhor do que quando eu assumi em 2001, no meu primeiro mandato! Nossos vereadores foram muito bem votados. A Câmara está bastante democrática. Nossa coligação fez 6 vereadores de 11. A renovação política também é importante e o eleitor saberá avaliar o desempenho dos novos vereadores. As responsabilidades do Dedel e do Dr. Ubiratan são muito grandes, pois representam todo o PV, a nossa construção, a nossa ideologia e programas. Hoje, os vereadores têm fidelidade partidária... Somos mais de 2 mil filiados, somamos 13.176 votos, sendo o partido mais votado da cidade.

 

O Atibaiense – Qual é a sua mensagem para o povo de Atibaia, após as eleições?

Beto Tricoli – Quero agradecer muito todos os votos ao Dr. Denig, principalmente aqueles que votaram porque ele era o candidato do nosso grupo político. Quero dizer que vamos trabalhar até o último dia do governo, com muita garra. Tenho certeza que Dr. Denig será um ótimo prefeito para Atibaia. Promoverá as evoluções necessárias na área da Saúde e Infra-estrutura, principalmente. Com o Prof. Ricardo como vice, terá todas as condições para ter acesso e continuar o trabalho que colocou a nossa cidade no rol das cidades que mais se desenvolvem no cenário nacional.

 


 

Juiz eleitoral faz uma avaliação 
crítica da recente campanha


 

    

O juiz eleitoral da Comarca, dr. Marcos Cosme Porto, faz uma avaliação crítica da campanha e do comportamento de candidatos e militantes na recente campanha e eleição. Segundo ele, pelo que viu aqui e em municípios vizinhos, há ainda imaturidade, desrespeito e deslealdade diante das normas da legislação. Constatou que os militantes partidários insistem nas tentativas de burlar as restrições, fazendo por exemplo uma boca-de-urna informal.

"Poderia simplesmente dizer que a eleição transcorreu normalmente. É um chavão que se repete nesses momentos. Claro que foi um pleito coordenado por um órgão imparcial, que é a Justiça Eleitoral. Venceram os mais votados e tivemos a colaboração dos participantes, da população à polícia. As pessoas puderam exercer o direito sagrado do voto", considerou o dr. Marcos, antes de fazer suas referências críticas ao comportamento observado no pleito.

O juiz lembrou as lutas da história, ao longo de 2 mil anos, para que o direito do voto fosse conquistado. "Muitas coisas mudaram, mas outras continuam as mesmas", apontou. Numa eleição como a que terminou em 5 de outubro, há situações que representam retrocesso. É o caso do cidadão ou cidadã que recebeu dezenas de reais por dia para vestir uma camiseta e desfilar a propaganda de um grupo.

"É um dinheiro que essas pessoas talvez não ganhem em outros trabalhos. É um problema social, de falta de educação, de conhecimento", comentou  o dr. Marcos. Além disso, incidentes e episódios aconteceram durante a campanha e a eleição. Veículos adesivados foram deixados nas proximidades de locais de votação - um chegou a ser guinchado. Durante a madrugada do dia 5, propaganda eleitoral foi despejada na cidade pelas coligações. Grupos de militantes, vestidos com camisetas que traziam mensagens eleitorais, evidentemente contratados, ficaram rondando as seções eleitorais. E houve duas ocorrências de boca-de-urna, proibida pela legislação.

"A Justiça pode ser cega, mas não é estúpida", advertiu o juiz eleitoral, que circulou pelas seções eleitorais no dia 5 de outubro, do início da manhã até o final da noite. Para o dr. Marcos Porto, mesmo diante de várias irregularidades, não cabe cobrar mais rigor por parte da Justiça Eleitoral, já rigorosa por natureza.

Segundo o dr. Porto, o objetivo era orientar e não punir os envolvidos na eleição. Em lugar de flagrantes, processos e multas, a Justiça atuou para ensinar os participantes a se comportar corretamente numa eleição. Nem todos os participantes aprenderam a lição. Autorizada a propaganda eleitoral, no início de junho, foram muitas as representações nos quatro municípios da Comarca - grande parte delas movida pela intenção de prejudicar o adversário, de apenas alimentar o conflito pelo conflito.

Às duas reuniões que o juiz eleitoral convocou com representantes de partidos e coligações, uma antes da propaganda e outra depois, nenhum candidato a prefeito, nas quatro cidades da Comarca, compareceu. Isso expôs o desinteresse em conhecer de perto as restrições e permissões da legislação. O assunto foi tratado como burocrático.

