Edição 12/11/2008 - VARIEDADES

 


Sebrae pretende inserir 1,2 mil 
MPEs no exterior

  

        

Durante o IV Encontro de Entidades de Crédito Especializadas em Médio e Longo Prazos da América Latina e Europa, no Rio de Janeiro, o "Programa de Internacionalização das Micro e Pequenas Empresas", lançado pelo Sebrae, foi um dos destaques do painel que reuniu representantes de instituições financeiras da América Latina e Europa, informou o site InfoMoney.

O diretor de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Carlos Alberto dos Santos, explicou que a meta do programa é aumentar em cerca de 10% o número de MPEs exportadoras, inserindo, no mínimo, 1,2 mil empresas no mercado externo até 2010.

Como diferencial importante do projeto, que inclui ações integradas de planejamento e qualificação, ele citou o autodiagnóstico via internet. "É um momento de reflexão para o empresário, quando ele avalia seu negócio e consegue identificar suas debilidades e potencialidades. Ao se dispor a fazer uma análise profunda da própria empresa, ele também demonstra empenho", afirmou Santos, na ocasião.

Como a globalização tem obrigado as empresas a se preparar para competir em um mercado cada vez mais acirrado, o diretor de Administração e Finanças lembrou que o termo internacionalização não significa necessariamente exportação. "Micro e pequenas empresas fornecedoras no Brasil competem com similares europeus, americanos e asiáticos", disse, de acordo com informações da Agência Sebrae.

No Brasil, as micro e pequenas empresas são responsáveis pela maioria dos empregos formais, sendo um dos principais focos do atual governo. Elas representam 98% do total de empresas e respondam por 20% do PIB (Produto Interno Bruto).

As MPEs também são cruciais para a economia da Colômbia. De acordo com o vice-presidente do Banco de Comércio Exterior da Colômbia, Fernando Esmeral, elas representam 95% do total de empresas colombianas, respondendo por 60% dos empregos e por 40% da produção total do país.

Para estimular a internacionalização e a modernização empresarial, o Banco de Comércio Exterior da Colômbia adotou uma série de linhas de financiamento. Mas ele alertou que o crédito não pode ser dissociado de outras ações.

"Muitas vezes, o problema de uma empresa não é a falta de crédito, mas de gerenciamento. A administração, em grande parte dos casos, é feita de uma forma empírica, o que impede o crescimento do negócio", explicou Esmeral.

Ao comentar o impacto da crise global, Carlos Alberto dos Santos explicou que o Brasil tem uma economia diversificada e exporta para vários países, de forma que o momento pode significar oportunidade para muitas empresas como, por exemplo, as que estavam pressionadas pela taxa de câmbio.

Ele enfatizou ainda que há uma percepção equivocada, quando se diz que as micro e pequenas empresas podem ser as mais afetadas, como se estivessem deslocadas da economia do País.

"Se, na bonança, as micro e pequenas empresas se fortalecem, se houver uma crise, elas também sofrem. Mas é uma visão ingênua considerar que os pequenos negócios são residuais e não fazem parte da economia. Existe uma percepção equivocada de que uma pequena empresa boa é a que cresce, e isso não é verdade. Ser pequeno não é defeito nem doença. Elas podem ser altamente rentáveis e ainda com flexibilidade para reagir com rapidez às turbulências do mercado", afirmou.

 

 


 

Por lei, despesas da gestante também
serão custeadas pelo futuro pai

 
     

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei que disciplina o direito de alimentos da mulher gestante, assegurando-lhe que parte das despesas desde a concepção até o parto sejam custeadas pelo futuro pai.

A pensão, chamada direito a alimentos gravídicos, compreende os valores necessários para cobrir despesas adicionais do período de gravidez, incluindo alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames, internações, parto, medicamentos e outras consideradas indispensáveis pelo médico e pelo juiz.

A fixação do montante a ser custeado pelo pai será feita pelo juiz, levando-se em conta as necessidades da mãe e as possibilidades de contribuição de cada um (pai e mãe). Os alimentos gravídicos serão devidos desde a data de citação do réu, e após o nascimento da criança serão convertidos em pensão alimentícia.

A lei, de iniciativa do Senado Federal, visa a tornar legal a contribuição do pai para o bom andamento da gravidez. Geralmente, a mulher que engravida fora de uma relação estável só pode contar com a participação financeira do pai da criança após o nascimento, sob a forma de pensão alimentícia.

