Colunistas
Publicado em 02 d Setembro d 2010

Os Pires

por Renato Zanoni

A família Pires representa uma das raízes paulistas. Navegaram a além-mar, em busca de terras selvagens desafiando o oceano cheio de vendavais, das calmarias e dos calamares gigantes que abraçavam os veleiros e os arrastavam para os abismos abissais.
Maria Rodrigues e Salvador Pires desembarcaram em São Vicente no ano de 1531, numa das viagens de Martim Afonso de Souza, em que trazia sementes de trigo para a Capitania. João Pires, pai de Salvador, era um homem de muita coragem e cultura e era gago. Instalaram-se em princípio a beira-mar, mas, os mistérios a serem desvendados além da Serra do Mar fascinavam os portugueses e ainda tinha no litoral o perigo da pirataria.
Sabedor da presença de João Ramalho no local denominado Santo André da Borda do Campo, João Pires e sua família subiram para lá para conviver no planalto, com João Ramalho entre os gentios. Nessa época os bandeirantes acordavam. Organizada por Pero Lobo e Francisco Clave saiu dali uma bandeira composta de oitenta homens, para Cananéia, à cata de pedras pelos riachos.
Os Padres, José de Anchieta e Manoel de Nóbrega, fundaram o Colégio em 1554, numa vila que denominaram São Paulo de Piratininga. João Pires foi nomeado o primeiro Juiz Ordinário e João Ramalho foi nomeado capitão e extinguia-se a Vila de Santo André da Borda do Campo. A família Pires e a família Ramalho, predominavam em São Paulo. Os Pires tornaram-se senhores dos cargos políticos da Vila e dos primeiros escravos africanos desembarcados em São Vicente. João Ramalho casa-se com Bartira filha do cacique Tibiriçá, apaziguando-se assim com os silvícolas das tribos por ali existentes, os goitacazes e guaianazes, etc
A família dos Pires cresceu e politicamente dominou a Vila de São Paulo. Foram mais de três décadas de bonança e mando. Tinham representantes na Corte e no Clero. Possuíam escravaria, dominavam os índios, plantavam cereais em suas fazendas, trigo e centeio e criavam mulas. Bartolomeo Bueno da Ribeira, fez parte da família Pires, casando-se com Maria Pires e deixaram grande descendência em Atibaia.
No último quartel do século XVI, portanto depois de 1575, desembarcou em São Vicente o castelhano Jusepe de Camargo, que chegara sabendo da existência da Vila de São Paulo e do seu Colégio. E que dali saiam as bandeiras para os sertões.

Nota: ao leitor, deveria ser conveniente ler a Abertura, no número anterior deste jornal.


Publicado em 11 d Agosto d 2010

Apresentação

por Renato Zanoni

As maiorias dos estudiosos afirmam que a crônica nada mais é do que uma narração histórica com seguimento cronológico. Disso discordam outros autores, que contam fatos históricos em crônicas esparsas. Seguindo o tempo e voltando no tempo.
A história de uma cidade é a saga de seu povo. Remexer aqueles fatos e fados é como entrar num labirinto de jardim medieval. Depois do rufar dos tambores antigos e silenciar as cavalgadas, surge a lenda. Lenda, imaginosa história da tradição popular.
Quando a crônica descrita fica presa num período de datas, entramos na história romanceada. O romance é um tipo de leitura suportável aos leitores. Romancear a história verdadeira, sem pecar no exagero da imaginação, combina com o real acontecido.
Entrado em cena a aventura e o pitoresco, a história não peca pelo fastidioso estudo didático das escolas. Assim, pretendo percorrer a história e os “causos” de Atibaia na simplicidade da palavra. A alternância entre o cronológico das datas e o universo das lendas, será a dosagem essencial para o estudo no tempo. Tempo das explorações sertanistas de nosso território, tempo do homem retido ao pé da muralha da Serra Itapetinga.
Atibaia apareceu no mapa por uma circunstância letal, o veneno do ódio entre duas famílias de São Paulo. O Pires e os Camargo. A razão dessa inimizade não era propriamente maldade e sim o poder na corrida por cargos políticos, acoitados pela Corte e pela Igreja. Décadas de desafetos na Vila de São Paulo tornou a vida insuportável e partiram representantes das duas famílias para Salvador, com pastas de documentos na intenção de acusações mútuas. Recebidos pelo Vice-Rei do Brasil, as acusações foram tantas que confundiu as autoridades da Corte.
O Conde de Atouguia pediu a intervenção do Clero de Salvador. Estudados os documentos nada se podia apurar e nem era possível pender para um dos lados, a luta recomeçaria. O Conselho revolveu lavrar um documento de muitas laudas chamado PROVISÃO. Em 24 de novembro de 1655, perante a Corte e o Clero, todos assinaram. Numa breve trégua em obediência ao documento de proposição de paz, que parecia por fim na batalha, como cinza que cobre brasa, novamente a luta se acendeu.


Enquete

  Você é contra ou a favor do comércio em praças públicas?

A FAVOR
CONTRA

Última Edição

  Digite seu email abaixo para receber mensagens periodicamente com nossas últimas noticias:


Notícias por Data

Jornal O Atibaiense ©

Rua Deputado Emílio Justo, 280 - Nova Aclimação - Atibaia - SP - (11) 4413-0001