Publicado em 10 de Janeiro de 2012

As boas maneiras na política

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Em ano de eleição, um dos maiores temores é o comportamento de candidatos e assessores, militantes e dirigentes partidários. Estamos falando de boas maneiras. A política é considerada um dos piores setores da sociedade quando se fala em educação. Os nossos representantes são conhecidos por se tratarem mal, tanto em plenário como fora. Os discursos costumam ser apelativos, o que contribui bastante para a péssima imagem da classe política.
"Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram 'inimigos da pátria'). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política", escreveu a colunista Maria Inês Nassif, da revista Carta Capital.
O artigo da colunista repercutiu bastante na Internet, indicando a necessidade de nossos padrões de atitude na área pública. Segundo Nassif, a segunda regra é o respeito. "Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Desrespeitar um líder é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre".
A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. "Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado".
A quarta regra é a civilidade. "As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião têm a obrigação abrir de disseminar esses valores", afirmou a colunista.
A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. E a sexta regra é a elegância, não apenas na questão das roupas - os políticos costumam se vestir muito mal - mas principalmente no uso das palavras.
Portanto, baixar o nível - em panfletos e em palavras soltas nas esquinas, no embate eleitoral das ruas - é sair de um código de civilidade e abrir espaço para o perigoso vale-tudo.

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