Com duas filhas, morador de Campinas, onde fez a faculdade de Direito pela Pontifícia Universidade Católica, o dr. Marcos Porto, 45 anos, tem sido juiz eleitoral desde 1992. "Hoje, há mais liberdade do que 16 anos atrás". Ele começou em Bariri, perto de Jaú (SP). Esteve também em Amparo. Foi juiz auxiliar em São Paulo, nas eleições de 2004. Entre 1999 e 2002, foi professor de Direito Processual Penal e Direito Penal na Faculdade de Direito de Pinhal. Ministrou cursos e palestras e publicou artigo na Revista dos Tribunais. O dr. Marcos Porto, solícito e afável no seu contato com a imprensa, valoriza a família e a qualidade de vida.

 


 

Eleições – 2008 - Sob outra ótica

 

  

 

Com a devida licença dos eleitores cadastrados nessa 16ª Zona Eleitoral, que abrange os municípios de Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Nazaré Paulista e Jarinu, peço emprestado esse espaço para tecer alguns comentários a respeito das eleições municipais do último dia 5 de outubro, presidida pela Justiça Eleitoral, que nessa região represento.

Antes de tudo, um agradecimento especial aos voluntários,  aos convocados e aos funcionários, esses, verdadeiros heróis, que há meses não descansam nem mesmo aos finais de semana, com jornadas ininterruptas e dedicação singular, que destrói por completo o estigma, não raras vezes injusto, que pesa sobre o funcionário público.

Sem eles o processo eleitoral não se realizaria.

Outro agradecimento, igualmente especial, aos policiais militares e aos policiais civis, bem como à guarda municipal, que por meio de seus agentes puderam garantir a segurança e o sucesso do pleito.

Em outras oportunidades pude registrar a minha visão pessoal a respeito da Democracia, da sua importância, da sua quase sacralidade, sobretudo se for considerado o sacrifício humano no curso da história, despendido para a conquista dessa liberdade; também pude alertar, para os poucos interessados que compareceram à audiência junto aos representantes dos partidos políticos dessa região, que a democracia, no meu entender, não é o melhor sistema de governo, mas certamente é o melhor sistema de governo que, por nossa evolução, nos é possível atingir.

E ainda assim, pelo que se viu, nem mesmo para ela ainda estamos prontos; somos crianças perplexas, maravilhados e entorpecidos com o espetáculo da liberdade.

Ainda que para muitos a eleição tenha transcorrido de forma natural e ‘sem maiores irregularidades’, há um outro aspecto que não me passou despercebido e daqui em diante as palavras são minhas, de minha exclusiva responsabilidade, desvinculadas do meu cargo.

É certo que na condição de Juiz Eleitoral essa minha manifestação pode até ser considerada descabida, na medida em que, encerrado o pleito cabe ao magistrado apenas prosseguir nas apurações das irregularidades, ilegalidades e crimes eleitorais que restaram, até o seu termo final, com a diplomação dos eleitos.

Contudo, no exercício da magistratura há 20 anos, tendo presidido outras eleições, três delas municipais, sendo a primeira a de 1992, não posso deixar de constatar certas peculiaridades que, se fazem parte do processo democrático, com a mesma força revelam a nossa precariedade ética e o despreparado para tamanha dose de liberdade.

 

Exagero ?

Caro eleitor, qual a sua opinião sobre a mutação sofrida pelas ruas das cidades da noite de 4 de outubro para a manhã de 5 de outubro ?

O senhor e a senhora, que dormiram em uma bela cidade e acordaram em uma pocilga, o que acham dos candidatos que em poucas horas violaram diversas normas de conduta, algumas previstas na legislação eleitoral, outras na legislação municipal, algumas no Código Penal e todas elas no “Código do Berço”?

O que acham os senhores, do volume do som dos carros durante as campanhas políticas ? e das ilegais “carreatas” realizadas na véspera da eleição ?

Viram ainda os cidadãos e cidadãs vestidos com camisetas dos partidos, das coligações, dos candidatos, andando para lá e para cá, em torno das seções eleitorais, como quem não quer nada ?

Muito provavelmente, em troca de algum favor imediato e fugaz.

E o que acharam dos veículos maliciosamente estacionados à frente das seções de votação, ostentando acintosa propaganda ?

Essas são apenas algumas das condutas praticadas durante as eleições, com honrosas exceções de alguns candidatos ao cargo de vereador.

Campanhas desastrosas, em ética e em urbanidade, em educação e em respeito ao eleitor, sem par, mesmo na fictícia Sucupira, do nosso saudoso Odorico Paraguaçu.

Não foi sem motivo que foram várias as representações, muitas delas, porém, sem conteúdo fático ou probatório, revelando, também nesse campo, o escopo beligerante do conflito pelo conflito.

O art. 1º, par. único, da Constituição Federal diz que:

“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos dessa Constituição”.

