Estamos nos aproximando de mais um período de transição, se é que já não pisamos sobre seus primeiros sinais - a agitação dos corredores, das reuniões em casas e em restaurantes. O que significa isso na política? Candidatos e filiados dos grupos que disputam o poder, correm atrás de seus postos, como uma dança das cadeiras, em que o cenário é a cidade.
A disputa política pode ser legítima, quando o jogo é transparente, de acordo com as regras da legislação e segundo os melhores critérios éticos - respeito mútuo, discursos de nível, aprofundamento de ideias, contato com as necessidades mais urgentes dos moradores, nos mais distantes rincões do município. Mas aqui estamos pisando o território do ideal, da estratosfera, não do nosso chão, ainda tão primitivo.
Acontece mesmo que o nível costuma baixar na política, principalmente quanto estão em jogo a conquista e a distribuição dos cargos. Silenciosa ou ruidosamente, os interessados nas melhores "boquinhas" - as funções de confiança ou comissionadas, ocupadas por indicação política - fazem seus movimentos, geralmente em torno dos poderosos de plantão ou dos potenciais futuros poderosos, seja na Câmara, seja na Prefeitura.
Essa abordagem é feita não pela simples apresentação de currículos, de folhas de serviços prestados à cidade, de realizações profissionais dentro e fora do município. Em sua maioria, esses candidatos mostram apenas seus vínculos pessoais, familiares e grupais. São parentes, "chegados", apaniguados, amigos enfim. O que eles precisam? Precisam se encostar em alguém, para faturar algum e pagar suas contas às custas do Erário público.
Claro que é muito mais fácil ocupar um cargo de confiança, nos gabinetes confortáveis da administração pública, do que correr atrás do "rico dinheirinho" na iniciativa privada, em que o empreendedorismo e a competência técnica são checados constantemente, até exaustivamente. Você não precisa ser capaz ou já ter realizado algo pela cidade ou dentro de um determinado segmento profissional para se candidatar a um "carguinho". Basta explorar esse jeito provinciano de "pertencer à panelinha", tão nocivo à democracia e à melhoria técnica da administração pública.
É como se a política não fosse um campo que exigisse preparo intelectual para encarar sua complexidade. Basta você fazer o "social", o "teatro" pequeno e amador, mantendo aqueles relacionamentos pobres e superficiais, para garantir o seu lugar ao sol dos poderes públicos. Para quem fica de fora, resta o implícito dizer: quem manda você não pertencer às melhores famílias? Quem manda você não cultivar a adulação dos poderosos de plantão, bastando utilizar atitudes asquerosas? Quem manda você não se dispor a correr atrás do "trem da alegria"? Pois é, caro leitor e eleitor. Pense nisso sempre que avaliar a política e essa sua eterna população flutuante.
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