Colunistas
Publicado em 17 d Dezembro d 2018

O Graal implica sacrifícios e amor aos livros

por Luiz Gonzaga Neto

A frase do título é uma influência direta do grande Leandro Karnal, historiador e pensador com bom humor e erudição, uma das celebridades da mídia. O Graal é o vaso do conhecimento, da transcendência, do equilíbrio entre feminino e masculino, resultado de uma trajetória de investigação e estudo.
Tudo isso, caro leitor, para dizer que gostei muito do que Luiz Schwarcz escreveu sobre os livros. Ele é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de Sinais, entre outros trabalhos. Segundo a Carta Aberta de Schwarcz, “o livro no Brasil vive seus dias mais difíceis. Nas últimas semanas, as duas principais cadeias de lojas do país entraram em recuperação judicial, deixando um passivo enorme de pagamentos em suspenso. Mesmo com medidas sérias de gestão, elas podem ter dificuldades consideráveis de solução a médio prazo”.
Continuando: “O efeito cascata dessa crise é ainda incalculável, mas já assustador. O que acontece por aqui vai na maré contrária do mundo. Ninguém mais precisa salvar os livros de seu apocalipse, como se pensava em passado recente. O livro é a única mídia que resistiu globalmente a um processo de disrupção grave. Mas no Brasil de hoje a história é outra. Muitas cidades brasileiras ficarão sem livrarias e as editoras terão dificuldades de escoar seus livros e de fazer frente a um significativo prejuízo acumulado”.
Em seu balanço, o editor disse que as editoras já vêm diminuindo o número de livros lançados, deixando autores de venda mais lenta fora de seus planos imediatos, demitindo funcionários em todas as áreas. Com a recuperação judicial da Cultura e da Saraiva, dezenas de lojas foram fechadas, centenas de livreiros foram despedidos, e as editoras ficaram sem 40% ou mais dos seus recebimentos— gerando um rombo que oferece riscos graves para o mercado editorial no Brasil.
A sorte é que muitos dos editores vão investir na continuidade: “Não só queremos salvar nossos empreendimentos como somos também idealistas e, mais que tudo, guardamos profundo senso de proteção para com nossos autores e leitores”. Ainda bem.
Para o editor, “as redes de solidariedade que se formaram, de lado a lado, durante a campanha eleitoral talvez sejam um bom exemplo do que se pode fazer pelo livro hoje. Cartas, zaps, e-mails, posts nas mídias sociais e vídeos, feitos de coração aberto, nos quais a sinceridade prevaleça, buscando apoiar os parceiros do livro, com especial atenção a seus protagonistas mais frágeis, são mais que bem-vindos: são necessários. O que precisamos agora, entre outras coisas, é de cartas de amor aos livros”. Vamos lá, leitores!


Publicado em 13 d Dezembro d 2018

Bom trabalho é manter governos sob controle

por Luiz Gonzaga Neto

A revista The Economist, em artigo traduzido pelo jornal O Estado de S.Paulo, fez um balanço positivo do crescimento de novos meios de comunicação na América Latina. A conclusão é de que os governos autoritários e as ditaduras propriamente ditas estão enfrentando resistência, com a divulgação eficiente de protestos e manifestações.
Segundo a publicação, em muitos países latino-americanos, a mídia tradicional fez um trabalho razoável de responsabilizar os governos. Jornais de Brasil, Argentina, Peru e Guatemala investigaram a corrupção e ajudaram a derrubar presidentes e ministros. Na Colômbia, a Semana, uma revista de notícias, tem uma longa tradição de denunciar abusos das forças de segurança. Muitos jornalistas, especialmente em províncias distantes, foram assassinados por seu trabalho, muitas vezes por traficantes de drogas ou outros poderosos locais.
The Economist apontou que os mercados de mídia da América Latina tendem a ser pequenos e dominados por magnatas com outros negócios, que prezam pelo bom relacionamento com os governos. Acontece que estão sendo abalados por iniciativas como a de Janine Warner, da SembraMedia, uma ONG que ajuda jornalistas latino-americanos a se tornarem empreendedores. Seu diretório lista mais de 770 sites em 19 países que “atendem ao interesse público” e não dependem de uma única corporação ou partido pela receita.
Nas ditaduras, são as únicas vozes independentes dos meios de comunicação. Na Venezuela, o Efecto Cocuyo (“Efeito Vagalume”) relata fatos que o regime tenta esconder, incluindo contagens de homicídios e a taxa de câmbio do mercado negro. Em Cuba, empresas iniciantes como El Estornudo (“O Espirro”) e o Periodismo de Barrio, embora cautelosos em questionar a legitimidade do regime, trazem relatos críticos sobre o país.
Nessa expansão, Chequeado tornou-se o primeiro site de checagem de fatos da América Latina, que deixa embaraçadas tanto a esquerda quanto a direita. No Brasil, a maioria das revelações da Lava Jato foi dada aos principais jornais pelos promotores. Novos meios de comunicação se concentram em temas negligenciados. O Jota disseca o Judiciário. O Nexo, que já comentei aqui, é especializado em jornalismo explicativo com gráficos e cronogramas. E existe ainda a Agência Pública, que publica todas as suas reportagens em colaboração com outros grupos de mídia. Mesmo financeiramente vulneráveis, os independentes estão fazendo barulho!


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