Publicado em 25 de Janeiro de 2012

Pesquisa confirma o perigo para clientes na "saidinha de banco"

Em nível nacional, a principal ocorrência foi justamente o crime de "saidinha de banco", que provocou 32 mortes.

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Pesquisa nacional mostra que 49 pessoas foram assassinadas em assaltos envolvendo bancos em 2011, uma média de 4 vítimas fatais por mês, o que representa um aumento de 113,04% em relação a 2010, quando foram registradas 23 mortes. O levantamento foi realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com base em notícias da imprensa e apoio técnico do Dieese.
Segundo Rodrigo Franco Leite, presidente da subsede do Sindicato de Bancários em Atibaia, o quadro mostra a necessidade de mais investimento em segurança por parte das instituições financeiras. Ele lembrou que continuam ocorrendo casos de violência, na modalidade "saidinha de banco", que teve aumento nacional de 62,5% em 2011. Também comentou que, na cidade, apenas a Caixa Econômica Federal e o HSBC instalaram até agora os "biombos" separando os caixas.
Em nível nacional, a principal ocorrência foi justamente o crime de "saidinha de banco", que provocou 32 mortes. Já a maioria das vítimas foram clientes (30), seguido de vigilantes (8) e policiais (6).Para a Contraf-CUT e a CNTV, essas mortes refletem, sobretudo, a carência de investimentos dos bancos para prevenir assaltos e sequestros.
Segundo dados do Dieese, os cinco maiores bancos que operam no país apresentaram lucros de R$ 37,9 bilhões de janeiro a setembro de 2011. Já as despesas com segurança e vigilância somaram R$ 1,9 bilhão, o que significa 5,2%, em média, na comparação com os lucros. "Essas mortes comprovam o descaso e a escassez de investimentos dos bancos na proteção da vida de trabalhadores e clientes, bem como revelam a fragilidade da segurança pública diante da falta de policiais e viaturas nas ruas e ações de inteligência para evitar ações criminosas", avaliou o diretor da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária, Ademir Wiederkehr.
"Esses números assustadores reforçam a necessidade de atualizar a lei federal nº 7.102/83, que se encontra defasada diante do crescimento da violência e da criminalidade. Precisamos de um estatuto de segurança privada com medidas eficazes e equipamentos de prevenção para garantir a proteção da vida, eliminar riscos e oferecer segurança para trabalhadores e clientes", salientou o presidente da CNTV, José Boaventura Santos. Nas mortes por estados, São Paulo registra não somente o maior número de ocorrências, mas também o crescimento mais alarmante na comparação entre 2010 e 2011. O total de mortes saltou de 5 para 16, uma evolução assustadora de 220%.
A Contraf-CUT e a CNTV defendem ações preventivas que visem enfrentar esse crime que apavora e mata. "Esse crime começa dentro dos bancos e, para combatê-lo, é preciso evitar a visualização dos saques de clientes nos bancos por olheiros, através de medidas como a instalação de biombos entre a fila de espera e os caixas, e de divisórias individualizadas entre os caixas, inclusive os eletrônicos", destacou Ademir. "Proibir o uso do celular nos bancos é medida ingênua, inócua e ineficaz", salientou, opinião com a qual Rodrigo Franco Leite, de Atibaia, concorda.
"Além disso, é fundamental a colocação de portas de segurança com detectores de metais antes do autoatendimento, câmeras internas e externas de monitoramento em tempo real nos espaços de circulação de clientes, e vidros blindados nas fachadas", apontou Boaventura. Outra medida é a isenção de tarifas de transferência de recursos (DOC, TED, ordens de pagamento), como forma de reduzir a circulação de dinheiro na praça. "Muitos clientes sacam valores expressivos para não pagar tarifas e viram alvos de assaltantes", justificou Ademir.

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