Resta saber, até quando o povo quer representantes que desrespeitam a lei, a cidade e o eleitor ? até quando o eleitor acordará cedo numa manhã de festa cívica e não se importará em ver o nome do seu candidato sujando a cidade que ele promete cuidar ? quando chegará o dia em que a oferta por um pequeno favor não será o bastante para corromper uma consciência ?

Durante as visitas que fiz às seções eleitorais no dia do pleito reconheci centenas de pessoas, com camisas de cores diferentes, escondendo, no olhar, aquilo que no fundo de suas consciências sabiam e sabem ser errado; alguns, maliciosa e cinicamente, tentavam disfarçar uma situação óbvia, qual seja, o trabalho aberto e claro que exerciam em favor do seu candidato e, certamente, não o faziam de graça.

É que a lei permite a manifestação pacífica e silenciosa do eleitor; daí se concluiu que contratar incautos com camisetas para circular nas imediações das sessões eleitorais seria forma legítima de se manifestar...ou maneira eficaz de burlar a lei.

Os que contrataram e os contratados cometem equívocos flagrantes e a minha esperança incide sobre aqueles que assim agiram porque são apenas cegos, que não conseguem ver o significado de suas condutas.

Corromper a consciência de um cidadão é ignorar os gritos de dor que se propagam pelo tempo desde o primeiro ato de opressão; é desprezar as conquistas do homem no campo da razão e é manter distante o sonho de liberdade; é auto-punição, que nos sufoca e nos inibe, que nos afasta da evolução; é receber um talento e devolver um talento, em lamentável e triste atrofia de nossas potencialidades.

Nada tenho a dizer aos que enxergam, pois em terra ruim nenhuma semente é boa.

Alguns avanços são flagrantes, basta ver que nos últimos anos a legislação e a Justiça Eleitoral têm ampliado a liberdade, tanto do candidato como do eleitor; hoje é menor o número de condutas proibidas do que foi ontem, o que demonstra a nítida intenção de dar ao homem a liberdade que ele almeja e merece.

Contudo, a história é repleta de exemplos sobre liberdade sem responsabilidade e mesmo a revolução francesa, marco histórico da democracia, não deixou de sofrer suas terríveis conseqüências antes de fazer germinar a sua semente.

Mais do que um desabafo, vai aqui a leitura pessoal de um homem, sobre a vida humana e a respeito da sua organização; um modesto apelo à consciência do homem público e ao espírito desarmado do eleitor, em última instância, o realizador e o destinatário do maior bem outorgado ao homem, a Liberdade.

 

Marcos Cosme Porto

Juiz Eleitoral

 


 

Com votação histórica, professor
 Wanderley se diz preparado 
para assumir

 

   

Por Thais Otoni

 

As eleições de domingo reservaram algumas surpresas para o eleitorado e a maior delas foi a votação recorde do professor Wanderley Silva de Souza. Com 3.267 votos, ele alcançou votação histórica para um vereador. Ativo participante de projetos sociais no município, Wanderley faz parte do Conselho Tutelar e é o atual presidente da APAE. Também participa de programas como o Educafro.

Formado em Educação Física em 2000, é especializado em algumas disciplinas dentro da área de saúde na Educação Física. É pós-graduado em Educação Física Adaptada à Saúde pela Unicamp e tem mestrado na UNESP em Rio Claro. “Minha formação é para pessoas com necessidades especiais”.

Em visita ao jornal O Atibaiense na manhã de quarta-feira, Wanderley nos concedeu a seguinte entrevista.

 

O Atibaiense – Você tem um trabalho dentro do Conselho Tutelar de Atibaia. Fale um pouco sobre ele.

Professor Wanderley - Sempre trabalhei com criança e adolescente. Na creche ASA fui professor de Educação Física e implantamos na época a Educação Física para creche, um trabalho pioneiro. Trabalhei ainda no abrigo Nosso Lar. Passei pela creche, pelo abrigo e vi que faltava passar pelo Conselho Tutelar. Foi um trabalho muito válido. Sabemos que existe um crescimento de crianças e adolescentes em situação de risco e que faltam programas no município. O município está caminhando para acrescentar algo na vida dessas crianças e adolescentes, mas falta ainda ter uma atenção especial na formação. No Conselho Tutelar, pude conhecer praticamente a cidade inteira e isso ajudou. Precisamos ter programas sociais que venham de encontro às necessidades. O Conselho Tutelar me deu essa bagagem.

 

O Atibaiense – Para você, essa participação no Conselho vai influenciar no trabalho como vereador?

