Publicado em 11 d Agosto d 2010

Perfil da mortalidade infantil muda também em Atibaia

Na semana passada, o Ministério da Saúde divulgou que há mudança no perfil da mortalidade infantil no país, seguindo tendência observada em países desenvolvidos.

No último dia 30 de julho, em resposta a reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo (“Em 20 anos, sobe 39% proporção de mortes neonatais”) o Ministério da Saúde divulgou nota esclarecendo o perfil da mortalidade infantil no país. Hoje a maioria dos óbitos ocorre entre bebês de até 28 dias de vida, mesma tendência observada em países desenvolvidos.
De acordo com o Ministério da Saúde, entre 1990 e 2008 o índice total caiu 54% e a queda foi mais acelerada entre bebês com mais de 28 dias de vida. “A mortalidade infantil tem caído de forma sustentada e significativa em todas as faixas etárias até os 5 anos de idade. Os índices vêm sendo reduzidos mais drasticamente na faixa entre 29 dias e 12 meses de idade. Por isso, é natural que a proporção de óbitos neonatais (ou seja, até 28 dias) tenha aumentado em relação ao todo”, explica nota do Ministério. Entre 1990 e 2008, a mortalidade neonatal caiu 36% (a quantidade de óbitos baixou de 46.893 para 29.881). No mesmo período, a mortalidade infantil geral (de zero até 12 meses de vida) teve redução de 54%: o número de mortes caiu de 95.476 para 43.601.
Houve uma mudança no perfil da mortalidade no país e essa mudança é constatada também em Atibaia. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a mortalidade neonatal, que diz respeito ao óbito até 27 dias, é o tipo de morte infantil predominante também nos países desenvolvidos. “Acima desta idade, a mortalidade tem suas causas ligadas a fatores ambientais, tais como higiene e saneamento, falta de acesso à assistência infantil, falta de proteção e segurança doméstica. Este grupo de causa foi mais importante no Brasil quando as condições ambientais eram mais precárias e não havia o programa de imunizações que temos hoje. A doença diarréica e o sarampo já foram causas importantíssimas de óbito a 15, 20 anos atrás”, destaca a Dra. Rita de Cássia Faria Bergo, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da Prefeitura e presidente do Comitê de Mortalidade Infantil de Atibaia.
De acordo com a Secretaria de Saúde, a cidade tem apresentado queda no índice de mortalidade. Em 2005 foi de 15,4%, em 2006 caiu para 14,1%, no ano seguinte houve aumento para 16,2%, caindo novamente em 2008, para 15,5%. Já em 2009 a taxa de mortalidade infantil foi de 11,6% por nascidos vivos e predominam os óbitos entre menores de 28 dias. O órgão ressalta, contudo, que a taxa de mortalidade infantil reflete o município como um todo, ou seja, a população atendida tanto no serviço público quanto no privado, e mesmo as crianças nascidas em outros municípios, mas cuja mãe referiu o endereço em Atibaia.
Além de ter conseguido reduzir o índice de mortes, em Atibaia as causas da mortalidade estão ligadas, na grande maioria, a fatores não tratáveis. A Dra. Rita explica que hoje a maior proporção de óbitos se deve à prematuridade em primeiro lugar e malformação em segundo lugar. “Este padrão também ocorre nos países desenvolvidos. Espera-se que quanto mais desenvolvido for o país ou cidade, morressem somente crianças por mal formações, que não sejam tratáveis. Com o desenvolvimento da cirurgia fetal ou no recém-nascido, algumas mal formações podem ser corrigidas. As mais frequentes mal formações são as cardíacas e do sistema nervoso, dentre essas, a anencefalia é um importante exemplo e não tem correção. Todos os bebês morrem, ainda que sobrevivam alguns dias. Entre as malformações cardíacas, algumas têm correção cirúrgica”, explica.
Na cidade, além dos programas de vacinação e saneamento básico, houve em 2009 a reativação do Comitê de Mortalidade Materno-infantil, grupo formado por representantes do CRM, do Hospital Albert Sabin, do Hospital Novo Atibaia, da Santa Casa, médicos da rede pública, enfermeiras e assistente social, que se reúnem mensalmente para avaliar as causas e propor soluções de maneira a reduzir as condições que aumentem o risco para os bebês e gestantes.
No dia a dia das unidades de saúde há ainda o acompanhamento da gestação por parte dos profissionais, grupos de apoio, grupos de incentivo ao aleitamento materno e, quando detectado algum risco, a paciente é encaminhada para os serviços de referência em gestação de alto risco. A médica alerta ainda que é importante a realização do pré-natal. “O pré-natal bem realizado implica em observação frequente - calculando-se cerca de sete consultas como valor ideal e de qualidade -, demonstrada pela realização de exames laboratoriais e correção de problemas que podem surgir. Por isso, pode ser determinante no resultado favorável. Infelizmente muitas mulheres não reconhecem a importância do pré-natal. Isso costuma acontecer principalmente com aquelas que já tiveram mais filhos e acham que é desnecessário ir ao pré-natal”, diz a Dra. Rita.
Através de consultas e exames, por exemplo, identifica-se problemas como hipertensão, anemia, infecção urinária e doenças transmissíveis pelo sangue da mãe para o feto. “Alguns desses problemas podem causar o parto precoce, o aborto e até trazer consequências mais sérias para a mãe ou para o seu bebê”.

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