Colunistas
Publicado em 20 d Novembro d 2012

A NOIVA DA SERRA

por Renato Zanoni

Umas das mais importantes e charmosas histórias de assombração de Atibaia é a da Noiva da Serra. Remonta ao século XVIII esse “causo”, tempo da Freguesia de São João Batista de Atibaia.

No contraforte da Serra Itapetinga, havia um fazendeiro que tinha uma filha bonita e educada. Numa tarde apareceu na Fazenda um tropeiro que vendia panelas. O Tropeiro desarreou as mulas e foi expondo as panelas no terreiro. A filha do Fazendeiro que se chamava Rosa, veio também escolher uma panela e perguntou ao Tropeiro: “O que trás naquela mala no lombo do cavalo branco?” – “São santos-de-barro.”– respondeu o moço.
Retirada a mala de couro ele mostrou várias imagens. Num canto da mala tinha um saquinho de seda vermelha e Rosa quis saber o que continha. – “É um Santo Antônio. Meu Santo de devoção e eu não o vendo. Ganhei de uma velha africana. Tem poderes, essa imagem.”
Rosa riu, tomou a imagem na mão e desafiou o Tropeiro, dizendo: “Que milagre ela faz?” – o Tropeiro respondeu.
“Não é milagre, é um feitiço. Esse santo emana uma fascinação. Eu não o vendo e para a moça que eu o der, ficará apaixonada.”
“Então ele será meu” – Rosa tomou o santo e o levou para o seu oratório. Desde esse dia o Tropeiro não conseguiu prosseguir viagem. Ele atravessava o Rio Atibaia e percebia que tinha esquecido alguma coisa na Fazenda e voltava. Rosa ficou perdidamente apaixonada pelo Tropeiro e o pai proibiu-a de ver o moço. Toda madrugada ele arreava os burros e partia e lá pelo meio-dia estava de volta. O Fazendeiro quis acabar com o encanto e moeu a imagem no terreiro. O Tropeiro partiu e nunca mais voltou.
Rosa adoeceu e morreu. Desde o dia do seu enterro, escutaram na madrugada, tropel de cascos e relinchos de cavalo em volta da casa. O pai um dia teve coragem de olhar: – Era Rosa, vestida de noiva num cavalo branco. Mas, tinha os pés de pato.
Depois que escutei essa lenda, contada por Zezico Peçanha, lembrei dos conselhos de minha avó, Nhá

Milinda: “menino não seja curioso, curiosidade mata.”


Publicado em 16 d Outubro d 2012

CORONÉIS E A VIRADA DO SÉCULO

por Renato Zanoni

Rompia 1900. De Paris, a festa monumental foi retratada em todos os jornais e de boca-a-boca se falava naquela gloriosa homenagem ao novo século que nascia. Santos Dumont já estava lá e inventava máquinas de voar.
Aqui, em Atibaia, os Coronéis viviam a vida afortunada e sem problemas. Simpáticos ou taciturnos eram muito respeitados. O café estava em alta, a Estrada de Ferro fazia a fretagem de carga das sacas até Santos. Um terno bom de casemira e um cavalo de raça bem arreado. Carne de porco no almoço e ovos-nevados de sobremesa. Se, a política fervia, o Coronel era da situação. Se, a “secca” destruía a safra de café, havia o dinheiro na caixa-econômica ou ele vendia algumas “vaccas” da Fazenda. Assim, a vida era “attrahente”. A família era “catholica”, os filhos no “collegio” em São Paulo e as filhas vivendo no “chic” e algumas “dellas”, eram “bellas”. Continuavam na conversa da “pharmacia” sobre o que traria a “virada-do-anno” e se, teriam algum “phenomeno” nos céus. Ou os “causos”, por vezes locais, esparramado pelo “sachristão” ou por “officiaes” do “commercio”.
Na sociedade nada era “aíva”, em tudo vinha o sabor de “assúcar”. Entre o modernismo de se comer molho de “mayonaise” se misturava as “fressuras” e compotas de “fructas”. Mas, se o “estrujido” do feijão danasse o estômago, havia no “club” um “calix” de “fernet”. Tudo ia bem com o dinheiro na algibeira. Em casa, a esposa do Coronel só de aborrecia se o bolo saísse abatumado, o “croquette” engordurado ou algum “crystal” fosse quebrado. Nonada, havia o “stock” da despensa.
Os nomes dos importantes eram todos de origem portuguesa: Pereira, Siqueira ou Ferreira. O “immigrante” ainda estava na roça. Mas, eles ganhariam a cidade e de imediato, fariam concorrência no comércio e na música instrumental. Mais vinte anos e os imigrantes começariam a comprar as terras donde labutavam. Fazendeiro tinha dinheiro, os Coronéis agüentariam ainda algumas décadas.
A saudade que os imigrantes sentiam de suas terras distantes estavam sendo apagadas dia por dia, ano por ano. Da roça ao piano não seria muito fácil para as moças imigradas. Para elas, as pioneiras, deveriam se contentar com uma comida sadia para a família e uma roupa de cama bem lavada.


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