Professor Wanderley - Não podemos ter enfoque de que o vereador Wanderley vai ter visão voltada só na criança e adolescente, mas terei um trabalho nesse sentido. Tem uma frase muito popular que diz que as crianças serão o futuro de amanhã, se não dermos perspectivas de futuro para eles, fica difícil. O eixo saúde, educação, cultura e lazer, acho serem os eixos centrais nesse sentido. Acredito que vou fazer um programa forte. A própria Câmara Municipal e o Dr. Denig vão ter visão do resgate social. Está provado hoje que a preocupação social tem que ser o carro chefe de qualquer administração. Se não tivermos atenção nesses programas sociais não avançamos. Toda a minha vida trabalhei só com programas sociais. Toda a minha vida o foco foi no social. Vou trabalhar com essa filosofia.

 

O Atibaiense – E seu trabalho na APAE? Hoje você está na presidência. Vai dar para conciliar o trabalho de vereador com a presidência da APAE?

Professor Wanderley - É algo que tenho no coração. Comecei em 1996 como monitor e já estava cursando a faculdade de Educação Física. Fiquei mais 10 anos como professor. A minha formação hoje em Educação Física adaptada em saúde devo 100% à APAE. Estou na presidência agora e temos apoio total de quem está lá, porque confiam em nosso trabalho. A APAE tenho no coração, não vou abandonar jamais. E todos podem ficar despreocupados. Enquanto me deixarem trabalhando vou ficar por lá. Temos mais projetos para colocar em prática. Há uma lista de espera de 170 pessoas. Precisamos também buscar o transporte adaptado.

 

O Atibaiense - Como surgiu a idéia de entrar para a política?

Professor Wanderley - Quando temos trabalho seqüencial naturalmente as coisas acontecem. Todos esses anos, seja na APAE, Conselho Tutelar, Educafro, foi naturalmente acontecendo o processo. Fui conhecendo os bairros carentes, me envolvendo com as pessoas. O único meio de propor mudança é através do processo político. Não adianta ser bonzinho, ter ótimo coração e ficar em cima do muro. Coloquei meu nome para a comunidade e falei: ‘vou participar do processo político’. Tinha projeto, tinha um sonho e acho que temos que dividir esse sonho com a comunidade. Nunca tinha sido candidato a vereador. Visitei todos os bairros. Dentro desse processo político, falei, ‘agora preciso participar, tenho formação, tenho uma bagagem e devo colaborar com esses conhecimentos’. Se cada um contribui com o que sabe, podemos ter voz mais ativa, conseguimos ter resgate social e é através da política que conseguimos isso. Minha vida toda fiz a política. Nunca fiz a politicagem e nunca vou querer fazer, mas a política fiz em todos os dias da minha vida.

 

O Atibaiense – A votação foi recorde. Esperava tanto?

Professor Wanderley - Nosso grupo de apoio é muito grande, são 22 projetos em atividade. Falei para o pessoal que íamos alcançar o objetivo porque esse é um sonho do grupo, do coletivo, não só do Wanderley. E quando começamos, eu imaginava que ia ter votação considerável, mas 3.267 votos é surpreendente. São 5% do eleitorado que votaram em você. É muito expressiva para vereador. Agora tenho que dar conta. Agradeço imensamente a todas as pessoas que acreditaram em nosso trabalho. Tive voto em todas as urnas e agradeço essa confiança. Meu muito obrigado a todos e desde já me coloco à disposição.

 

O Atibaiense - Está preparado para assumir no dia 1º de janeiro de 2009?

Professor Wanderley - Qualquer candidato tem que ter preparação. Você é representante de uma comunidade que acredita na melhora da sua cidade, as pessoas alimentam esse sonho. Estou preparado, indo atrás das dúvidas. Começo em novembro um curso de administração pública. Já trabalhei na Prefeitura, então conheço todas as secretarias, tenho contato com todos, um bom relacionamento. É importante o vereador conhecer. Quando o cidadão procura o vereador ele tem que saber direcionar o pedido, saber para onde recorrer. Vereador tem que ter preparação, senão eleitor não acredita em você.

 

O Atibaiense – Gostou da composição da Câmara?

Professor Wanderley - Acho que ficou legal. Democracia é isso aí, foram 151 candidatos, muitos partidos. De nossa coligação foram seis eleitos. Outras coligações elegeram cinco. Mas quem está lá é para ajudar a comunidade. Cada partido tem sua ideologia, seu enfoque, mas temos que deixar a politicagem. Vereadores devem atender a comunidade. Acho que teremos bom relacionamento. Se tiver que brigar é pelo bem, não entre si. Há um novo processo na política de Atibaia, o eleitorado mudou e a politicagem está ficando para trás.

 

O Atibaiense – E a eleição de Denig?