A nova lei (11.804/08) foi publicada nesta quinta-feira (6/11) no Diário Oficial da União.

 


 

INSS abre concurso para 
900 vagas de assistente social

 
     

   

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) publicou dia10, no Diário Oficial da União, o edital do concurso público para o cargo de Analista do Seguro Social com formação em Serviço Social. Está prevista a contratação de 900 profissionais, 186 só no Estado de São Paulo, que irão trabalhar junto à área de perícia médica. Eles serão responsáveis pela avaliação da incapacidade de pessoas portadoras de deficiência para acesso aos benefícios de prestação continuada.

A inscrição, que custa R$ 50, poderá ser feita pela internet, no site da Fundação de Apoio a Pesquisa, Ensino e Assistência (Funrio), organizadora do concurso, que é (www.funrio.org.br), entre 10 de novembro e 10 de dezembro. Pelos Correios, apenas nas agências credenciadas, a inscrição poderá ser feita entre 14 de novembro a 3 de dezembro. O concurso deverá ser realizado em janeiro de 2009, com aplicação das provas em mais de 100 cidades em todo o país.

A previsão da Funrio é divulgar o resultado do concurso em fevereiro de 2009, antes do Carnaval. Todas as informações constam da página da Funrio na internet. Informações adicionais serão prestadas pela Central de Atendimento da Funrio, no telefone (21) 3972-9357.

O INSS vai realizar o concurso em cumprimento ao Decreto 6.214/2007 que regulamenta o benefício de prestação continuada da assistência social à pessoa com deficiência. No artigo 16, o decreto determina a realização de duas avaliações - médica e social -, que devem seguir os princípios estabelecidos pela Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS). Além da incapacidade física e mental, será analisado também todo o contexto social onde está inserida a pessoa com deficiência.

Nomeação - Os aprovados deverão ser nomeados no final de fevereiro e terão até o final de março para tomar posse. Na hora da inscrição, o candidato irá escolher a cidade onde irá fazer a prova e o município em que deseja trabalhar.

O endereço e o horário da prova serão divulgados no início de janeiro. Os assistentes sociais irão atuar na rede de Agências da Previdência Social, que somam cerca de 1.200 em todo o país. O salário inicial é de R$ 3.586,26.

 


 

Educação define como será a avaliação
de 2,1 milhões de alunos

 
     

   

A Secretaria da Educação definiu o formato do Saresp, a avaliação de aprendizagem que será aplicada a cerca de 2,1 milhões de estudantes por todo o Estado: 1,8 milhão da rede estadual e 340 mil de escolas particulares e municipais. As provas serão em 25 e 26 de novembro.

As novidades foram publicadas no Diário Oficial do Estado. As provas para alunos da 2ª série do Ensino Fundamental terão questões abertas, em língua portuguesa e matemática. Para 4ª série do Fundamental serão 24 questões de múltipla escolha (testes) em língua portuguesa e matemática. Para 6ª e 8ª série do Fundamental e 3ª série do Médio também serão 24 questões de múltipla escolha, mas para língua portuguesa, matemática e ciências (no Ensino Médio, química, física e biologia).

Todos os alunos de 4ª, 6ª e 8ª do Ensino Fundamental e de 3ª do Médio ainda terão uma redação. Os tipos serão: relato de experiência pessoal vivida – 4ª série; produção de carta pessoal – 6ª série; artigo de opinião – 8ª e 3ª séries.

Os cerca de 2,1 milhões de alunos realizarão as provas em suas escolas, nos horários normais de aulas. Um “exército” de 65 mil professores estaduais aplicará as provas, em escolas diferentes das que rotineiramente dão aulas (exceto para 2ª série, que haverá apenas troca entre turmas). Cada escola terá três pais e monitores externos (da instituição contratada pela Secretaria para realizar a prova), garantindo a correção de todo o processo.

“O Saresp é fundamental para verificarmos como está a Educação paulista. É importante que os alunos e seus pais ou responsáveis levem a sério a avaliação. As provas são formuladas para identificar da melhor maneira o nível de cada estudante”, afirma a secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.

A Secretaria resolveu abrir o Saresp para participação de escolas municipais e particulares neste ano. Cerca de 340 mil alunos a mais participarão da avaliação. Ao todo, 233 cidades paulistas (1.509 escolas municipais) aderiram. Das redes municipais participarão 288 mil estudantes. Das escolas privadas, 52 mil – são 175 da rede Sesi e 53 particulares.

