Publicado em 30 de Janeiro de 2012

Fim da Sacola Plástica. A quem interessa?

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A partir do dia 25 de janeiro, começou a valer em todo o Estado o acordo que prevê o fim da distribuição gratuita de sacolinhas plásticas em grandes redes de supermercado, resultado de um convênio firmado em maio do ano passado entre a APAS (entidade que representa o setor) e o governo de São Paulo.
A medida não tem força de lei.
A justificativa para retirada do mercado das sacolas de polietileno é ambiental, já que esse tipo de material demora a se decompor na natureza.
Como opção, os supermercados passarão a vender (por 20 centavos, em média) sacolas similares feitas de amido de milho, supostamente degradáveis.
O SAAE – Companhia de Saneamento Ambiental de Atibaia, empresa responsável pelo serviço de coleta de resíduos sólidos e gerenciamento da usina de triagem de materiais recicláveis, esclarece sua posição sobre esse assunto:
Entendemos e compartilhamos da busca por saídas sustentáveis para a redução do consumo de materiais que possam causar danos à natureza.
No entanto, acreditamos que a forma como esse assunto vem sendo tratado passa longe de uma real solução e apenas suscita novas polêmicas.
Para o SAAE, o problema da sacolinha não é seu uso, mas sim o seu não reaproveitamento.
Hoje as sacolas plásticas de supermercado se transformaram em utensílio doméstico. Pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas mostra que mais de 70% das donas de casa aprovam as sacolas e praticamente todas a reutilizam como recipiente para lixo.
O fim das sacolas poderá obrigar o consumidor a buscar sacos de lixo convencionais para acondicionar os resíduos do dia a dia, estes feitos de material infinitamente mais poluente.
As sacolas agora apresentadas como opção, feitas de amido de milho, dizem, poderiam decompor na natureza em pouco mais de seis meses.
Acontece que isso só ocorrerá se o material for processado em composteiras apropriadas, uma técnica que nem todas as cidades têm à disposição em escala suficientemente grande para suprir a demanda.
Hoje em Atibaia cerca de 12 toneladas de sacolas plásticas são separadas por semana pela cooperativa de triagem. Esse material é vendido e retorna à indústria de embalagens, sem chegar à natureza.
A receita financeira dessa venda é divida igualmente entre as mais de cem famílias que trabalham na usina de Caetetuba.
O problema agora reside no fato de que não há tecnologia disponível na grande maioria das cooperativas de reciclagem para reaproveitamento das sacolas de amido de milho, ou as oxi-biodegradáveis, outra opção às atuais de polietileno.
Também não há interesse de boa parte das empresas que as fabricam em remanufaturá-las a partir dos resíduos triados.
O resultado disso pode ser desastroso. Sem mercado de retorno para a prática da logística reversa e sem mecanismos de reciclagem, essas sacolas vão acabar indo parar nos aterros sanitários, onde não há estudos confiáveis sobre o tempo que levarão para se decompor.
Vale lembrar que segundo a própria APAS, os supermercados já cobram do consumidor pelas sacolas de polietileno, cujo custo é diluído no valor das mercadorias nas prateleiras.
Concluindo, o SAAE apóia todas as iniciativas de sustentabilidade, já que seu ramo de atuação é justamente o ambiental. No entanto, entendemos que a questão da sacola plástica merece uma maior deliberação junto à sociedade.
A ideia de responsabilidade compartilhada, que norteia a Política Nacional de Resíduos Sólidos, prevê a discussão em busca de soluções também compartilhadas, o que não ocorreu nesse episódio, já que o consumidor não foi incluído no processo.

SAAE - Companhia de Saneamento Ambiental de Atibaia


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