Professor Wanderley – Ele é uma ótima pessoa, conhece a realidade de Atibaia. Foi uma vitória apertada. Essa eleição foi atípica porque se esqueceu de apresentar propostas de governo. As propostas foram apresentadas inicialmente. Depois, tivemos atropelo de informações negativas que confundiram o eleitor. Agora, a comunidade espera um bom trabalho e bom resultado.

 


 

Vereadores de Atibaia estão entre 
25 e 80 anos de idade

 

 

 

Entre os 11 vereadores eleitos de Atibaia, há os extremos das idades. Enquanto Saulo do Gás tem 25 anos e é o mais novo representante da Câmara nos últimos anos (Luiz Fernando conquistou o cargo com 26 anos), Pedro Maturana, ex-prefeito e ex-vereador, está com 80 anos. A diferença é de 65 anos.

Em nível nacional, essas diferenças também são interessantes. A diferença é de 70 anos entre o prefeito eleito mais novo e o prefeito eleito mais velho. É do município de Faina, em Goiás, o prefeito mais novo do Brasil e ele tem apenas 20 anos de idade. Caio Vellasco de Castro Curado, do PMDB, só atingirá a idade mínima de 21 anos exigida pela Constituição, no dia 25 de dezembro deste ano.

No entanto, como seu aniversário ocorre antes da data da posse, conforme prevê o artigo 11 da Lei das Eleições (Lei 9.504/97), Caio poderá assumir a prefeitura de Faina, conquistada com 1881 votos ou 37,04% do total de votos válidos.  Em todo o país foram registrados 122 candidatos com idade inferior a 25 anos, sendo que 31 deles foram eleitos. A faixa-etária em que se concentra o maior número de prefeitos eleitos está entre 36 e 55 anos, mais de 70,88% do número total. O dr. Denig, eleito em Atibaia, tem 53 anos.

Já o prefeito com mais idade no Brasil tem 90 anos e foi eleito no município de Uraí, no Paraná. Susumo Itimura, do PSDB, foi eleito com 2.222 votos, o equivalente a 49,29% dos votos válidos no município. Dos 783 candidatos com idade superior a 65 anos, 205 foram eleitos em todo o país.

O vereador mais novo eleito no Brasil é da cidade de Aspásia, no interior e de São Paulo, e tem 17 anos.  Renan Medeiro Venceslau, do PT, completa os 18 anos no dia 17 de dezembro próximo, quando atingirá a idade mínima exigida pela Constituição Federal para assumir a vaga de vereador.

Já o vereador eleito com mais idade é Antônio Ferreira da Silva, do PSDB, da cidade de Cedro, no Ceará.  Nascido em 10 de julho de 1919, ele integra o rol dos 791 vereadores eleitos no Brasil com idade superior a 65 anos, o equivalente a 1,52% do total.

A legislação fixa idade mínima como condição de elegibilidade, porém não estabelece idade máxima para um cidadão ser candidato e, caso seja eleito, tomar posse. A idade do candidato pode servir como condição de desempate em uma eleição. Foi o que aconteceu no município de Dom Cavati, em Minas Gerais, onde houve empate entre os candidatos Jair Vieira, do DEM, e Pedro Euzébio Pedrinho, do PT. Os dois atingiram 1919 votos cada, mas como Jair tem 73 anos contra 42 de Pedrinho, foi considerado eleito pela Justiça Eleitoral com base no artigo 77 da Constituição Federal. 

 


 

Beto pode ter apoio da região 
para eleições de 2010

 

  

As eleições do último domingo ainda são o assunto principal nas rodas de conversa. Apesar de a crise americana estampar as manchetes da mídia nacional, o resultado das eleições municipais também é foco da imprensa esta semana, principalmente de jornais locais.

Em Atibaia, a disputa foi acirrada, com diferença de 2.398 votos entre o primeiro colocado e eleito Dr. Denig (PV) e Sérgio Mantovanini (PMDB). O prefeito Beto Tricoli, que fecha em dezembro oito anos de governo, fez seu sucessor e agora pode planejar com calma uma possível candidatura a deputado estadual, em 2010. Parece cedo para falar no assunto, mas se levarmos em consideração que falta pouco mais de dois meses para o ano terminar, temos o ano de 2009 e apenas o início de 2010 para o planejamento de uma campanha, o que dá pouco mais de um ano. Afinal, quando a campanha começar em 2010, já será preciso ter todos os apoios e estratégias montados.

O nome de Beto como candidato da região parece agora ganhar força. O resultado do pleito municipal de domingo sinaliza para possível apoio em pelo menos três cidades. Atibaia, com o Dr Denig, que sucede Beto, é uma aliada natural e será, com certeza, o grande foco do prefeito, já conhecido do eleitorado daqui. Em Piracaia, a nova prefeita, Fabiane Santiago, é do PV, mesmo partido de Beto. Ela ainda é esposa do deputado federal Roberto Santiago (PV), que já vem fazendo um trabalho na região e tem bom relacionamento com Beto. É natural que o deputado federal apóie Beto tanto aqui como em Piracaia.

