Colunistas
Publicado em 20 d Novembro d 2018

Jornalismo sem adjetivos e com informação substantiva

por Luiz Gonzaga Neto

O leitor, cada vez mais crítico e exigente, quer notícia, quer informação substantiva. Quem aponta essa demanda é Carlos Alberto Di Franco, de Estado de S.Paulo. Seus artigos na página 2 do jornal são sempre inspiradores, bem escritos e enxutos. Recentemente, com a onda de fake news e distorções outras das redes sociais, ele destacou que “jornalismo é a busca do essencial, sem adereços, adjetivos ou adornos. O jornalismo transformador é substantivo. Sua força não está na militância ideológica ou partidária, mas no vigor persuasivo da verdade factual e na integridade da sua opinião. A credibilidade não é fruto de um momento. É o somatório de uma longa e transparente coerência”.
Ao longo do artigo, você vai sentindo os aplausos crescerem em seu coração, mente e mãos: “A ferramenta de trabalho dos jornalistas é a curiosidade. A dúvida. A interrogação. Há um ceticismo ético, base da boa reportagem investigativa. É a saudável desconfiança que se alimenta de uma paixão: o desejo dominante de descobrir e contar a verdade. Outra coisa, bem diferente, é o jornalismo de suspeita. O profissional suspicaz não tem 'olhos de ver'. Não admite que possam existir decência, retidão, bondade. Tudo passa por um crivo negativo que se traduz numa incapacidade crescente de elogiar o que deu certo. O jornalista não deve ser ingênuo. Mas não precisa ser cínico. Basta ser honrado, trabalhador, independente”.
Puxo, como é bom ouvir isso! “A fórmula de um bom jornal reclama uma balanceada combinação de convicção e dúvida. A candura, num país marcado pela tradição da impunidade, acaba sendo um desserviço à sociedade. É indispensável o exercício da denúncia fundamentada. Precisamos, independentemente do escárnio e do fôlego das máfias corruptas e corruptoras, perseverar num verdadeiro jornalismo de buldogues. Um dia a coisa vai mudar. E vai mudar graças também ao esforço investigativo dos bons jornalistas. Essa atitude, contudo, não se confunde com o cinismo de quem sabe 'o preço de cada coisa e o valor de coisa alguma'. O repórter, observador diário da corrupção e da miséria moral, não pode deixar que a alma envelheça. Convém renovar a rebeldia sonhadora do começo da carreira. Todos os dias. O coração do repórter deve pulsar em cada matéria”. Amém!
Terminando com um alerta: “Muitas histórias interessantes estão para ser contadas. Precisamos fugir do show político e fazer a opção pela informação que realmente conta. Só assim, com didatismo e equilíbrio, conseguiremos separar a notícia do lixo declaratório”. Palmas, muitas palmas!


Publicado em 13 d Novembro d 2018

Depois das falsas, as “junk news” estão no foco do combate

por Luiz Gonzaga Neto

Nesta temporada eleitoral, muito se falou sobre notícias falsas, as tais “fake news”. Especialistas consideram que o trabalho da imprensa séria, representada pelas redações mais profissionais, boa parte delas em jornais tradicionais, conseguiram desmontar boa parte das invenções e das mentiras deslavadas, mostrando ao público que a realidade é outra.
Especialistas preferem falar em “junk news”, as notícias-lixo, as porcarias que circulam principalmente nas redes sociais. É uma expressão mais ampla para se referir a fenômeno que vai além da política. As "junk news" são as notícias de baixa qualidade. Antes, você via esse tipo de coisa nas revistas de fofocas. Hoje, o conceito inclui não só as notícias distorcidas mas também as publicações excessivamente polarizadas com intuito de confundir o leitor sem indicar, por exemplo, a autoria ou o corpo editorial da plataforma de publicação.
“Junk news” falam de celebridades, expõem preconceitos, divulgam teorias conspiratórias e comentários mascarados, sensacionalistas, personalizados e homogeneizados como trivialidades inconsequentes. São produzidas para provocar reações psicológicas no público. Essas publicações têm cinco critérios estabelecidos pelos pesquisadores, que incluem falta de profissionalismo; estilo emocional; problema de credibilidade e informação falsa; enviesamento ideológico; ou falsificação de marcas e fontes para deixar conteúdo produzido com aparência de verdadeiro. Outra característica é que as "junk news" tiram de contexto um assunto para transmitir outra mensagem.
Junk lembra comida ruim. É um termo irônico para se referir a um produto que é o contrário do jornalismo investigativo. Os meios de comunicação de massa sempre foram criticados por disseminar notícias não produtivas, baratas para gerar e lucrativas aos proprietários. O surgimento do termo teria acontecido em março de 1983, numa edição da revista Penthouse, utilizado por Carl Jensen.
Como líder do projeto Censored, ele frequentemente criticou a mídia por ignorar histórias importantes. Os editores se incomodaram e ressaltaram seu poder de escolher o que tem destaque. Jensen fez, então, uma revisão do que era publicado e chegou à conclusão de que nada existia de investigativo: fofocas sobre famosos, notícias sexuais, estatísticas que mudam diariamente, lançamentos de filmes, bizarrices, notas sobre aniversários, rumores esportivos e promessas de campanha a cada dois anos.


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