Colunistas
Publicado em 14 d Fevereiro d 2013

ALÔ!

por Renato Zanoni

A junta de bois arrastava com correntes, as toras de madeira-de-lei, os saraguagis até o carreadouro. Dali, carroções puxados por seis burros transportavam os grandes madeiros abatidos em nossas matas que seriam transformados em postes telefônicos. No Largo da Máquina (Praça da Rodoviária) eram caprichosamente aplainados e a base de cada poste que seria enterrada no solo, tratada com querosene.
No mesmo tempo, cortadores de lenheiros abriam a picada para a implantação da linha, larga faixa de derrubada, de Bragança, passando em Atibaia e até São Paulo. Outros carroções traziam da estação de trem de Caetetuba, os fios, as ferragens e as porcelanas, que haviam chegado da Alemanha, para os postes. O trabalho eletrizava Atibaia, os cidadãos iam assistir a montagem dos postes. Era o telefone que chegava.
Em outubro de 1901 foi inaugurado primeiro telefone e o fio trouxe de Villa Juquery o primeiro alô para a estação de Caetetuba. Aconteceu com a voz firme do Coronel Sezefredo Fagundes. Alguns dias depois, José Maia, instalou um outro aparelho na redação do jornal “O Atibaiense”. Os irmãos Pires de Camargo compraram aparelhos Western para suas casas. Em seguida fizeram a posteação até suas fazendas. Muitos “causos” engraçados surgiram com as primeiras ligações, era comum a falta de identificação das pessoas ao telefone.

– Alô. Quero falar com o João.
– Quem ta falando?
– Eu, ué, quem mais poderia ser!
– Tudo bem, Pedro, o que manda?
– O que isso, rapaiz, eu sou o Chico.
A modernidade da comunicação não havia ainda anulado a vida pacata e poética das cidades do interior. A pressa era relativa. Imaginem um telefonema de um Coronel para sua fazenda:
– Alô, José. Amanhã bem de madrugada, arreie um cavalo e venha aqui para a cidade. Quero ir para a fazenda bem cedo. Joana pede que você traga duas galinhas e milho verde, se tiver granado.

E havia nascido o recado negativo no meio da madrugada: “Patrão, to ligando a esta hora por que tacaram fogo no mato...”
Mas era muito complicado falar ao telefone, as pessoas preferiam passar um telegrama nos casos urgentes. Escrever uma carta era mais elucidativo, poderia caprichar na letra e mandar pelo correio quatro laudas bem explicativas.


Publicado em 14 d Fevereiro d 2013

ITALIANOS e ESPANHÓIS

por Renato Zanoni

Grande parte das famílias italianas imigradas para o Brasil, depois de fazerem quarentena no Braz, seguia para Itatiba. Havia preferência pelos peninsulares, itálicos e ibéricos. Os varões latinos eram bons agricultores. Sabiam enxertar a uva e fazer vinho. Cevavam porcos e faziam lingüiças. Plantavam o milho e fabricavam o fubá. Do fubá se fazia a polenta e a miga. As mulheres cuidavam da horta, donde saia quase toda a alimentação familiar.
Em 1902, o Capitão João Batista da Silveira Pinto, anunciava que pretendia contratar italianos para a sua fazenda. Fazendeiros ricos de Atibaia viajavam para a Itália (ou para a “Hespanha”), navegavam de gôndola em Veneza e recebiam a Benção do Papa. Depois seguiam para a Campânia e escolhiam famílias para contratar para suas fazendas. A preferência era dada às famílias que tinham mais rapazes fortes e sadios. Faziam o contrato e voltavam para Santos. Suas fazendas frutificavam, o cafezal era bem cuidado, plantavam uva e criavam gado. Do Piemonte, da Toscana, de Málaga e da Galícia ou de Leon vinham trabalhar a terra. Eram mestres na cultura de pimentão e repolho e de vinhas.
Muitas famílias trouxeram instrumentos musicais. Não era raro os rapazes que tocavam, saxofone, pistão, sanfona ou bandolim. Fizeram parceria com os músicos atibaianos e foram bem recebidos.
Alguns poucos logo abandonam o campo para seguir a profissão do pai, que por atavismo trouxeram na bagagem. Surgiram padeiros, barbeiros, fotógrafos, vinhateiros e até afinadores de piano. Começaram os casamentos inter-raciais.
– Que disparate! Uma filha de Coronel casando-se com imigrante!
Assim como o cafezal pedregoso acabava com o fio da enxada, o preconceito foi acabando. Em 1930 os imigrantes já possuíam fazendas e se aventuram na industria. O “radíchio” e o “garvanzo” entraram na dieta de Atibaia. A era das máquinas chegava em Atibaia, já tinham a estrada de ferro e na Europa já fabricavam automóveis. Mas, aqui ainda os gêneros alimentícios eram transportados por mulas. As tropas pareciam não ter fim. A cidade era poeirenta no verão e cheia de lama na época das águas. Em frente dos armazéns havia as argolas de ferro para prender animais de sela e de charrete e carroça, e a rua era cheia de excrementos.


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