Outra cidade que com o resultado de domingo sinaliza para um apoio é Bragança Paulista. A reeleição de Jango (PSDB) mostrou que o grupo do deputado estadual Edmir Chedid (DEM) perdeu terreno, já que o candidato do partido, Professor Amauri (após renúncia de Jesus Chedid, pai do deputado estadual) perdeu para Jango. Os boatos na cidade dão conta de que Edmir não pretende liberar verbas para o município, com a derrota nas eleições municipais. Se isso realmente ocorrer, cresce a chance de Jango apoiar outro candidato que represente a região e Beto tem sido o nome cogitado.

O atual prefeito de Atibaia é também presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ Federal). Ou seja, já tem uma articulação política com as cidades da região.

Ainda estamos nas especulações. O momento é de comemorar a vitória e se estruturar para começar uma nova administração em 2009. Beto ainda precisa resolver alguns problemas e finalizar obras na cidade, além de fechar o ano com o máximo de suas propostas e planos cumpridos. A partir de janeiro poderemos ter uma visão mais clara de como será o pleito de 2010.

 


 

No geral, mulheres foram 
mal votadas em Atibaia

 

  

Thais Otoni

 

Apesar de todas as campanhas para incentivar a candidatura de mulheres e a votação no sexo feminino, em Atibaia apenas uma mulher foi eleita vereadora – a Professora Gina (PDT), que se reelegeu. Dos 151 candidatos, havia 47 mulheres disputando uma cadeira na Câmara Municipal de Atibaia. Boa parte das candidatas amargou as últimas colocações na lista de votação.

 Na região, elas também são minoria, com raras exceções. Em Joanópolis, por exemplo, não há nenhuma mulher na Câmara Municipal. Em Bom Jesus dos Perdões, uma foi eleita e já há, na legislatura atual, uma vereadora. Bragança Paulista tem agora uma vereadora eleita, pouco se comparado às três vereadoras que hoje ocupam uma cadeira no Legislativo. Em Piracaia também foi eleita uma vereadora, sendo que na atual gestão, não há nenhuma. A cidade, no entanto, foi comandada por uma mulher: a prefeita Terezinha Peçanha (PSDB) e será comandada por uma outra mulher, Fabiane Santiago (PV), nos próximos quatro anos.

Enquanto aqui temos apenas a Professora Gina como representante do sexo feminino, em duas cidades da região elas estão em número um pouco mais alto. Nazaré Paulista terá duas vereadoras, mas tinha três. Já Jarinu elegeu uma prefeita e três vereadoras. Não havia nenhuma mulher na política municipal do momento.

Nesta eleição, estudo da Secretaria Especial de Políticas para a Mulher (SEPM) revelou que as mulheres são a maioria do eleitorado brasileiro - cerca de 51% dos 130 milhões de eleitores, mas têm baixa participação no cenário político. Elas representaram 21,33% dos candidatos às eleições. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) estipula que 30% das candidaturas deve ser de mulheres, mas nenhum partido, em todo o país, cumpriu a meta.

 Os números mostram que ainda não existe igualdade na política, mas é perigoso levantarmos bandeiras. A mulher não deve ser eleita apenas pela questão do sexo. A escolha não deve ser classista. É preciso termos mulheres com propostas que chamem a atenção do eleitor e que mostrem que estão preparadas para assumir o cargo. Não basta ser mulher para merecer o voto. Assim como não basta ser homem. As eleições do último domingo mostraram que, de forma geral, o eleitorado está mais seletivo e tem analisado mais sua opção.

Para a economista e educadora popular Roberta Traspadini, em entrevista ao site Brasil de Fato, “nós mulheres temos o compromisso histórico de nos refazermos como sujeitos políticos, enquanto desfazemos as práticas de opressão e exclusão que vivemos nos diversos âmbitos público-privado. Infelizmente a economia e a ciência política ficaram por muito tempo relegadas ao universo masculino. Temos que entrar nestes grandes debates, estudar, nos prepararmos para, ao exercer o poder, em todos os âmbitos, termos consciência de que o fazemos em nome de um projeto maior de sociedade, que, como classe trabalhadora, supere os esquemas até então vividos por todos”.

 


 

Eleições na região tiveram 
resultados interessantes

 

  

Thais Otoni

 

Imagine um prefeito ser eleito com dois votos de diferença. O eleitor digitar o número do candidato na urna e aparecer foto e/ou nome de outro. Uma Câmara Municipal totalmente renovada sem falar nos nomes de alguns eleitos, que já renderia uma matéria à parte. As eleições municipais deste ano tiveram alguns resultados interessantes na região. Confira o que aconteceu em cada cidade.