Confira como será o Saresp

Data: 25 e 26 de novembro

Horário: o mesmo das aulas

Locais: a mesma escola do aluno

2ª série do Fundamental - questões abertas, em língua portuguesa e matemática.

4ª série do Fundamental - 24 questões de múltipla escolha (testes) em língua portuguesa e matemática. Redação sobre experiência pessoal vivida

6ª e 8ª série do Fundamental e 3ª do Médio - 24 questões de múltipla escolha, mas para língua portuguesa, matemática e ciências (no Ensino Médio, química, física e biologia). Redação/carta pessoal (6ª série) e artigo de opinião (8ª e 3ª)

 

Secretaria da Educação

 


 

Loterização e cultura lotérica

 
     

   

Bruno Peron Loureiro

 

Fulano inicia uma aposta na Mega-Sena. Se ganhar, já sabe o que vai fazer com o dinheiro: comprar o carro que lhe seduziu nos comerciais, casa própria, televisor de plasma; pensa em mudar radicalmente de vida. Se sobrar, comprará presente para a sogra. Hoje fulano almeja tudo isso; amanhã quem sabe o que. As vontades sofrem influência. As apostas exercem um fascínio diante das instabilidades que nosso país atravessa. Dão a possibilidade de mandar tudo pelos ares. Talvez este seja seu atrativo.

Um é ludibriado a pagar mais caro por alimentos básicos e consumir por meio de obtenção de créditos infindáveis (pagando anos por um carro ou uma moto), enquanto o outro, a sonhar com produtos que nenhuma poupança poderá comprar nos próximos quinze anos porque o salário tem que ser gasto quase integralmente em necessidades básicas, como aluguel, alimentação e energia elétrica. O primeiro compra endividando-se, enquanto o segundo tem visões.

O Brasil, num sentido, experimenta um momento de crescimento elevado do consumo com pouca sustentação no setor produtivo, pois o aumento da área de plantação canavieira não tem implicado preço mais baixo do álcool nas bombas de combustível, nem o costume brasileiro de comer arroz, feijão e bife tem-se mantido sem que o feijão se substitua por lentilhas ou se comprem fatias de carne mais finas. Isso sem falar da quantidade de empresas transnacionais que se establecem aqui dando-nos a ilusão de que o país se industrializou.

Em outro sentido, a oferta de alguns segmentos do mercado não alcança concretamente todos os consumidores enfeitiçados pela propaganda do carro do ano que sai na televisão ou do apartamento no condomínio recém-inaugurado, que supostamente dariam mais conforto e segurança à família. Por maiores que sejam as prestações, elas ainda estão fora de muitos orçamentos familiares.

É nesta brecha que entra a cultura de loteria, em que se tenta a sorte para faturar milhares ou milhões de reais. Alguns brasileiros tentam uma combinação específica de números há mais de dez anos, enquanto outros lhe confiam ajuda aos seus protetores celestiais para que a sequência seja sorteada. Aliás fortuna é confundida com dinheiro. A sorte é o jogo do acaso, que enriquece subitamente ou alonga a esperança.

Pressagio que o caminho para a realização pessoal no Brasil traça-se pela dedicação, inovação e ousadia. E outros elementos que exorcizam a sorte. Há inúmeros exemplos dos que subitamente mudam de vida em nossa sociedade por forças lotéricas, porém esta não é uma regra de oportunidade. Ademais, bens de luxo não deixam qualquer um realizado; menos ainda que todo produto publicitado faz bem ou é necessário. Este presságio pretende evitar a loterização, que implica entregar-se ao acaso.

Aposta está abaixo de oportunidade. Não vivemos para apostar senão para estender os ventos oportunos do derramamento de suor que leva a um objetivo. Não quis fazer disto um texto motivacional, mas um alerta a favor da mudança cultural de abandono da loterização na sociedade brasileira. Vejo que, no Brasil, ainda há uma confiança excessiva no que os outros ou as instituições poderão fazer por nós. É a loterização do Brasil.

Falo de uma cultura lotérica e da loterização como um processo que leva àquela. O maior valor acumulado na história brasileira, porém, é a eliminação dessa cultura lotérica.

 

Bruno Peron Loureiro é bacharel em Relações Internacionais pela UNESP (Universidade Estadual Paulista).