Colunistas
Publicado em 05 d Dezembro d 2018

O cometa midiático que não apareceu em nosso céu

por Luiz Gonzaga Neto

Em 1986, a população esperava ansiosa pela passagem do cometa Halley. O fenômeno seria um espetáculo singular, de acordo com a mídia. Apesar do alarde e expectativa, o Halley frustrou todo mundo. No lugar de um astro brilhante com uma grande cauda, uma pequena mancha no céu quase imperceptível.
A descrição acima foi feita pelo programa Globo Ciência. Aqui, em Atibaia, o poder público e parte da população e dos empresários apostaram naquela época na possibilidade da nossa urbe ser um ponto estratégico para visão do cometa. Não foi. Nossas montanhas não foram capazes de preencher a ânsia de moradores e visitantes.
O presidente do Conselho Municipal do Idoso, Augusto Luppi, lembrou o episódio na reunião desta semana. Antes do Halley aparecer, ele teve contato com a Rede Globo e procurou “vender” a ideia de que, na Pedra Grande, havia uma descoberta mística a ser constatada, o rosto de Cristo inscrito na rocha. A equipe da emissora não “comprou” a ideia, querendo apenas detalhes técnicos.
A observação do cometa poderia dar uma imagem, reforçar o marketing da cidade conhecida por seu ar puro. Seria uma forma de aproveitarmos as especulações, o interesse da imprensa, as informações de que o cometa seria bem mais visível do que realmente foi. Segundo os astrônomos, a explicação para sua invisibilidade é de que a cauda do cometa só se forma quando ele está perto do Sol, o que não aconteceu naquela ocasião.
Ou seja, foi decepcionante mesmo, porque ninguém viu nada. Era mais sutil do que um algodão-doce. Além disso, as pessoas tinham a ilusão de que o cometa passaria como um fogo de artifício. À medida que se aproxima, o cometa parece na verdade estar parado, por nossa visão. A história do Halley foi diferente porque, no início do século XX, em sua primeira aparição, já existia uma mídia formada, com jornais e rádios. O Halley tornou-se assim um cometa midiático.
Na madrugada de 18 para 19 de maio de 1910, o cometa Halley era esperado e as notícias divulgadas pela imprensa sobre um gás letal e venenoso presente em sua cauda criaram um clima de pânico. A descoberta científica sobre a composição química dos cometas motivou uma série de superstições, especulações e até exploração comercial, como se viu em Atibaia, 76 anos depois. Pura fantasia, caros leitores!


Publicado em 28 d Novembro d 2018

Quem inspira você? Nomes e modelos

por Luiz Gonzaga Neto

Os profissionais de comunicação costumam ter modelos, mestres e orientadores em suas carreiras, mesmo que a correria contra o tempo crie constantemente obstáculos no cultivo desses fundamentos. Sou de uma geração mais antiga e me acostumei a admirar figuras, tanto da grande mídia quanto de veículos menores ou de estruturação econômica mais frágil.
Sei que não vou me lembrar de todos nem citar todos os nomes que aprendi a acompanhar e a celebrar, mesmo de longe. No colégio, comecei a me interessar de verdade pela imprensa, lendo os jornais diários, especialmente a Folha de S. Paulo. Em casa, brincava de escrever, numa velha máquina manual – imprimia os artigos e colava em cartolinas na sala. Foram os meus primeiros jornais, feitos artesanalmente.
No tempo de faculdade, houve aquele encantamento. A turma do Pasquim me marcou mais; até guardava as edições mais antigas. Lia com avidez os textos de Luiz Carlos Maciel, Sérgio Augusto (hoje no Estadão) e Paulo Francis, que ficou famoso décadas depois na Globo. O Jornal da Tarde, com seu jornalismo literário, era nosso modelo de redação, com feras como Marcos Faerman, Telmo Martino, Léo Gilson Ribeiro, Percival de Souza e o próprio Mino Carta, que também criou a revista Veja. Na TV, gostava do apresentador Heron Domingues e depois de Lucas Mendes, o correspondente nos States.
Nos anos 80, adorei acompanhar as peripécias de Pepe Escobar (meu colega de classe na ECA-USP), Miguel de Almeida (que parecia hippie e tinha grande liberdade nas crônicas) e Alberto Dines (Jornal dos Jornais, embrião da coluna do Ombusdman na Folha). Antes da redemocratização, já no final da ditadura militar, li vários tabloides como Opinião, Movimento, Versus, Ex e outros. Eram ótimos, com grandes textos e colunistas. E, vejam só, conheci pessoalmente o grande Joelmir Beting, aqui em Atibaia, no Ginásio Elefantão!
Mais recentemente, curti as revistas Caros Amigos e Piauí, os textos primorosos de Ruy Castro e Antônio Gonçalves Filho (escrevendo sobre arte). E, claro, muitas coisas mais, que não cabem aqui neste espaço. E vocês, quem os inspirou nesta vida e neste trabalho? Abraços!


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