Atibaia – a disputa entre os dois candidatos foi apertada e Dr. Denig venceu com a diferença de 2.398 votos para Sérgio Mantovanini. Na Câmara, renovação: apenas três dos atuais 11 vereadores voltam a partir de 2009. Na cidade, um recorde histórico que foi também a maior votação da região: o candidato a vereador, agora eleito, professor Wanderley (PDT) teve 3.267 votos.

Bragança Paulista – o prefeito Jango se reelegeu com boa margem de votos: teve 38% dos votos enquanto o Professor Amauri (DEM) teve 27%. A Câmara foi praticamente toda renovada: há dois reeleitos. Um fato curioso é com relação à foto e número do candidato Amauri nas urnas. Jesus Chedid era o candidato do partido à prefeitura e Amauri era vice, mas como a candidatura estava prestes a ser impugnada, Jesus renunciou uma semana antes das eleições, não dando tempo de mudar seu nome das urnas. Quem digitava o número 25 via na tela a foto de Chedid, não de Amauri. Bragança foi a cidade da região com mais candidatos a prefeito: foram seis.

Bom Jesus dos Perdões – o prefeito Calé (PSDB) foi reeleito com apenas 37 votos de diferença (foram 4.756 votos contra 4.719 do segundo colocado Paulo Afonso). Vitória apertada. Na cidade, dos nove vereadores quatro se reelegeram.

Jarinu – assim como em Bragança Paulista, ao digitar o número de um candidato, a foto era outra. Lá venceu uma mulher, Fátima Lorencini (PTB). Na Câmara, só homens, sendo três reeleitos.

Joanópolis – o atual prefeito, José Costa (PMDB), não conseguiu a reeleição e perdeu para Joãozinho Torres (PSB). Enquanto na prefeitura a população preferiu pela renovação, na Câmara, o maior número de reeleitos da região foi da cidade: dos nove vereadores, cinco continuam no cargo.

Nazaré Paulista – isso que foi disputa acirrada. O atual prefeito Nenê Pinheiro (PSBD) se reelegeu com apenas dois votos de diferença do segundo colocado, Júnior (PV). Ele obteve 4.338 votos enquanto Júnior teve 4.336. Foi o resultado mais apertado. Assim como Joanópolis, a cidade também teve cinco vereadores reeleitos.

Piracaia – desde o início da campanha chamou a atenção a eleição na cidade. Apenas duas candidaturas à Prefeitura, e as duas de mulheres. Lá, assim como Joanópolis, não houve reeleição. A prefeita Terezinha Peçanha (PSDB) perdeu para Fabiane Santiago (PV) por 868 votos. Mesmo com muitos alegando que Fabiane não é da cidade (fato que é verdade: até a candidatura, a família dela tinha uma casa de veraneio na cidade mas não morava lá), ela conseguiu a vitória. Na Câmara Municipal os piracaienses também optaram pela renovação: nenhum vereador da atual legislatura que tentou a reeleição conseguiu permanecer no cargo. A cidade é a única da região que vai iniciar 2009 com a política local totalmente renovada.

 


 

Abstenção em Atibaia afastou  
das urnas mais de 15 mil eleitores

 

  

Em Atibaia, a abstenção (eleitores que não compareceram às urnas) chegou a 17% ou 15.495. Em nível nacional, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, os eleitores que se abstiveram de votar nestas eleições chegaram a 14,54% do eleitorado.

Compareceram às urnas eletrônicas no último domingo (5) 85,46% do total de 128.806.592 eleitores habilitados para votar nessas eleições municipais, contra 85,81% nas eleições de 2004. Do total de votos apurados, 90,18% foram dados a candidatos (os chamados votos válidos), 2,76% ficaram em branco e 7,04% dos votos computados foram anulados pelos eleitores.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, informou, em entrevista coletiva, no Centro de Divulgação da Justiça Eleitoral no TSE, que a Justiça Eleitoral superou suas expectativas com relação à totalização e à divulgação dos resultados das eleições do domingo.

"Em termos de rapidez, sem prejuízo da segurança, nós quebramos todos os recordes. No ano de 2004, a totalização com a apuração se ultimou dois dias depois, às 15h59. Já em 2006 a eleição foi ultimada em termos de totalização e divulgação no dia seguinte, às 14h55. Este ano, nós terminamos a apuração e a divulgação às 13h19 do dia da segunda-feira. O último estado foi o do Amazonas. Então foi um recorde.", disse o presidente do TSE.

O ministro informou que outro recorde foi a redução da necessidade de votação manual, que vem diminuindo de eleição para eleição.

 


 

O papel da imprensa na eleição

 

  

Na entrevista que tivemos nesta semana com o juiz eleitoral, dr. Marcos Porto, ouvimos a reafirmação da importância da imprensa no processo eleitoral. Essa conversa de alto nível foi fundamental para consolidarmos nossa avaliação sobre a participação positiva e produtiva do jornal O Atibaiense nesta campanha e pleito.

O objetivo da imprensa, na eleição, se assemelha ao enfoque da Justiça Eleitoral no sentido de que tem de ser didática. É esse escopo de quem trabalha com seriedade, fazendo da comunicação uma atividade profissional, equilibrada e ponderada.

Infelizmente, ao longo da campanha, o jornal enfrentou críticas e referências pouco elogiosas por parte de quem se esqueceu da civilidade e mergulhou na corrida eleitoral como tábua de salvação, como última tentativa de se manter na crista da onda. Como tem um passado de lutas e trabalho pela cidade ao longo de 107 anos, O Atibaiense não pode se dar a esse luxo, ou seja, atuar com leviandade ou descompromisso com a comunidade.

A publicação de três pesquisas eleitorais gerou, além da natural repercussão entre os leitores e no segmento público/político, agitação, ansiedade e reações negativas entre esses cidadãos, que fizeram interpretações errôneas e distorcidas dos fatos e dados. Ao divulgar as pesquisas, o jornal cumpriu uma das funções da mídia, que é ajudar o leitor/eleitor a se situar no jogo eleitoral e fazer uma análise mais próxima possível da realidade.

Há um outro aspecto a ressaltar nesta experiência. Reafirmando sua liderança secular, O Atibaiense fez o que  a mídia profissional sempre faz, nas grandes e pequenas ocasiões, tanto na área pública quanto na área cultural: influenciou a agenda das discussões, interferiu na  própria pauta da classe política, ressaltou prioridades, chamou a atenção para tendências do público. É o que, em comunicação, se chama de agenda setting; em outras palavras, preencheu o papel de estar à frente, de antecipar os passos de quem decide sobre os 124 mil habitantes.

Os cães ladram e a caravana passa, já dizia o ditado popular. Não há porque nos preocuparmos com essas atitudes, mais afeitas aos maus perdedores. Mas há um ponto a destacar, no festival de erros que foram cometidos. Um dos candidatos a prefeito, insatisfeito com o resultado das pesquisas, resolveu duvidar do jornal publicamente. Chegou mesmo a associar O Atibaiense à Prefeitura de modo infeliz, mal-intencionado.

Esse candidato falou, aos quatro ventos, inverdades e mentiras deslavadas, como se o jornal estivesse se comportando de forma parcial, pró-ocupantes do poder. Como se o jornal estivesse "vendido" para o Executivo. Em nenhum momento, O Atibaiense deixou de ser imparcial e comedido em suas páginas, nesta e em outras eleições. A veiculação das pesquisas só acentuou essa postura e as urnas confirmaram a felicidade desse rumo.

A equipe deste jornal, em especial seus editores, está muito contente com mais este trabalho desenvolvido em prol da cidade. Aos nossos leitores e amigos, repetimos o nosso compromisso de seguir acompanhando os interesses coletivos.

 


 

Momento Político

 

 

 

DEPOIS DA VITÓRIA

O Dr. Denig, depois de saber da vitória, afirmou: "Essa foi uma campanha muito difícil, especialmente porque tivemos muito pouco tempo para trabalhar, já que meu nome foi o último a aparecer nas eleições. Mas eu trabalhei sempre muito confiante, com muito esforço e mantendo a fé em Deus, recebendo o apoio da família e de todo o grupo político, de toda a equipe. E nós vencemos com o bem”.

 

TRABALHO SÉRIO

O prefeito eleito Dr. Denig prometeu "fazer um trabalho sério para que Atibaia seja uma cidade cada vez melhor, com mais saúde, mais habitação, mais infra-estrutura e qualidade de vida. Agradeço o voto de todos, pelo reconhecimento do meu trabalho, e peço que todos possam formar uma corrente positiva em oração para que Deus nos dê saúde e sabedoria para que possamos fazer o melhor pela nossa cidade”.

 

RENOVAÇÃO CONFIRMADA

Pesquisa feita pela Brasmarket e divulgada na edição de quarta-feira, dia 1º de outubro, pelo jornal O Atibaiense, mostrava o descontentamento dos eleitores com os vereadores da atual Câmara. Metade dos entrevistados anunciou seu desejo de renovação. Como o povo é soberano, isso de fato aconteceu.